sábado, 13 de março de 2010

O um Bad Boy

Um dia de agosto, cheguei em casa depois da aula e meu vô tava lá com D. Zilda. Depois de um abraço ele disse: “Estou indo no interior nesse fim de semana, o Sandro vai ser solto. Quero estar lá pra vê-lo.” Eu quase caí dura no chão. Fazia um pouco mais de dois anos que ele tinha sido preso. No outro dia arrumei uma desculpa pra ir também.

“Esqueci um caderno da escola na casa do tio quando fui lá nas férias.” “Eu trago pra você.” Disse o vô. “O senhor não vai saber qual é, nem eu sei. Tenho que ver.” E fomos ao interior. Eu só queria vê-lo, saber que estava bem. Fui pra praça com a Lena na sexta e no sábado pra ver se ele aparecia. Mas só apareceu no domingo.

Ele tava mais magro e meio pálido, sua linda cor tinha desbotado. Quando me viu abriu um grande sorriso (que ainda continuava lindo) e veio sentar com a gente. “Você tá muito diferente.” Disse pra mim. “Tá mais bonita.” Eu sorri. Acompanhamos a Lena até em casa, e voltamos conversando. Ele me perguntava como era a vida na capital e contava como era a vida na cadeia.

No meio do caminho disse: “Daqui a duas ruas todo mundo conhece a gente. Prefiro te beijar no anonimato. Causo menos problemas assim.” E me beijou. Minhas pernas começaram a tremer. Senti meu corpo ficando mole. Depois ele falou: “Você cresceu muito bem.” Depois de pensar um bocado disse: “É melhor eu te levar pra casa.” “Não to entendendo. O que foi?”

“Não posso fazer isso com seu avô. Considero muito ele.” Eu sorri. Entendi o cavalheirismo dele. Uma menina de boa família (provavelmente virgem) não seria bem vista se agarrando com um ex-presidiário por aí. Voltamos pra casa. Caminhamos vagarosamente, para ficarmos mais tempo juntos. Depois de muito silêncio eu disse: “Mas eu gosto de você.” “Eu também gosto muito de você, mas não posso trair seu avô desse jeito. É ser muito covarde.”

Chegamos e encontramos meu tio e meu avô conversando na calçada. Sandro deu boa noite e disse: “Pronto, está entregue. Seu Henrique, queria falar com o senhor.” Eu gelei. “Diga, Sandro.” Eu fiquei por trás do meu avô fazendo vários sinais pra que ele não dissesse nada. “Quando vamos jogar de novo?” Respirei aliviada.

No outro fim de semana nos encontramos de novo. “Porque você não me deixou falar com seu avô?” “Você ia dizer o que? Que queria namorar comigo? A gente mal se vê, moramos em duas cidades diferentes, não dá pra namorar assim. Dá pra curtir assim. Só que você não pode chegar pro meu avô e pedir pra curtir comigo, pode?” Ele pensou um pouco e disse: “Tudo bem pra você se a gente só curtir?” “Claro. Sandro, eu tenho outra vida, em outra cidade. Não posso ficar aqui pregada em você. Nem quero que você deixe de ficar com outras por minha causa. Você não me deve fidelidade. Mas gosto de você, e quero ficar com você quando vier aqui.”

Ele me beijou. Fomos pra casa de um amigo dele, que nos deixou sozinhos. Ficamos nos agarrando no quarto. Amassos inocentes. Tirei a blusa dele. “Que você tá fazendo?” Me perguntou surpreso. “O que você acha?” E tirei a minha. Depois desabotoei meu short e o dele. Ele me olhou mais surpreso ainda e perguntou: “Você não é mais virgem?” “Não.” Pareceu que um peso enorme foi tirado das costas dele, porque ele me agarrou sem medo.

Conseguiu o feito de tirar meu sutiã só com uma mão (o que merece parabéns). Mas antes que pudéssemos começar qualquer coisa o amigo dele voltou. Nos vestimos e ele foi me deixar na casa do tio. Qual não foi nossa surpresa ao encontrarmos a casa vazia. Fomos pro meu quarto e continuamos lá. Mas novamente fomos interrompidos. Enquanto eu distraía a família ele foi pro quintal, onde (já que tinha experiência) pulou o muro.

Mas no domingo aconteceu. Meu tio saiu me deixando só em casa. Escutei um barulho no quintal, quando fui ver o que era ele saltou de uma árvore e eu dei um grito. Já foi me agarrando e me levando pra dentro. “Hoje você não me escapa.” Disse rindo. Ficamos deitados na cama até meia noite, hora que escutamos meu tio abrindo o portão. O Sandro vestiu a roupa e saiu correndo pro quintal.

Ficamos nessa paixonite por uns três meses. Mas lembra que ele tinha momentos de Jekyll e Hyde? Hyde apareceu de vez. Rude, violento e antipático. Brigava por qualquer coisa. Reclamava de tudo. Fomos nos afastando aos poucos, até que um dia não ficávamos mais. Ainda nos falávamos normalmente, mas era só como amigos. Quase um ano depois ele casou. Eu segui com a minha vida.

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