domingo, 28 de fevereiro de 2010
What happens in Vegas stays in Vegas
sábado, 27 de fevereiro de 2010
De como fiquei com o namorado da minha amiga
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Ébano e Marfim
No meio do ano um novato entrou na minha sala de música, nessa escola a gente tinha que fazer pelo menos uma arte, eu fazia duas: música e teatro (a partir do 3° ano). Deslocado como eu e ainda discriminado por ser o único negro da sala, eu fiquei logo amiga dele. Além de gato, gostoso e ótimo saxofonista era muito inteligente e simpático. Eu fazia o 1º ano, ele o 3º. Ele também era do time de basquete.
Foi o primeiro amigo que fiz realmente nesse colégio, que, aliás, esqueci de comentar, tinha uma série a mais. Além do 3° ano tinha mais um. Como se fosse um extensivo dos três primeiros, o colégio usava essa metodologia para amadurecer e preparar melhor os alunos vestibulandos. Esse último ano era focado exclusivamente nas provas e nas matérias de provas específicas. Assim, quem queria ser um futuro médico passava esse ano estudando detalhadamente química e biologia e revendo os conteúdos do ensino médio no geral.
Robson morava sozinho com o pai, a mãe tinha morrido num acidente de carro quando ele tinha doze anos. Nos entendíamos nesse conceito. Depois da aula, algumas vezes, eu ia pra casa dele praticar o piano. O pai dele tocava baixo e fazíamos meio que uma banda de blues (sendo bem otimista). Foi com eles que ouvi pela primeira vez o nome Willie Dixon. O pai de Robson era um dos melhores dentistas da cidade.
Ele não entendia como uma menina branca podia se interessar por blues, “Geralmente pessoas brancas assim como você gostam de Bach.” E dava uma boa gargalhada. Ele tinha uma impressionante coleção de vinis. E me deu de natal um da Billie Holiday que eu sempre olhava com desejo.
Eu e o Robson gostávamos de nos agarrar no sofá quando o pai dele não estava, mas ele era extremamente cavalheiro e não me tocava em lugares impróprios. Demorou uma eternidade pra ele tocar meios seios por cima da blusa, mais uma para tocar por baixo e se eu não tivesse colocado a mão dele, ele não tocaria por baixo do sutiã. Acho que ele tinha essa reserva pelo fato de que não éramos namorados, ele se sentia um pouco acuado.
No fim do ano tinha a tradicional festa de formatura, para os alunos do 3° e do último ano. Ele, claro, me convidou. Fomos no carro do pai dele (que só emprestou porque eu tava bonita demais) “Pra conquistar uma garota bonita assim você tem que estar dirigindo um carro”. Eu estava usando um tomara que caia roxo que tinha a saia de tule roxo, preto e rosa em camadas. Ele usava um terno risca de giz cinza sem gravata.
O mais importante aconteceu depois do baile, estávamos no carro dando uns amassos ao som de "You know my love" do Willie Dixon, quando ele falou no meu ouvido: “Toma conta de mim, tá? Essa é minha primeira vez.” “Não se preocupe, vou fazer com carinho.” E nos beijamos. Não preciso nem dizer o quanto as janelas ficaram embaçadas.
No último ano dele nos víamos bem menos. Ele estudando muito pra passar no vestibular de medicina e eu ocupada com treino de vôlei, academia de dança (voltei a dançar aos 16), com os estudos e os ensaios de música. Mas pelo menos uma vez por mês nos reuníamos pra tocar (não estávamos mais na mesma sala de música). Ele me disse depois que tinha falado pro pai dele sobre nossa noite no carro, mas os dois sempre foram muito discretos.
Acho que ficamos mais umas duas ou três vezes até ele se formar e ir estudar fora.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Ai que saudade d'ocê
No meio do ano, nas festas juninas, minhas antigas amigas me chamaram para comemorar com elas na minha antiga cidade. Um momento “nostalgia” tentativa de reascender nossa amizade. A vida na capital tinha me feito indiferente à vida provinciana, achava-os atrasados e caipiras. Mas rever minhas raízes, meus antigos amigos, rever antigos hábitos me fez bem.
Lena ainda namorava com o Mosca (entre idas e vindas) e Tibby começou a namorar o Popeye naquele final de semana. A Carmen estava grávida e não saía de casa. Anoite, na praça, acontecia o festival de quadrilhas. E qual não foi minha surpresa ao ver de longe um velho amigo e companheiro, mais alto, mais forte e mais lindo que nunca. Vestido de branco (porque era o noivo), cantando e dançando mais enérgico que todos. Eu, claro, sabia que isso era efeito de uma certa erva.
Ao me ver abriu um largo sorriso e, tenho certeza, cantou a música pra mim. Só vou reproduzi-la pela especialidade da ocasião.
Quando olhava pra mim, olhava mais feliz. Quando sorria pra mim, sorria mais bonito. E assim que a apresentação acabou foi pra mim que ele veio. “Ai que saudade de você, nêga.” Ele me chamava assim por eu ser bem branca. E dizendo isso me beijou. “Também senti saudade.” E uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Ele limpou delicadamente e disse: “Vamo sair daqui.” Quando ele me dizia “vamos” eu não perguntava “pra onde”, eu ia.
Fomos pra casa dele, a mãe estava na praça vendo a festa, não voltaria tão cedo. Ele colocou Janis Joplin pra tocar e enquanto embalados pelo Kozmic Blues trocamos carícias e afagos. Mas foi quando o mega som da praça sobrecarregou as linhas de energia e gerou um blecaute no resto da cidade que realmente nosso amor eclodiu.
Acendeu uma vela que iluminou timidamente o quarto e veio para os meus braços. Quando eu tava enroscada naquele corpo perdia a noção de tudo, noção de tempo, de espaço, perdia a noção de onde ele terminava e eu começava com minhas pernas entrelaçadas em seu quadril. Éramos uma massa suada e convulsiva, de beijos fortes e abraços apertados. Passamos um lindo e intenso fim de semana.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Esqueceram de mim aos poucos
Quando me mudei minhas amigas choraram e disseram que iam sentir minha falta. Isso foi lindo na teoria, mas na prática foi bem diferente. No primeiro mês falávamos todo dia no telefone e eu ia pro interior todos os finais de semana. Mas no decorrer do tempo elas foram ficando ocupadas e arranjaram uma nova amiga da cidade do Mosca e do Popeye.
Num desses finais de semana eu estava ficando na casa de Tibby, era sábado de manhã e eu tinha programado, com ela, ficar o fim de semana inteiro. Ela me acordou e disse: “Ei, você tem outro canto pra ficar? Porque a Luíza apareceu e vai ficar aqui em casa.” Eu disse: “Oi Luíza, tudo bem?” me levantei e disse sarcástica: “Você espera eu escovar os dentes e trocar de roupa antes de soltar os cachorros, ou tenho que sair agora?” Não esperei a resposta. Fiz meu asseio, troquei minhas roupas e disse por fim: “Tibby, você pra mim morreu.” E nunca mais falei com ela. Dalí fui pra casa do meu tio, que ainda morava na cidade.
Voltei pra casa naquele mesmo dia. Em casa liguei pra Michele e fomos pra Beltane. A Lena me ligou perguntando o que tinha acontecido “Pergunta pra Luíza, ela vai ser mais sincera que a Tibby.”. A Tibby tinha uma estranha mania de achar que estava num pedestal, que ela era a razão do universo girar (complexo de filha do meio) e que tínhamos que perdoá-la porque ela era a coitadinha das histórias. Eu já tinha me cansado desse comportamento.
No dia do meu aniversário mandaram uma daquelas mensagens pelo telefone que gravam sua reação. A moça me perguntou: “Você não gostaria de dizer alguma coisa pra elas?” “Sim, claro, Lena: você é uma grande amiga e sinto muito que a gente esteja se afastando assim, de todas você foi a que eu sempre confiei mais, tenho muita saudade das nossas bagunças, um beijão. Te adoro. Tibby: Não ache que eu vou te perdoar por causa de um truque barato simplesmente pra você aliviar sua consciência pesada. Essa foi a última que eu agüentei de você e eu cansei. Vá pro inferno sua hipocritazinha de merda.”
Nem preciso dizer que ela não tentou mais. Quando a Carmen teve o neném me ligou pra ir conhecer. Era um lindo garotinho. “E o Marreco, deu notícia?” “Ele foi ao hospital me visitar e disse que ia assumir o filho direito, mas depois disso não o vi mais.” Isso fazia um mês. Mas a criança foi registrada direito.
Reencontrei a Lena e a Tibby várias vezes depois disso, mas só com a Lena eu falava. A Tibby tentava chamar minha atenção, mas eu simplesmente fingia que ela não estava ali. E pra mim, até hoje, ela não existe mais. As vezes encontro a Lena pelas baladas da cidade (ela mudou pra capital também pra estudar) mas faz a gentileza de não tocar no nome da outra.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Uma provinciana na corte
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Musa
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Enquanto isso, no lustre do castelo...
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Tão clichê
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Era sim um besteirol americano
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
De como eu entrei na alta sociedade
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Quase uma miss
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
A primeira vez... Dói pra caramba
Apesar dos beijos apaixonados e do fato de quase sempre ficarmos quando nos víamos eu e o Roberth não nos considerávamos namorados. Era uma relação aberta e hormonal. A gente ficava quando dava vontade, mas quando um tinha vontade de ficar com outra pessoa não tinha problema. Ele até ficou com a Lena numa festa.
Um dia escutei um gato insistente na minha janela, fui olhar e advinha quem era, o Roberth, abri a janela e ele entrou. “Tava com saudade, faz dias que não te vejo.” “E to treinando muito e tendo ensaio pro recital do fim do ano.” Ele me beijou. Ficava completamente perdida quando ele me beijava, ele tinha uma força sobre mim que eu não conseguia lutar contra. Ficava impulsiva e instintiva.
Vagarosamente ele foi me levando pra cama, só percebi quando cheguei lá. Tirou a camisa e a blusa do meu baby-doll. Nos deitamos, ele tirou meu short e minha calcinha, foi beijando meus seios e descendo suavemente pra minha barriga. Apesar de ter as mãos grandes ele abriu minhas pernas delicadamente, voltou a beijar minhas coxas ate que me fez sentir como nunca havia me sentido antes, uma perda total de raciocínio. Era uma mistura de quente e frio, dor e prazer. Eu arfava, meu corpo se contraía sem me obedecer, a mão forte subiu pelo meu ventre ate meu seio e minha garganta começou a fazer grunhidos irreconhecíveis pra mim.
Experimentei o que é insanidade, toquei no céu límpido e estrelado, enquanto um calafrio fervente e elétrico percorreu minha coluna, estava molhada se suor, mas meu corpo estava frio, por fim com um gemido vibrante caí sem forças na cama. Ele voltou, deitou-se ao meu lado, suado também. Me beijou a fronte. Eu fechei os olhos e dormi. Quando acordei no meio da noite ele já tinha ido.
Na vez seguinte em que nossas carícias foram mais intensas eu retribuí o carinho. Foi a minha vez de fazê-lo passear fora do corpo e perder os sentidos. Estávamos na casa do Conrado preparando uma festa, o dono da casa saiu deixando nós dois sós por alguns minutos. Aproveitamos pra dar uns amassos. Estávamos na cozinha, eu sentada na pia, ele em pé na minha frente. Notei, quando os beijos ficaram mais ardentes, algo intumescido entre as minhas pernas. Aproveitei a chance. Me ajoelhei ali mesmo, abri seu cinto e me surpreendi com o que vi. Grandioso. É a única palavra que vem à cabeça. Pelo tamanho, pela beleza e pela potência. Você não quer realmente que eu descreva o que eu fiz, quer? Só direi que ele teve que se apoiar na pia pra não cair, e que gemeu tão alto quanto eu. Satisfeito?
Depois de um mês nessas novas brincadeiras resolvemos ir ate o fim. O gato miou do lado de fora, eu abri a janela e ele entrou mais lindo que nunca. Tinha vindo de uma festa então estava bem arrumado. Não tinha bebido e ainda tava cheiroso. Começamos a nos beijar assim que ele entrou, sem dizer nada. Já fomos nos deitando e tirando a roupa. Ele ficou por cima de mim, colocou a camisinha e perguntou: “Você tem certeza?” “Nunca tive dúvida”.
Que negócio pra doer! Não sei se pela enormidade da coisa, ou se dói com todo mundo. Sempre que eu dizia um ai ele tirava, tentando colocar mais devagar da próxima vez. Sempre me beijando e perguntando “Tá doendo?”. Depois que ele conseguiu colocar todo (ainda não sei como) começou a ficar bom. Não era ainda uma maravilha, mas era gostoso. E com ele gemendo no meu ouvido então. Ah, o gemido era de matar.
Dormimos abraçados e acordamos com minha mãe batendo na porta. Ele se jogou no chão milésimos antes dela abrir a porta. “Vai se atrasar pro treino.” “To indo” ela fechou a porta e saiu. Depois disso começamos a rir. Ele entrou pela minha janela pelo menos duas vezes na semana, até que eu me mudei. Mas nunca contei isso pra ninguém, nem pras minhas amigas.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Tudo ao mesmo tempo agora
O mês antes das férias foi de longe o que mais teve acontecimentos. Primeiro descobri que íamos nos mudar. Meu irmão ganhou uma bolsa pra estudar numa escola da capital e claro não íamos deixar que perdesse essa grande oportunidade. Meu time de vôlei chegou até a final do campeonato intermunicipal, eu tive minha primeira vez, minha amiga perdeu a virgindade e engravidou no mesmo mês e meu vô arranjou uma namorada, que era super legal.
Chego em casa depois da aula e minha mãe tá em casa (o que já é estranho), mas ela tá pulando de alegria, e com um papel na mão. Vendo da cozinha ela parece uma doida, mas aí ela começa a chorar e vejo que ela voltou ao normal. Vem a família toda pra cozinha. “Ai to tão orgulhosa de você, meu filho. Seu pai ia ficar tão feliz.” (golpe baixo) “O que aconteceu? Ele descobriu a cura da AIDS?” “Não ganhou uma bolsa de estudos.” “Tem certeza?” Assim, meu irmão não era nenhum gênio. Era repetente. “Bolsa pra atleta.” “Que bom.” “A gente vai se mudar pra capital, próximo ano você entra no médio também, precisa de uma escola melhor, tá decidido.” Saí dali e fui gritar no travesseiro.
Depois de 12 jogos, nenhuma derrota, eu já estava nomeada pra ganhar a medalha de melhor líbero do campeonato, mas só meu vô foi ver meus jogos. E o Roberth. Não demorou muito para termos nossa primeira transa. (mas essa é importante demais, vai ter post próprio). O jogo da final foi super. O ginásio da minha cidade tava lotado, o outro time era de uma cidade vizinha. O jogo foi ate o quinto set, parecia Brasil e Cuba, ponto aqui, ponto lá. Era quase impossível abrir dois pontos de vantagem. Mas graças a uma “bad ass” líbero como eu nós ganhamos. E ganhei a medalha de melhor líbero do campeonato. Quando vieram me perguntar qual meu segredo eu disse: Saber cair, não ter medo da bola e treinar com os homens.
Lembra do Marreco? Pois é, ele e a Carmen resolveram “levar as coisas para outro nível”, e ficaram levando quase toda noite, mas esqueceram do balão. O que aconteceu? Minha amiga com 16 anos recém completados ficou grávida. E o Marreco? Não agüentou o foguete e se mandou, e a pobre teve que agüentar a barra só. Nem contar pra família dela ele foi. Disse que não era dele. Que ela deve ter se confundido. Levou uma surra do irmão dela e resolveu reconhecer a criança, mas não casaram.
E a última foi meu vô chegando em casa com uma distinta senhora e dizendo: essa é Zilda, eu a estou cortejando. Cri cri cri na sala. Como assim? Vovô tem uma namorada? Mas ela era bem legal, sempre bem educada e simpática e cozinhava que era uma maravilha. Minha vó também cozinhava, mas era mais feijoada, panelada, cozido. A Zilda cozinhava peixe ao molho de camarão, codornas no vapor e cheesecake. Foi com ela que tive minhas primeiras aulas de etiqueta, como comer com trinta talheres e dez copos diferentes, como recusar educadamente um convite, como fazer sala. Era uma dama, ela me lembra a rainha de Genóvia, bem clássica.
Ah, esqueci de dizer que tivemos uma morte na família, meu peixinho Alcebíades, voltei um dia pra casa e encontrei ele de barriga pra cima, acho que se matou por causa da mudança.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Seven Minutes in Heaven
Depois do episódio do Pero Vaz eu e o Roberth ficamos mais próximos. Na noite seguinte era aniversário dele e eu quase não ia, cheguei bem atrasada. Minha mãe tava recebendo em casa, de visita, uma amiga de infância, mas a mulher não ia dormir de jeito nenhum. Só consegui sair por volta de uma da manhã, quando elas resolveram parar de recordar o passado na cozinha (que era ao lado do meu quarto).
Quando cheguei na festa fui recebida pelo mais lindo sorriso que o Roberth já deu. “Pensei que não vinha mais” “Tive que esperar minha mãe dormir.” É claro que já tinha gente bêbada no local, mas a maioria ainda tava de pé. Encontrei minhas amigas e notei que o Roberth olhava pra mim de um jeito diferente. “ele sempre te olhou assim, você que nunca notou.” Disse Tibby. “É verdade, por isso nenhuma de nós nunca quis ficar com ele, todo mundo sabe que ele é louco por ti.” Falou Carmen
Só pra esclarecer, todas nós já tínhamos ficado com alguém da turma, eu tinha ficado com três, os gêmeos Pedro H. e Pedro L e o Marreco. As outras tinham ficado com um ou dois. Nessa noite a Carmen tava com o Marreco, a Lena com o Mosca e a Tibby com o Popeye. Mas essa do Roberth era novidade, realmente ele nunca tinha ficado com nenhuma de nós, e quando ficava com outra menina era sempre muito discreto.
Daí alguém bêbado teve a idéia de brincar de “seven minutes in heaven”. O aniversariante teve o direito de escolher com quem ele iria, e ele me escolheu. Eu ainda tava meio em choque em saber que ele era afim de mim, mas já tinha bebido o suficiente para não estar preocupada com isso.
O lugar escolhido foi o quarto dele (porque a casa dele não tinha closet) e assim que entramos ele trancou a porta na chave (pra ninguém de fora abrir) e colocou um pano na maçaneta (pra ninguém espiar pelo buraco da fechadura). Dava pra notar que ele tava meio nervoso.
Primeiro ele colocou meu cabelo atrás da orelha e disse: “Não vou fazer nada que você não queira, tá?” “Você eu deixo fazer o que quiser”. E ele me beijou. Um beijo forte, sugado, gostoso. Ele vagarosamente desabotoou a blusa e mostrou o corpo sarado, eu tirei minha blusa. Nos sentamos na cama e ele passou a mão por baixo da minha saia. Bem devagar, subindo na minha coxa. Com a outra abriu meu sutiã.
Deitamos e ele deslizou a mão pra dentro da minha calcinha. Eu comecei a ficar ofegante, mas ele não abriu a calça. Depois começou a beijar meus seios, e enquanto brincava com a mão colocou o ouvido mais perto da minha boca, pra ouvir meu gemido. Fiquei mais ofegante e comecei a perder a noção do que acontecia. Eu comecei a gemer cada vez mais alto, com meu corpo se contorcendo, gemi quase como um grito e ele me beijou pra abafar o som. O mordi sem querer. Ele só sorriu. Lindo como só ele sabia.
Alguém bateu na porta, nossos sete minutos de paraíso haviam acabado.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
De como me apaixonei pelo meu melhor amigo
De todos os meninos com quem eu andava o Roberth era o que eu considerava o melhor amigo. Ele sempre era carinhoso com as meninas e nunca dizia que a gente não podia fazer algo porque éramos meninas. Era também lindo. Moreno, gostoso e tocava violão. Era o único que conhecia meu pai, e o único que foi no enterro dele.
Os meninos da minha turma (Roberth, Pedro H., Pedro L., André, Conrado e Marreco) começaram a se interessar por skate. Eu fui a única que entrei também de cara, mas depois que quebrei o braço meu pai me fez desistir de tentar manobras. “Assim você nem joga nem dança.” Tinha que concordar. Deixei de jogar uma final importante por causa disso. Mas andava em cima e gostava de ver os meninos tentando subir em coisas estranhas. Logo eles tavam participando de campeonatos nas cidades da redondeza, e nós garotas íamos junto torcer por eles.
Havia uma cidade a uns 40 km que era meio que o foco da cena underground. Lá as meninas se vestiam com roupas folgadas e eu era só mais uma na multidão. Começamos uma amizade com alguns rapazes (gatos) de lá. Lembro que todos tinham apelido. Popeye, Mosca, Bateria, Toca-fita, Pero Vaz e Sr. Miyagi (esse um japonês). E eles tinham entre 19 e 22 anos. Nessa época eu já tinha esquecido o “bad boy”.
Claro que cada uma se apaixonou por um. Eu pelo Pero Vaz (o único que não tinha cara de menino véi), A Lena pelo Mosca, a Carmen pelo Bateria e a Tibby pelo Popeye. Os únicos que deram certo foram A Lena e o Mosca e a Tibby e o Popeye. Eu e a Carmen só ficamos com eles uma vez. A Carmen quis ficar com outro e eu dei um soco na cara do meu.
Estávamos todos na casa do Popeye, bebendo e fumando (eles maconha), e o Pero Vaz me chamou pro quarto. Eu fui, achei que ia ser só uma curtição na boa. Nós começamos a nos agarrar, na cama, e ele tirou minha blusa e a dele, mais beijos e mãos bobas e ele quis tirar meu sutiã, não deixei. “Qual é gata, não tá afim?” “Não.” “Você é virgem?” “Sou.” “Eu prometo ser carinhoso” “Não quero” E essa última frase ele falou sério: “Ah, gata, agora é tarde, ajoelhou então vai ter que rezar”... Soco.
Sério? O cara achou que eu ia perder a virgindade com ele? Um cara que nem conheço? E ali? No meio de bêbados e maconheiros. Nem pensar.
Eu depressa vesti minha blusa e fui abrir a porta pra sair. Abri um pouco, mas ele empurrou fechando de novo. Quem tava fora percebeu que algo tava errado. “Você tá doida?” “Deixa eu sair!” “Mina pirada, vou te dar umas porradas também.” Lá de fora começaram a bater na porta pedindo pra ele abrir, mas ele trancou na chave e com um tabefe me jogou na cama. Eu comecei a jogar tudo que eu achava nele, livro, lista telefônica, sapato...
O Roberth arrombou a porta no chute e deu mais um soco no Pero Vaz. Eu corri pra perto dos meus amigos. E o Roberth me tirou dali. Saímos todos da casa e lá fora eu contei o que aconteceu, que ele queria que eu fizesse sexo com ele sem eu querer. O Roberth quis voltar pra dar mais uns tabefes, mas chorando e segurando a mão dele eu pedi que não. Dalí fomos pegar o ônibus de volta pra casa, ficamos em silencio toda a viagem, ele só largou minha mão quando chegamos na minha casa, fomos até meu quarto.
“Você tá bem?” só afirmei com a cabeça. Ele me abraçou e notei que ele tava mais alto que eu. “Nossa, você cresceu, você era mais baixo.” “Coisa boa de ser homem, a gente cresce depois dos 15.” E quase saindo pela porta ele disse: “Amanhã é meu aniversário de 16, a gente vai pra praia, cê vai né?” “Com certeza.”