Em 2001 tive meu primeiro carnaval sem supervisão de adultos. E foi magnífico. Meu irmão e a namorada alugaram uma casa de praia com uns amigos. Me chamaram pra completar a cota. Quando eu saía com meu irmão minha mãe não chiava.
Mas lá foram quatro dias e quatro noites de muito sexo, bebida, maconha, e rock and roll. Éramos umas vinte pessoas. As meninas tinham o privilégio de dormir nos quartos (três), os meninos se amontoavam na sala e na varanda. Tinham uns quatro casais de namorados, dois gays e quatro solteiros, entre eles dois irmãos gêmeos idênticos. As meninas solteiras eram seis, eu incluída. E a mais nova. Todos eram maiores de dezoito.
Os gêmeos eram os mais gatos e claro os mais disputados pelas garotas. Eu não estava a fim de ficar com ninguém, observá-los era o suficientes. Vê-los saindo do mar, ou tomar banho no chuveiro da piscina já me deixava feliz. Mas as outras faziam poses afetadas e mostravam sorrisos e olhares que beiravam a vulgaridade. Quando estavam tomando banho no chuveiro da piscina pareciam se esforçar demais para mostrar o quanto eram gostosas.
Estávamos tomando sol na beirada da piscina quando elas começaram a comentar que eles não as olhavam, que pareciam não se interessar. “Vocês estão se esforçando demais.” Eu disse. “E o que uma fedelha como você sabe dessas coisas?” Todos ali sabiam que eu só tinha quinze anos. Mas meu corpo era bem desenvolvido pra minha idade. “Observa e prende.” Me levantei e fui pegar um drinque. Quando voltei sentei na beirada da piscina e prendi o cabelo.
Comecei a pegar água da piscina e passar no meu corpo pra me refrescar, percebendo que já tinha certa atenção comecei a passar o gelo vagarosamente no colo, entre os seios e no pescoço, de olhos fechados, com a boca semi aberta, como se estivesse num momento de pequeno deleite. Peguei novamente meu drinque e voltei pra cadeira pra tomar sol.
“Não vi nada demais.” “Pois é, mas agora tudo o que eu fizer eles vão observar. A intenção era despertar somente a curiosidade, isso feito metade da batalha está ganha. Se um homem já vê logo seu jogo ele não tem curiosidade de ver mais, mas quando você dá as cartas aos poucos eles ficam loucos pra saber seu próximo movimento.”
Aguardei mais alguns momentos e disse: “Eu vou entrar na casa, observe como eles vão me procurar com os olhos.” Levantei da cadeira e fui ao chuveiro, mais uma pequena provocação. Sentia os olhares em mim, abri a água e deixei que escorresse pelo meu corpo, desamarrei um dos lados da calcinha do biquíni e amarrei rapidamente. Desliguei a água, passei a toalha pelo corpo com simplicidade e entrei.
Fui só fazer um sanduíche (tinham prometido um churrasco que não saía), mas o tempo que eu demorei foi suficiente para sentirem minha falta lá fora. Assim que apareci na porta os meninos me chamaram pra ir à praia, que ficava quase em frente a casa. As meninas chamaram os meninos, que me chamaram.
Na praia começamos a jogar vôlei, sem times, só jogando a bola uns pros outros. De repente parei de jogar e pedi pro B1 (bananas de pijamas) olhar as minhas costas, era ele quem estava exatamente do meu lado. “Acho que um bicho me picou” “Não vejo nada.” “Tem certeza? Tá coçando.” Aqui era a hora da verdade, se ele não tivesse interessado iria dizer “mas não vejo nada”, se tivesse iria dizer: “Onde?” e tocar minhas costas para coçá-las. Resposta número dois.
Fiquei com os dois nesse carnaval. Com os dois. Ao mesmo tempo. Mas essa história eu conto da próxima vez.
Nenhum comentário:
Postar um comentário