terça-feira, 2 de março de 2010

É, eu assumo, quase estraguei tudo

Nosso heróico time de vôlei se classificou para o campeonato interestadual, passamos por fáceis classificatórias e difíceis eliminatórias. Estávamos na final com um time “bad ass” de outra cidade. E foi nessa outra cidade que o jogo aconteceu.

O colégio disponibilizou três ônibus, um do time e dois de torcida, para a viagem. E tiveram ainda aqueles que foram de carro. O colégio estava bem representado. O que fez minha vergonha ainda maior.

Primeiro o técnico deu um discurso encorajador dizendo que éramos vencedoras por estarmos ali. Depois falou do quanto cada uma contribuiu pra equipe se tornar a única invicta do campeonato. E terminou dizendo que eu tinha uma grande responsabilidade, já estava sendo considerada a melhor líbero de todos os times.

E depois que todo mundo saiu do vestiário eu cometi a burrice de fumar um baseado. O problema não foi fumar, eu já tinha jogado alta algumas vezes, sem problemas. O problema era que este baseado específico era mesclado (e eu não sabia), e eles me deixavam completamente mongol.

Meus reflexos ficaram lentos, eu ficava tentando pegar uma bola que passava a um metro de distância. As que eu acertava era na sorte. Esquecia de fazer a rotação, continuava depois do apito e ficava escutando um zunido o tempo inteiro.

Quando treinador me chamou eu disse que estava sentindo muitas dores na coxa, e que por isso não estava chegando nas bolas. E a dor estava tão forte que tirava minha concentração. “Porque você não disse logo?” E me deu um relaxante muscular. Fiquei mais lesa ainda. Ele teve que colocar a Ana Maria, que por falar nisso tava adorando meu desastre.

Os dois primeiros sets foram perdidos. Mas isso foi exatamente o tempo da lombra passar. Quando voltamos para o terceiro (e provável último) o outro time estava orgulhoso e acreditando na vitória certa. Mas, recuperada, eu valia por duas, então voltei pra quadra.

A partir daí joguei tudo o que tinha, tudo o que sabia. Joguei com mais vontade que nunca. E conseguimos ganhar o set. Isso levantou a torcida que estava triste e calada. O outro time agora tinha medo de que essa virada fosse permanente.

Foi a vez da torcida do outro time ficar triste e calada. Eu já estava com um cotovelo arranhado e outro roxo e corria pra pegar as bolas onde fosse, me joguei várias vezes nos letreiros de propagandas. Não dispensava uma bola sequer. Ganhamos esse também.

Por incrível que pareça o último foi o mais fácil. O outro time tinha perdido o ânimo, o entrosamento. Não se encontravam mais em quadra. Às vezes até se chocavam pra defender ou atacar. Ganhamos por oito pontos. Nosso time foi condecorado com a melhor levantadora, o melhor bloqueio, a melhor líbero e o melhor saque. O time dos sonhos.

Depois o auxiliar do técnico veio me perguntar. “Agora você pode dizer o que você tomou, ou fumou?” “Agora eu posso, fumei uma bosta de mesclado.”

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