domingo, 28 de fevereiro de 2010

What happens in Vegas stays in Vegas

Outra amiga do colégio, Rochelle, oferecia um famoso brunch a cada dois meses. Geralmente no domingo. Ela e a mãe eram voluntárias numa creche e faziam esse brunch como um evento beneficente. As crianças faziam artesanatos e as peças eram leiloadas.

Eu fazia umas duas ou três pequenas aquisições, porque era de bom tom, e depois ia participar das conversas ao redor da piscina. Geralmente os adultos falavam de negócios e ações, e eu aproveitava pra aprender como mexer nas minhas. Mas de vez em quando a conversa voltava-se para os clássicos literários ou algum assunto que estava na mídia, me dando a oportunidade de mostrar o quanto eu era versátil.

Os homens pareciam se interessar pelo ponto de vista de uma jovem. “Uma mudança de olhar muda completamente o modo como compreendemos certas coisas.” Disse um dos maiores cavalheiros que conheci. O Sr. Ângelo tinha por volta de cinqüenta anos e era bem alto, mas tinha um corpo saudável e atlético. Ele não possuía nenhum dos vícios urbanos. Pelo contrario, passava a maior parte do tempo em sua fazenda, levando uma vida rural. Não bebia (tomava os drinques protocolares), fumava um charuto por dia (após o jantar), não jogava e não cometia a indiscrição de ter amantes. Amava sua esposa e era sempre bem claro a respeito, havia ela e somente ela em sua vida.

Mas seu amigo de infância Edson, por outro lado, gostava dos prazeres efêmeros da vida. Ele era o pai da Rochelle. E todos nós sabíamos que seu casamento era apenas uma fachada, um casamento arranjado por assim dizer. Casaram-se simplesmente porque depois de uma noite de aventura a moça engravidou, o que podiam fazer?

Depois de mais um desses enfadonhos leilões estávamos conversando sobre alguma trivialidade quando o Sr. Edson me perguntou se eu sabia jogar sinuca. Respondi que era péssima, mas que aceitaria uma aula se ele quisesse me dar. É claro que o flerte estava no ar. Na verdade já flertávamos há algum tempo. Apenas quem fosse muito atencioso, como o Sr. Ângelo, notaria que além das palavras inocentes havia olhares maliciosos sendo trocados.

Entramos discretamente na sala de jogos, e enquanto explicava as regras de sinuca me ensinava como segurar direito o taco. Depois passou a mão na minha cintura e desceu pra minha coxa. Por fim me colocou sentada sobre a mesa verde. Abriu minhas pernas e se colocou ali, me beijando. Quis rasgar meu vestido, mas não o deixei. “Como você espera que eu saia?” aceitou abrir pacientemente cada botão, quanto ao resto foi fácil, calcinha jogada no chão e zíper aberto.

Escutávamos, ao longe, o som dos outros convidados. E a chance de sermos pegos a qualquer momento aumentava mais a excitação. O proibido sempre foi mais gostoso. Ele agarrava meus cabelos e usava a outra mão acariciar outros pontos erógenos do meu corpo. Isso me fazia estremecer, como se tivesse tendo pequenos espasmos.

Ele teve que tapar minha boca pra que eu não fizesse um escândalo. Homens mais velhos já sabem o mapa do corpo feminino decorado, fica muito mais fácil pra eles nos trazer ao descontrole. Depois de uma breve perda total de forças saímos discretos como entramos. Nunca mais nos encontramos ou tocamos no assunto. O que aconteceu ali, ali ficou.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De como fiquei com o namorado da minha amiga

Eu estava morando na capital há alguns meses, se não me engano era o mês de outubro. A vida na cidade grande é mais cheia de vícios do que o interior. Eu não era mais uma provinciana. E meu senso de moral estava ligeiramente alterado pelas vivências que tive acompanhada dos meus novos amigos, os do bairro ou da escola.

Uma das amigas da escola se chamava Samara. Era filha do comandante da base aérea e modelo. Tinha estudado no colégio militar, mas a expulsaram por “comportamento inadequado” claro que todos nós sabíamos que a causa era o excesso de álcool. Bom, todos nós bebíamos, mas a maioria não ia pra escola bêbado.

Fui pra casa dela numa sexta depois da aula. Lá outro amigo ligou nos chamando pra sair. Eu já tinha avisado em casa que ia dormir na casa dela, mas não tinha levado roupa apropriada pra sair. Descobrimos que eu e Samara tínhamos o mesmo corpo. O pai dela deixou a gente sair porque confiava cegamente no João Luís. Os dois pais eram primos.

Fomos pra uma boate onde não era preciso mostrar identidade, o JL (como era chamado) era vip. Tinha mesa própria e conta aberta no bar. Primeiro tocava um banda, geralmente de rock, e depois os DJs se revezavam até de manhã. Escutei, de longe, uma voz me chamando. Quando olhei me surpreendi ao ver Popeye, Mosca, Pero Vaz e Sr. Miyagi. Eles eram a banda que ia tocar. Pero Vaz falou comigo como se nada tivesse acontecido. Foi estranho ver dois mundos diferentes se encontrando.

O JL percebeu que éramos conhecidos e depois que a banda tocou os convidou para a nossa mesa. Ficamos bebendo, conversando e dançando ocasionalmente. Notei que o Popeye me olhava diferente (ele namorava a Tibby e o Mosca a Lena). A boate tinha um segundo andar, com acomodações mais confortáveis. Sofás, poltronas, pufes e almofadas. Chamávamos de “Chill out”, era onde fumávamos e, depois de dançar muito, relaxávamos.

Subimos pra fumar um. Eu, Samara, JL, Popeye e Sr. Miyagi. A luz negra nos fazia viajar mais, e a pintura fosforescente no teto com temas estelares nos acalmava. O JL e Samara começaram a se beijar do nada. Eu fiquei conversando com os outros dois, conversa meio sem sentido de quem tá sob o efeito de maconha. Quando notei a Samara e o JL tinham ido embora. Da boate.

Talvez foram pra algum motel que aceitavam o suborno gordo do JL. E eu fiquei. Os meninos juntaram os equipamentos e me chamaram pra casa onde eles tavam. Eu, sem alternativa, fui. Lá escutamos mais rock, fumamos mais um e o Popeye me chamou pra varanda. Conversamos um bocado ate que ele soltou. “Você tá muito gata. Mais do que antes.” E começou com galanteios.

Eu me deixei levar pela sensação vívida que é fazer algo proibido. A Tibby e eu às vezes falávamos no telefone, mas isso foi esmorecendo com o tempo. Nessa época já não nos falávamos, tínhamos brigado e eu não devia mais lealdade a ela. Então fiquei com o Popeye. Ele era sim gato, e charmoso e simpático.

Ele me levou pro quarto sussurrando galanteios no meu ouvido. O dia amanhecia pela janela e dava um tom de azul claro ao quarto. Ele era um amante maravilhoso, começou gentil e carinhoso e à medida que ouvia meu delírio aumentar foi ficando mais vigoroso e selvagem. Continuamos no banho, com a água refrescando os corpos suados. Ele me segurava forte pela cintura enquanto mexia o quadril com maestria. Foi uma das melhores noites de amor que já tive. Tibby não sabia o que estava perdendo (ela se mantinha virgem).

Com o dia claro foi me deixar num ponto de táxi. Falei que não tinha dinheiro, que teria que pegar um ônibus. “Nessa hora é perigoso por aqui, prefiro que você vá de táxi.” E me entregou algumas notas, depois me beijou. Voltei pra casa da Samara e esperei por ela em cima de uma árvore. Ela chegou um pouco depois de mim. Ficamos comparando os chupões no pescoço até, por fim, adormecermos.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Ébano e Marfim

No meio do ano um novato entrou na minha sala de música, nessa escola a gente tinha que fazer pelo menos uma arte, eu fazia duas: música e teatro (a partir do 3° ano). Deslocado como eu e ainda discriminado por ser o único negro da sala, eu fiquei logo amiga dele. Além de gato, gostoso e ótimo saxofonista era muito inteligente e simpático. Eu fazia o 1º ano, ele o 3º. Ele também era do time de basquete.

Foi o primeiro amigo que fiz realmente nesse colégio, que, aliás, esqueci de comentar, tinha uma série a mais. Além do 3° ano tinha mais um. Como se fosse um extensivo dos três primeiros, o colégio usava essa metodologia para amadurecer e preparar melhor os alunos vestibulandos. Esse último ano era focado exclusivamente nas provas e nas matérias de provas específicas. Assim, quem queria ser um futuro médico passava esse ano estudando detalhadamente química e biologia e revendo os conteúdos do ensino médio no geral.

Robson morava sozinho com o pai, a mãe tinha morrido num acidente de carro quando ele tinha doze anos. Nos entendíamos nesse conceito. Depois da aula, algumas vezes, eu ia pra casa dele praticar o piano. O pai dele tocava baixo e fazíamos meio que uma banda de blues (sendo bem otimista). Foi com eles que ouvi pela primeira vez o nome Willie Dixon. O pai de Robson era um dos melhores dentistas da cidade.

Ele não entendia como uma menina branca podia se interessar por blues, “Geralmente pessoas brancas assim como você gostam de Bach.” E dava uma boa gargalhada. Ele tinha uma impressionante coleção de vinis. E me deu de natal um da Billie Holiday que eu sempre olhava com desejo.

Eu e o Robson gostávamos de nos agarrar no sofá quando o pai dele não estava, mas ele era extremamente cavalheiro e não me tocava em lugares impróprios. Demorou uma eternidade pra ele tocar meios seios por cima da blusa, mais uma para tocar por baixo e se eu não tivesse colocado a mão dele, ele não tocaria por baixo do sutiã. Acho que ele tinha essa reserva pelo fato de que não éramos namorados, ele se sentia um pouco acuado.

No fim do ano tinha a tradicional festa de formatura, para os alunos do 3° e do último ano. Ele, claro, me convidou. Fomos no carro do pai dele (que só emprestou porque eu tava bonita demais) “Pra conquistar uma garota bonita assim você tem que estar dirigindo um carro”. Eu estava usando um tomara que caia roxo que tinha a saia de tule roxo, preto e rosa em camadas. Ele usava um terno risca de giz cinza sem gravata.

O mais importante aconteceu depois do baile, estávamos no carro dando uns amassos ao som de "You know my love" do Willie Dixon, quando ele falou no meu ouvido: “Toma conta de mim, tá? Essa é minha primeira vez.” “Não se preocupe, vou fazer com carinho.” E nos beijamos. Não preciso nem dizer o quanto as janelas ficaram embaçadas.

No último ano dele nos víamos bem menos. Ele estudando muito pra passar no vestibular de medicina e eu ocupada com treino de vôlei, academia de dança (voltei a dançar aos 16), com os estudos e os ensaios de música. Mas pelo menos uma vez por mês nos reuníamos pra tocar (não estávamos mais na mesma sala de música). Ele me disse depois que tinha falado pro pai dele sobre nossa noite no carro, mas os dois sempre foram muito discretos.

Acho que ficamos mais umas duas ou três vezes até ele se formar e ir estudar fora.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ai que saudade d'ocê

No meio do ano, nas festas juninas, minhas antigas amigas me chamaram para comemorar com elas na minha antiga cidade. Um momento “nostalgia” tentativa de reascender nossa amizade. A vida na capital tinha me feito indiferente à vida provinciana, achava-os atrasados e caipiras. Mas rever minhas raízes, meus antigos amigos, rever antigos hábitos me fez bem.

Lena ainda namorava com o Mosca (entre idas e vindas) e Tibby começou a namorar o Popeye naquele final de semana. A Carmen estava grávida e não saía de casa. Anoite, na praça, acontecia o festival de quadrilhas. E qual não foi minha surpresa ao ver de longe um velho amigo e companheiro, mais alto, mais forte e mais lindo que nunca. Vestido de branco (porque era o noivo), cantando e dançando mais enérgico que todos. Eu, claro, sabia que isso era efeito de uma certa erva.

Ao me ver abriu um largo sorriso e, tenho certeza, cantou a música pra mim. Só vou reproduzi-la pela especialidade da ocasião.

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo
Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro
O teu olhar, que incendiou
Meu coração.

Quando olhava pra mim, olhava mais feliz. Quando sorria pra mim, sorria mais bonito. E assim que a apresentação acabou foi pra mim que ele veio. “Ai que saudade de você, nêga.” Ele me chamava assim por eu ser bem branca. E dizendo isso me beijou. “Também senti saudade.” E uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Ele limpou delicadamente e disse: “Vamo sair daqui.” Quando ele me dizia “vamos” eu não perguntava “pra onde”, eu ia.

Fomos pra casa dele, a mãe estava na praça vendo a festa, não voltaria tão cedo. Ele colocou Janis Joplin pra tocar e enquanto embalados pelo Kozmic Blues trocamos carícias e afagos. Mas foi quando o mega som da praça sobrecarregou as linhas de energia e gerou um blecaute no resto da cidade que realmente nosso amor eclodiu.

Acendeu uma vela que iluminou timidamente o quarto e veio para os meus braços. Quando eu tava enroscada naquele corpo perdia a noção de tudo, noção de tempo, de espaço, perdia a noção de onde ele terminava e eu começava com minhas pernas entrelaçadas em seu quadril. Éramos uma massa suada e convulsiva, de beijos fortes e abraços apertados. Passamos um lindo e intenso fim de semana.

Com o resto eu até me divertia, mas era apenas passatempo. Prazeres momentâneos. Só com ele eu conseguia fazer amor de verdade.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Esqueceram de mim aos poucos

Quando me mudei minhas amigas choraram e disseram que iam sentir minha falta. Isso foi lindo na teoria, mas na prática foi bem diferente. No primeiro mês falávamos todo dia no telefone e eu ia pro interior todos os finais de semana. Mas no decorrer do tempo elas foram ficando ocupadas e arranjaram uma nova amiga da cidade do Mosca e do Popeye.

Num desses finais de semana eu estava ficando na casa de Tibby, era sábado de manhã e eu tinha programado, com ela, ficar o fim de semana inteiro. Ela me acordou e disse: “Ei, você tem outro canto pra ficar? Porque a Luíza apareceu e vai ficar aqui em casa.” Eu disse: “Oi Luíza, tudo bem?” me levantei e disse sarcástica: “Você espera eu escovar os dentes e trocar de roupa antes de soltar os cachorros, ou tenho que sair agora?” Não esperei a resposta. Fiz meu asseio, troquei minhas roupas e disse por fim: “Tibby, você pra mim morreu.” E nunca mais falei com ela. Dalí fui pra casa do meu tio, que ainda morava na cidade.

Voltei pra casa naquele mesmo dia. Em casa liguei pra Michele e fomos pra Beltane. A Lena me ligou perguntando o que tinha acontecido “Pergunta pra Luíza, ela vai ser mais sincera que a Tibby.”. A Tibby tinha uma estranha mania de achar que estava num pedestal, que ela era a razão do universo girar (complexo de filha do meio) e que tínhamos que perdoá-la porque ela era a coitadinha das histórias. Eu já tinha me cansado desse comportamento.

No dia do meu aniversário mandaram uma daquelas mensagens pelo telefone que gravam sua reação. A moça me perguntou: “Você não gostaria de dizer alguma coisa pra elas?” “Sim, claro, Lena: você é uma grande amiga e sinto muito que a gente esteja se afastando assim, de todas você foi a que eu sempre confiei mais, tenho muita saudade das nossas bagunças, um beijão. Te adoro. Tibby: Não ache que eu vou te perdoar por causa de um truque barato simplesmente pra você aliviar sua consciência pesada. Essa foi a última que eu agüentei de você e eu cansei. Vá pro inferno sua hipocritazinha de merda.”

Nem preciso dizer que ela não tentou mais. Quando a Carmen teve o neném me ligou pra ir conhecer. Era um lindo garotinho. “E o Marreco, deu notícia?” “Ele foi ao hospital me visitar e disse que ia assumir o filho direito, mas depois disso não o vi mais.” Isso fazia um mês. Mas a criança foi registrada direito.

Reencontrei a Lena e a Tibby várias vezes depois disso, mas só com a Lena eu falava. A Tibby tentava chamar minha atenção, mas eu simplesmente fingia que ela não estava ali. E pra mim, até hoje, ela não existe mais. As vezes encontro a Lena pelas baladas da cidade (ela mudou pra capital também pra estudar) mas faz a gentileza de não tocar no nome da outra.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Uma provinciana na corte

Com Michele e sua turma eu comecei a conhecer a cidade. Antes eu morava num interior onde todo mundo se conhecia pelo nome, agora estava numa capital, onde se tinha que pegar ônibus pra todo canto. Era uma significativa mudança de cenário.

Um desses lugares era um centro cultural que era rodeado de bares, restaurantes e boates. Mas tinha um problema, minha mãe às vezes só me deixava sair se meu irmão fosse junto, e ele nem sempre queria colaborar. Mas era só oferecer um cigarro de maconha ou dois que ele topava. Ah é, esqueci de dizer, descobri que ele começou a fumar bem antes de mim.

Esse centro cultural era o point da cidade. Todas as tribos, todos os gostos e todos os gêneros. Do playboy ao pirangueiro, do gay ao pit boy, rock, forró, reggae e eletrônico. Numa rua eram os barzinhos de MPB, atrás ficava a rua do reggae, no outro quarteirão era a cena underground, mais pra frente às boates gays e no centro de tudo as disputas entre forró, funk e pagode, pra saber quem tinha o som mais potente. Espalhadas estavam as boates “comuns”.

Eu gostava de rock e reggae (comecei a gostar de eletrônica nos meus 17), na sexta eu ia pro reggae (na Lion) e no sábado pros festivais de rock (na Beltane, no Casarão ou na Division Bell), onde às vezes a banda do Alex tocava. E quando não ia pra essa miscelânea a gente ficava curtindo na casa ou do Tales ou do Gil. Bebendo um vinho, fumando um e escutando rock.

Mas eu também saía com um pessoal do colégio. Não da minha sala, mas filhos ou sobrinhos de alguém que conhecia meu padrinho. Éramos apresentados por educação, mas sempre achávamos algo em comum pra fazer. Como por exemplo, quando tinha corrida no jóquei clube e nós bebíamos e fumávamos maconha atrás dos estábulos. Eu, vestida a rigor com chapéu e salto. Depois ficávamos rindo a toa das corridas.

Ou quando alguém fazia aniversário e sempre fazíamos uma festa própria sem supervisão dos adultos. Mas o melhor acontecia quando éramos convidados para eventos maçantes e disputávamos pra ver qual de nós fazia a melhor travessura da noite. Eu ganhei no dia que mandei a banda embora e fiz (por conseqüência) todos os convidados cantarem no karaokê e quando, no aniversário de 75 anos de um dos mais ilustres empresários da cidade, eu contratei três strippers, que fizeram o show ali, na frente de todo mundo.

Mas meus amigos também eram bons. Um, certa vez, colou todas as bolas espalhadas na mesa de bilhar de forma a parecer um jogo corrente. Outro colocou a marcha fúnebre pra tocar numa festa de batizado. E outro fez uma chamada anônima para a polícia dizendo que um defunto estava carregado de cocaína, a polícia foi averiguar e apalpou o morto. O defunto? Era tio dele.

Nosso lema era “Tudo por uma gargalhada” e só depois soube que era um treinamento para entrar numa sociedade secreta. (outra história). Eu preferia ficar com os meninos da classe A. Eram mais asseados e bonitos, metaleiros geralmente são feios e sujos. Claro que tem exceções. Fiquei com alguns limpinhos e gatos, mas eram uma raridade.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Musa

Um dia, do nada um homem entra na minha sala de aula e pede pra falar comigo. “Eu sou o treinador da equipe de vôlei, e soube (não sei como) que você é líbero. O que você acha de vir a um treino?” “Tudo bem.” “Terça e quinta às 16h.” Estávamos numa sexta.

Na outra terça fiquei depois da aula (que terminava às 15h) e fui treinar. Ate que enfim encontrei meninas mais altas que eu. Mas uma delas chamada Ana Maria era um pé no saco. A menina não tinha a menor vocação pra líbero e ficava querendo apagar meu jogo. Às vezes a bola vinha na minha mão, e ela chegava e atrapalhava tudo. Ela queria defender sempre que o outro time atacava. Sempre. Mas o problema é que além de ter medo da bola ela não caía pra defender (e isso é 70%).

“Ei, pode deixar que eu defendo, esse é meu trabalho.” Mas ela não desistiu, descobri depois que a minha fama de líbero “bad ass” tinha chegado aos ouvidos do time (juro que não sei como), e como ela era a ocupante da vaga sentiu-se ameaçada pela minha presença.

Até que, indignada, eu a empurrei pra poder defender mais um ataque. Ela caiu bolando e eu defendi. Ela levantou-se com lágrimas de crocodilo nos olhos dizendo que tinha machucado o braço (mentira deslavada). O técnico, que finalmente pôde me ver em ação, disse pra ela: “Sente ali um pedacinho.” E me deixou fazer o que eu sabia.

No primeiro jogo oficial que tivemos a diaba recortou todo o meu uniforme para que eu não pudesse jogar. Abri o armário e encontrei só os picotes. Mas por isso é bom ser líbero, seu uniforme deve ser diferente. Revirei o vestiário e achei uma camisa do futsal infantil. Ela ficou bem coladinha no meu corpo e se eu levantasse os braços mostrava minha barriga. Eu comecei a praticar esportes muito cedo e além da educação física da escola, do treino de vôlei feminino e da dança eu ainda treinava vôlei com os meninos, pra aprender a levar porrada. Ou seja, tinha o corpo sarado.

Mas o que Ana Maria não sabia era que sua ação desesperada de inveja só ia fazer a torcida (de marmanjos com tesão) me adorar mais. Uma bela jovem de corpo atlético, suada, num uniforme minúsculo. Era praticamente uma fantasia sexual. Foi só eu pisar na quadra e os gritos de gostosa começaram a ecoar. Eu desfilei até chegar junto da minha equipe, lá pisquei pra Ana Maria, mandei beijos pra arquibancada e me juntei ao time que ia entrar em jogo.

No fim do jogo os meninos vinham pedir meu telefone, me chamar pra sair (inclusive o menino que ela era afim). Mas eu educadamente recusava (exceto o menino que ela era afim). Nosso programa foi bem relax e descontraído, tomar uma vitamina na lanchonete e conversar. Mas foi meu jeito de dar o troco. Bruxa.

Depois desse episódio nosso time ganhou uma torcida cada vez mais fiel, e eu adotei o uniforme minúsculo. Até os professores vinham assistir ao jogo. Não só porque a líbero era muito gostosa, mas porque, além disso, reinava no fundo da quadra. Joguei na seleção por mais três anos.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Enquanto isso, no lustre do castelo...

Depois que nos mudamos fomos morar num apartamento em um bairro relativamente bom. Na rua de trás era a entrada pra outro bairro, e logo fiz amizade com um pessoal de lá. Estava voltando do colégio (por volta das 16h) e parei numa praça que tinha perto de casa pra fumar um cigarro. Ninguém na minha família sabia que eu fumava então só fumava na rua.

Sentada no banco, enquanto comia um chocolate, vi de longe uma menina passar com um skate na mão. Calças folgadas, correntes e um andar de estilo. Ela veio na minha direção, daí chegou e pediu meu cigarro pra acender o dela. Já perguntei o nome (Michele), disse o meu e ofereci o banco pra ela sentar. Começamos a conversar, eu disse que tinha acabado de me mudar, ela começou a falar das redondezas e me chamou pra ir andar de skate em outra praça.

Eu fui. Um pouco mais tarde chegaram mais quatro pessoas, o Tales, a Juliana, o Preto e o Gil. Ela me apresentou e comecei a andar com esse pessoal dali em diante. Ser ainda estudante ajuda na hora de fugir de eventos sociais sem graça. “Desculpa, mas tenho que estudar pra uma prova” ou “Ah, tenho um trabalho pra entregar e tinha esquecido completamente.”

Andar com o pessoal do bairro era mais a minha cara. Era a minha linguagem, a minha praia. Nos encontrávamos ali na praça, ou na casa de alguém. Eu sempre ia direto da escola, porque depois que chegava em casa minha mãe não queria deixar eu sair, e é bem mais difícil sair por uma janela do quinto andar.

Estávamos no meio de maio quando fumei maconha pela primeira vez. Depois que o pessoal chegou mais dois carinhas chegaram, dois irmãos, lindos. Chamou a gente pra casa deles. Eu previa que eles iam fumar. Quando chegamos tomei logo um susto, um enorme pit bull latia do quintal. “Calma princesa, o Derek é mansinho.”

Sentamos no quintal e eles acenderam. O cheiro e a maneira de fumar não eram novidade pra mim, sempre via gente fumando, então sabia imitar expressões e trejeitos. Quando começaram a passar na roda simplesmente aceitei. Não por que me preocupei com o que iam achar, simplesmente deu vontade. Tossi um bocado, mas sabia que isso era bem normal. Mas no final das contas não senti nada.

Depois desse dia comecei a fumar com certa regularidade. Não era todo dia, nem sempre que o pessoal fumava, mas uma ou duas vezes por semana. Em shows de rock, ou na praia. E foi na praia que fiquei com o Tales pela primeira vez. Eu tinha ouvido que ele era o “pegador” do bairro. Não podia ver uma cara nova que dava em cima. Mas posso dizer a verdade? Ele era sim muito charmoso e simpático. A Michele, quando percebeu nossos olhares disse: “Cuidado, ele só quer te usar.” “E quem disse que eu quero que ele faça mais do que isso?”

Começamos ficando uma vez aqui, outra ali. Só beijos e amassos comportados. Mas um dia minhas últimas aulas (depois do almoço) foram canceladas. Liguei pra ele. Ele veio me buscar no colégio, dirigia um Passat Village 86. Fomos pra praia. Fumamos um e começamos a nos agarrar dentro do carro. Fomos pro banco de trás e novamente estar de saia ajudou. Não foi nem de longe um dos melhores. Ainda tentamos mais algumas vezes, mas ele era muito seco, sem pegada. E uma pegada bem dada vale mais que um gemido no ouvido.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Tão clichê

Hoje pode até ser, mas na época seria um escândalo, talvez não na classe universitária, onde as meninas são maiores de idade. Mas no ensino médio era tabu. De todos os meus professores, o mais “bad boy” era com certeza o Alex. Era o único que tinha moto (os outros tinham carros enfadonhos), que usava brinco, tinha tatuagem e tocava numa banda de rock. E foi assim que nossa história começou.

Ele era professor de literatura brasileira (ele que passou o livro Lucíola pra gente ler), e sempre contava as histórias como se estivesse lá, na hora. Era extremamente simpático e adorável, e tinha sempre um séquito de fãs loucas atrás dele. Mas eu o ganhei quando, na aula, ele perguntou qual era, pra gente, a melhor música pra se fazer amor. Depois que várias pessoas disseram as suas ele virou pra mim e disse: “E pra você, qual é a melhor?” “Since I've been loving you, do Led Zeppelin.” Ele sorriu, depois piscou pra mim.

No final da aula me chamou. “Eu tenho uma banda de rock, vou fazer um show hoje, queria que você fosse me assistir.” “Onde vai ser?” “Na Beltane, ah tem que ser maior pra entrar.” Disse desconcertado. Eu peguei o panfleto da mão dele e disse: “Não se preocupa, eu dou um jeito” e pisquei pra ele.

Fui a uma papelaria tirar umas cópias pra um trabalho, aproveitei e pedi pra tirarem duas da minha identidade. Em casa cortei de uma o número 2, colei sobre o ano que nasci e fui tirar outra xérox. Depois passei num cartório pra autenticar (blusa decotada e saia curta ajudam nessas horas) e pronto, uma cópia autenticada que me dava 18 anos.

Ele ficou surpreso e alegre ao me ver entrar, veio falar comigo. “Não achei que você viesse, como conseguiu entrar?” disse em seu ouvido: “Uma dama nunca revela seus segredos.” Ele riu, me apresentou pros amigos sem dizer que eu era aluna, depois perguntou se eu queria uma coca. “Quero, uma com rum e limão dentro.”

Enquanto tocava (guitarra) ele não tirava os olhos de mim, depois do show ficamos no bar conversando, a turma me contando historias embaraçosas dele bêbado. “Vocês vão passar a imagem errada pra ela.” “Não tem problema, eu nunca acredito em 100% do que eu ouço.” Disse acariciando seus cabelos. Ele colocou o copo na mesa e me puxou. Fomos para a pista de dança, ele colocou as mãos na mina cintura e depois me abraçou forte. Me beijou. Caras mais velhos realmente sabem beijar, e deixar a gente com as pernas bambas.
Ele foi me deixar em casa, me beijou de novo quando chagamos. Eu disse: “Nós temos um segredo.” Devolvendo a jaqueta que ele me deu por causa do frio. Ele sorriu e antes de botar o capacete disse: “E que segredo.” E saiu.

Na sala nos tratávamos normal, professor e aluna, mas a primeira vez que fizemos sexo foi no colégio. Eu tinha saído da sala pra entregar um livro na biblioteca, passei em frente à sala dos professores, quando voltei ele tava na porta. “Não paro de pensar em você.” E me puxou pra dentro. “Tá louco, alguém pode ver a gente.” “Tá todo mundo dando aula, ninguém volta aqui em pelo menos 40mim.”

Ele me sentou na mesa e foi arrancando minha calcinha. Tinha uma pegada forte e decidida e me beijava como se sua vida dependesse disso. Fizemos ali mesmo, na mesa, e eu fiquei sem calcinha pelo resto do dia, ele a roubou e não queria mais devolver. Foi a única vez que quebramos a regra. Sempre ficávamos juntos depois da aula ou de algum show dele. Três ou quatro vezes por mês. No outro ano ele foi pra Alemanha fazer pós-graduação.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Era sim um besteirol americano

Primeiro tive que fazer uma prova. E sem a Tibby lá foi difícil fazer as questões de matemática. Segundo que tive que usar um uniforme que era calorento. Sabe aqueles uniformes de escola particular americana? Numa cidade que marca 32 graus na sombra é exagero. Mas ninguém se importava porque todo mundo tinha carro com motorista. Eu era a única que pegava ônibus.

Minha nova escola tinha todas as frescuras que colégio americano tem. Com alguns ajustes. O menino mais bonito da escola (intocável) era sim o capitão do time de futebol, a namorada dele (a menina mais popular) não era líder de torcida, mas era uma super modelo da cidade. Todos os meus colegas de sala eram filhos de grandes empresários e socialites. Eu era uma reles filha de veterinário e funcionária pública. Mas tinha um padrinho rico. Então era aceita na alta sociedade.

Todo começo é um pouco difícil, mas é mais difícil quando se está só, numa cidade que você não conhece e com todas as suas amigas morando a 90 km de distância. Mas eu tive treinamento como “bad ass” não ia ser agora que eu ia amolecer. Eu estava acostumada a pular minha janela de madrugada pra ir a festas, a beber e namorar carinhas mais velhos, a matar aula pra ir à praia e criar novas artimanhas pra colar nas provas. Eu era uma “bad ass”.

No meu primeiro dia de aula uma retardada resolveu que seria uma ótima humilhação pra mim se ela jogasse chiclete no meu cabelo, não só o chiclete saiu facilmente como eu a fiz engolir ele depois. Dias depois colocaram tinta de caneta no corrimão, eu fiquei com a mão azul. No outro os bonitinhos que fizeram isso tavam com as bundas pregadas nas carteiras. Depois de mais alguns trotes mal elaborados e dos meus executados com certa finess, eles decidiram me deixar em paz.

Por me entender melhor com gente mais velha ganhei logo respeito dos professores, com um deles tive até um affaire. A gente meio que se encontrava (na casa dele) quando dava vontade. Eu tinha professores até bem gatos, mas todos com certa reputação pra manter, não iam se meter com alunas (só mesmo o “bad ass” do Alex pra fazer isso).

Meu colégio era composto por dois prédios anexos, eles tinham escadas e corredores de acesso de um para o outro. O menino mais bonito (que pra mim era extremamente sem sal) tinha um batalhão de guarda costas composto por suas colegas de sala e as amigas da namorada, elas impediam que qualquer pessoa não autorizada chegasse ou passasse perto dele, e ele ficava no prédio 2 na hora do intervalo. Como o acesso por esse prédio ficava “interditado” todo mundo ia pelo prédio 1, que ficava completamente congestionado.

Depois de descobrir que alguns alunos especiais (mais ricos) tinham uma cantina privativa e que eu estava, sem saber, exatamente nela, resolvi dar uma passada na biblioteca. Que ficava? No prédio 2. Entrar pelo prédio 1 naquela hora iria demorar o triplo do tempo. Então fui para o prédio 2. Assim que comecei a subir as escadas, as guarda costas se puseram como uma parede. Fingindo-me de mongol continuei ate que cheguei a um degrau delas. “Você tá perdida?” “Que gentileza sua perguntar, mas não estou perdida, obrigada” e fui tentar passar, outra falou: “Ninguém pode passar enquanto o Willian tiver por aqui.” Eu fiz minha melhor cara de “bad ass” subi o degrau (ficando mais alta que elas) e disse colando minha cara na dela: “Você e que exército vão me impedir?” Não as culpo por terem afastado.

Outra vez, enquanto ainda morava no interior e ficava 2h num ônibus, fui com um tênis azul, em vez de preto como era pra ser (aliás, eu era a única no colégio que usava all star, tinha verde, azul, vermelho, preto e a bota). Assim que me viu o coordenador me chamou. “Porque você veio com o tênis azul?” “Porque meu preto tá molhado da chuva.” “Vou ter que mandar você pra casa.” “Por quê?” Me indignei. “Porque duvido muito que você só tenha um tênis preto e porque ontem não choveu.” disse o seguinte sem alteração de voz ou afetação: “Aqui não choveu, mas na minha cidade sim, a cidade que eu moro a 90 km daqui e de onde todo dia eu pego um ônibus as 5h pra chegar aqui as sete. Se quiser me mandar embora por causa de um tênis saiba que o senhor vai me fazer passar 4h na estrada pra nada. Então vamos ser razoáveis? Me deixe assistir aula?” Depois dessa ele só pode ser razoável.

Outros que eram bem razoáveis comigo eram os funcionários, acostumados com adolescentes esnobes e fúteis, baixavam a guarda comigo. Com um dos zeladores eu sempre dividia um cigarro depois do almoço. E a atendente do refeitório começou a me dar o melhor bife e o maior pedaço de bolo depois que eu joguei suco de uva num garoto que foi rude com ela (só porque ela era negra). Um dos seguranças sempre que eu chegava dizia: “Bom dia, linda” ao que eu respondia: “Bom dia, gostoso.” O que ele era mesmo (e nós tivemos um affaire depois que eu saí da escola). E eu nunca deixei de dizer “bom dia, obrigada e por favor” a cada um deles.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

De como eu entrei na alta sociedade

Depois que meu pai morreu foi que soube que o fazendeiro era meu padrinho. E que os dois tinham feito investimentos no meu nome sem eu saber. Eu tinha ações na bolsa de valores e era dona de alguns cavalos de corrida. Quinze dias depois da morte do meu pai o fazendeiro veio ate nossa casa nos contar. Eu era rica e não sabia. O fazendeiro fez um cálculo, o que eu tinha mais o que isso rendia por ano me davam um total de 5000 reais por mês, que ele iria me pagar em forma de pensão até que eu completasse dezoito anos.

Uma única exigência foi feita pelo meu pai, que eu tivesse a melhor educação possível, e isso significava que eu ia estudar num colégio da alta sociedade da capital. O fazendeiro era da alta sociedade, era membro do jóquei clube e tinha jantares com grande empresários do estado. Descobrimos que a D. Zilda (namorada do vô) era também alguém importante da alta sociedade. Prima do dono de um dos maiores jornais do estado. Ela foi a minha mentora.

Ela que me ensinou as primeiras frases em francês (o inglês eu já fazia curso), que me ensinou sobre arte, sobre literatura, sobre a maneira mais apropriada de se vestir e vários outros códigos sociais, me ensinou como comer com todos os garfos e facas, como falar educadamente e o modo mais adequado de aceitar ou recusar qualquer coisa. Eu tive aulas com ela ate meus 16 anos, quando ela morreu.

Ela era bem descriminada por estar com o vô. As pessoas queriam que ela passasse a vida de luto e só, porque o marido dela havia morrido há sete anos. Mas D. Zilda era uma “bad ass”, e nós fazemos o que nos deixa felizes. Ela era muito feliz com o vô. Só posso dizer que não poderia haver professora melhor que ela.

Eu então me transformei em duas. A menina da sociedade, bem comportada, sempre educada e polida. E a outra era a ninfeta que namorava homens mais velhos, escutava rock, bebia e fumava. Uma era clássica e distinta a outra era polêmica e rebelde.

Quando completei 15 anos tive que participar de um grande baile de debutantes, e era mais que aniversário (o meu tinha passado há alguns dias), era o passaporte pra ser aceita. Era nesse baile que éramos apresentadas à sociedade. A gente descia uma grande escada (vestida de bolo) acompanhada pelo pai (no meu caso o vô) e lá em baixo dançava uma valsa. Depois os cadetes entravam (pras que não tinham namorado ou ator famoso) e a gente dançava outra valsa, só que dessa vez eles diziam nosso nome num microfone e a gente dançava de uma por uma.

A festa em si era um porre, mas a comida era deliciosa e os garçons amigáveis, eles passavam, sem que ninguém percebesse, bebida pra gente. Uma menina da minha sala chamada Sheyla debutou também nesse dia, era o baile de verão, tinham quatro no ano, o de primavera já tinha passado.

Depois do baile o meu cadete disse que as debutantes e os pares tavam se juntando pra ir a uma festa particular, perguntou se eu não queria ir. “Sempre.” Pegamos carona no carro da Sheyla e do cadete dela. Quando chegamos à pequena mansão na praia de uma delas descobri que eu não era a única que bebia e fumava. Música eletrônica, um bar aberto e banho de roupa intima na piscina, todas as meninas ali sabiam festejar.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quase uma miss

No mês de novembro, exatamente na semana que precedia o baile de formatura meu colégio tinha uma espécie de semana cultural. Jogos, feira de ciência e a escolha, no último dia, da garota e do garoto MAX (assim era conhecida a semana, Semana MAX). Era como se fosse o rei e a rainha do baile.

Minha equipe, Coribantes, era composta pela 8º série manhã, 2º ano tarde e 3º ano noite. A MAX era uma espécie de mini olimpíadas, onde disputávamos vôlei, basquete, futsal, xadrez, dama, sinuca, natação, atletismo, salto em altura etc.

Nos dois dias que antecediam a festa acontecia a feira de ciências, que valia nota de prova. Assim se alguém tivesse em recuperação aproveitava e fazia um trabalho na feira, podia passar por média ali mesmo. Mas o momento mais esperado era o desfile da Garota e do Garoto MAX. As meninas passavam a semana se emperiquitando pra esse desfile, os meninos não tavam nem aí.

Como eu sempre usava roupas bem folgadas ninguém sabia realmente como era meu corpo, só na hora de tirar a roupa pra prova de natação que realmente notaram minha silhueta. Quando a equipe se juntou pra decidir quem seriam os concorrentes do desfile (que valia medalha também) os dedos começaram a apontar pra mim: Uma roqueira, skatista, que às vezes ia pra escola sem nem pentear o cabelo e usava as calças do tio. Em minha defesa: meu cabelo era liso como macarrão escorrido.

O Roberth, que era do 2º tarde, foi um dos escolhidos das meninas, então resolveram fazer um mini desfile, pros meninos da equipe escolherem as representantes da equipe, porque todas as barangas queriam participar, tendo apenas três vagas. Eu me recusei na hora “Não quero participar de desfile nenhum, que droga.” Mas o povo não se deixou abater. “Você tem que fazer isso pela equipe.” Como atleta eu sabia o que significava fazer sacrifícios pela equipe.

Então eu fui, de vestido de miss, desfilar pra equipe. Fiz cabelo, maquiagem e usei salto alto. Os casais foram decididos pela altura, como eu era a menina mais alta tive que ficar com o cara mais alto. O Roberth ficou com uma menina inexpressiva e sem sal. Depois da primeira rodada vinha o traje de banho. Mas, enquanto nos preparávamos pra entrar, vi quando o Roberth beijou a dita cuja sem graça.

Momentos antes do último desfile teve a última contagem de medalhas (pra somar as da feira de ciências), nossa equipe ganhava por apenas duas, de modo que, se a outra equipe (Megapteras) ganhasse nos dois desfiles, entraríamos num empate. Mas a nossa equipe ganhou os dois ouros e as duas pratas, masculino e feminino. O Roberth ganhou ouro, eu ganhei prata (o salto me fazia andar feito uma pata, só dominei isso depois).

Quase no fim da festa (eu já com o salto na mão) reencontrei o Roberth, “Você devia ter ganhado o ouro, tava mais bonita.” “Então porque você tava beijando aquela entojada?” “Ela pediu um beijo, eu dei.” “Cafajeste.” Ele foi me acompanhando até em casa. No meio do caminho, do nada, disse: “Você devia ter desfilado de tênis” e deu uma gargalhada. Eu ri também. Em casa troquei de roupa e fomos pra festa da vitória. Ficamos a noite juntos mais uma vez.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A primeira vez... Dói pra caramba

Apesar dos beijos apaixonados e do fato de quase sempre ficarmos quando nos víamos eu e o Roberth não nos considerávamos namorados. Era uma relação aberta e hormonal. A gente ficava quando dava vontade, mas quando um tinha vontade de ficar com outra pessoa não tinha problema. Ele até ficou com a Lena numa festa.

Um dia escutei um gato insistente na minha janela, fui olhar e advinha quem era, o Roberth, abri a janela e ele entrou. “Tava com saudade, faz dias que não te vejo.” “E to treinando muito e tendo ensaio pro recital do fim do ano.” Ele me beijou. Ficava completamente perdida quando ele me beijava, ele tinha uma força sobre mim que eu não conseguia lutar contra. Ficava impulsiva e instintiva.

Vagarosamente ele foi me levando pra cama, só percebi quando cheguei lá. Tirou a camisa e a blusa do meu baby-doll. Nos deitamos, ele tirou meu short e minha calcinha, foi beijando meus seios e descendo suavemente pra minha barriga. Apesar de ter as mãos grandes ele abriu minhas pernas delicadamente, voltou a beijar minhas coxas ate que me fez sentir como nunca havia me sentido antes, uma perda total de raciocínio. Era uma mistura de quente e frio, dor e prazer. Eu arfava, meu corpo se contraía sem me obedecer, a mão forte subiu pelo meu ventre ate meu seio e minha garganta começou a fazer grunhidos irreconhecíveis pra mim.

Experimentei o que é insanidade, toquei no céu límpido e estrelado, enquanto um calafrio fervente e elétrico percorreu minha coluna, estava molhada se suor, mas meu corpo estava frio, por fim com um gemido vibrante caí sem forças na cama. Ele voltou, deitou-se ao meu lado, suado também. Me beijou a fronte. Eu fechei os olhos e dormi. Quando acordei no meio da noite ele já tinha ido.

Na vez seguinte em que nossas carícias foram mais intensas eu retribuí o carinho. Foi a minha vez de fazê-lo passear fora do corpo e perder os sentidos. Estávamos na casa do Conrado preparando uma festa, o dono da casa saiu deixando nós dois sós por alguns minutos. Aproveitamos pra dar uns amassos. Estávamos na cozinha, eu sentada na pia, ele em pé na minha frente. Notei, quando os beijos ficaram mais ardentes, algo intumescido entre as minhas pernas. Aproveitei a chance. Me ajoelhei ali mesmo, abri seu cinto e me surpreendi com o que vi. Grandioso. É a única palavra que vem à cabeça. Pelo tamanho, pela beleza e pela potência. Você não quer realmente que eu descreva o que eu fiz, quer? Só direi que ele teve que se apoiar na pia pra não cair, e que gemeu tão alto quanto eu. Satisfeito?

Depois de um mês nessas novas brincadeiras resolvemos ir ate o fim. O gato miou do lado de fora, eu abri a janela e ele entrou mais lindo que nunca. Tinha vindo de uma festa então estava bem arrumado. Não tinha bebido e ainda tava cheiroso. Começamos a nos beijar assim que ele entrou, sem dizer nada. Já fomos nos deitando e tirando a roupa. Ele ficou por cima de mim, colocou a camisinha e perguntou: “Você tem certeza?” “Nunca tive dúvida”.

Que negócio pra doer! Não sei se pela enormidade da coisa, ou se dói com todo mundo. Sempre que eu dizia um ai ele tirava, tentando colocar mais devagar da próxima vez. Sempre me beijando e perguntando “Tá doendo?”. Depois que ele conseguiu colocar todo (ainda não sei como) começou a ficar bom. Não era ainda uma maravilha, mas era gostoso. E com ele gemendo no meu ouvido então. Ah, o gemido era de matar.

Dormimos abraçados e acordamos com minha mãe batendo na porta. Ele se jogou no chão milésimos antes dela abrir a porta. “Vai se atrasar pro treino.” “To indo” ela fechou a porta e saiu. Depois disso começamos a rir. Ele entrou pela minha janela pelo menos duas vezes na semana, até que eu me mudei. Mas nunca contei isso pra ninguém, nem pras minhas amigas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tudo ao mesmo tempo agora

O mês antes das férias foi de longe o que mais teve acontecimentos. Primeiro descobri que íamos nos mudar. Meu irmão ganhou uma bolsa pra estudar numa escola da capital e claro não íamos deixar que perdesse essa grande oportunidade. Meu time de vôlei chegou até a final do campeonato intermunicipal, eu tive minha primeira vez, minha amiga perdeu a virgindade e engravidou no mesmo mês e meu vô arranjou uma namorada, que era super legal.

Chego em casa depois da aula e minha mãe tá em casa (o que já é estranho), mas ela tá pulando de alegria, e com um papel na mão. Vendo da cozinha ela parece uma doida, mas aí ela começa a chorar e vejo que ela voltou ao normal. Vem a família toda pra cozinha. “Ai to tão orgulhosa de você, meu filho. Seu pai ia ficar tão feliz.” (golpe baixo) “O que aconteceu? Ele descobriu a cura da AIDS?” “Não ganhou uma bolsa de estudos.” “Tem certeza?” Assim, meu irmão não era nenhum gênio. Era repetente. “Bolsa pra atleta.” “Que bom.” “A gente vai se mudar pra capital, próximo ano você entra no médio também, precisa de uma escola melhor, tá decidido.” Saí dali e fui gritar no travesseiro.

Depois de 12 jogos, nenhuma derrota, eu já estava nomeada pra ganhar a medalha de melhor líbero do campeonato, mas só meu vô foi ver meus jogos. E o Roberth. Não demorou muito para termos nossa primeira transa. (mas essa é importante demais, vai ter post próprio). O jogo da final foi super. O ginásio da minha cidade tava lotado, o outro time era de uma cidade vizinha. O jogo foi ate o quinto set, parecia Brasil e Cuba, ponto aqui, ponto lá. Era quase impossível abrir dois pontos de vantagem. Mas graças a uma “bad ass” líbero como eu nós ganhamos. E ganhei a medalha de melhor líbero do campeonato. Quando vieram me perguntar qual meu segredo eu disse: Saber cair, não ter medo da bola e treinar com os homens.

Lembra do Marreco? Pois é, ele e a Carmen resolveram “levar as coisas para outro nível”, e ficaram levando quase toda noite, mas esqueceram do balão. O que aconteceu? Minha amiga com 16 anos recém completados ficou grávida. E o Marreco? Não agüentou o foguete e se mandou, e a pobre teve que agüentar a barra só. Nem contar pra família dela ele foi. Disse que não era dele. Que ela deve ter se confundido. Levou uma surra do irmão dela e resolveu reconhecer a criança, mas não casaram.

E a última foi meu vô chegando em casa com uma distinta senhora e dizendo: essa é Zilda, eu a estou cortejando. Cri cri cri na sala. Como assim? Vovô tem uma namorada? Mas ela era bem legal, sempre bem educada e simpática e cozinhava que era uma maravilha. Minha vó também cozinhava, mas era mais feijoada, panelada, cozido. A Zilda cozinhava peixe ao molho de camarão, codornas no vapor e cheesecake. Foi com ela que tive minhas primeiras aulas de etiqueta, como comer com trinta talheres e dez copos diferentes, como recusar educadamente um convite, como fazer sala. Era uma dama, ela me lembra a rainha de Genóvia, bem clássica.

Ah, esqueci de dizer que tivemos uma morte na família, meu peixinho Alcebíades, voltei um dia pra casa e encontrei ele de barriga pra cima, acho que se matou por causa da mudança.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Seven Minutes in Heaven

Depois do episódio do Pero Vaz eu e o Roberth ficamos mais próximos. Na noite seguinte era aniversário dele e eu quase não ia, cheguei bem atrasada. Minha mãe tava recebendo em casa, de visita, uma amiga de infância, mas a mulher não ia dormir de jeito nenhum. Só consegui sair por volta de uma da manhã, quando elas resolveram parar de recordar o passado na cozinha (que era ao lado do meu quarto).

Quando cheguei na festa fui recebida pelo mais lindo sorriso que o Roberth já deu. “Pensei que não vinha mais” “Tive que esperar minha mãe dormir.” É claro que já tinha gente bêbada no local, mas a maioria ainda tava de pé. Encontrei minhas amigas e notei que o Roberth olhava pra mim de um jeito diferente. “ele sempre te olhou assim, você que nunca notou.” Disse Tibby. “É verdade, por isso nenhuma de nós nunca quis ficar com ele, todo mundo sabe que ele é louco por ti.” Falou Carmen

Só pra esclarecer, todas nós já tínhamos ficado com alguém da turma, eu tinha ficado com três, os gêmeos Pedro H. e Pedro L e o Marreco. As outras tinham ficado com um ou dois. Nessa noite a Carmen tava com o Marreco, a Lena com o Mosca e a Tibby com o Popeye. Mas essa do Roberth era novidade, realmente ele nunca tinha ficado com nenhuma de nós, e quando ficava com outra menina era sempre muito discreto.

Daí alguém bêbado teve a idéia de brincar de “seven minutes in heaven”. O aniversariante teve o direito de escolher com quem ele iria, e ele me escolheu. Eu ainda tava meio em choque em saber que ele era afim de mim, mas já tinha bebido o suficiente para não estar preocupada com isso.

O lugar escolhido foi o quarto dele (porque a casa dele não tinha closet) e assim que entramos ele trancou a porta na chave (pra ninguém de fora abrir) e colocou um pano na maçaneta (pra ninguém espiar pelo buraco da fechadura). Dava pra notar que ele tava meio nervoso.

Primeiro ele colocou meu cabelo atrás da orelha e disse: “Não vou fazer nada que você não queira, tá?” “Você eu deixo fazer o que quiser”. E ele me beijou. Um beijo forte, sugado, gostoso. Ele vagarosamente desabotoou a blusa e mostrou o corpo sarado, eu tirei minha blusa. Nos sentamos na cama e ele passou a mão por baixo da minha saia. Bem devagar, subindo na minha coxa. Com a outra abriu meu sutiã.

Deitamos e ele deslizou a mão pra dentro da minha calcinha. Eu comecei a ficar ofegante, mas ele não abriu a calça. Depois começou a beijar meus seios, e enquanto brincava com a mão colocou o ouvido mais perto da minha boca, pra ouvir meu gemido. Fiquei mais ofegante e comecei a perder a noção do que acontecia. Eu comecei a gemer cada vez mais alto, com meu corpo se contorcendo, gemi quase como um grito e ele me beijou pra abafar o som. O mordi sem querer. Ele só sorriu. Lindo como só ele sabia.

Alguém bateu na porta, nossos sete minutos de paraíso haviam acabado.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

De como me apaixonei pelo meu melhor amigo

De todos os meninos com quem eu andava o Roberth era o que eu considerava o melhor amigo. Ele sempre era carinhoso com as meninas e nunca dizia que a gente não podia fazer algo porque éramos meninas. Era também lindo. Moreno, gostoso e tocava violão. Era o único que conhecia meu pai, e o único que foi no enterro dele.

Os meninos da minha turma (Roberth, Pedro H., Pedro L., André, Conrado e Marreco) começaram a se interessar por skate. Eu fui a única que entrei também de cara, mas depois que quebrei o braço meu pai me fez desistir de tentar manobras. “Assim você nem joga nem dança.” Tinha que concordar. Deixei de jogar uma final importante por causa disso. Mas andava em cima e gostava de ver os meninos tentando subir em coisas estranhas. Logo eles tavam participando de campeonatos nas cidades da redondeza, e nós garotas íamos junto torcer por eles.

Havia uma cidade a uns 40 km que era meio que o foco da cena underground. Lá as meninas se vestiam com roupas folgadas e eu era só mais uma na multidão. Começamos uma amizade com alguns rapazes (gatos) de lá. Lembro que todos tinham apelido. Popeye, Mosca, Bateria, Toca-fita, Pero Vaz e Sr. Miyagi (esse um japonês). E eles tinham entre 19 e 22 anos. Nessa época eu já tinha esquecido o “bad boy”.

Claro que cada uma se apaixonou por um. Eu pelo Pero Vaz (o único que não tinha cara de menino véi), A Lena pelo Mosca, a Carmen pelo Bateria e a Tibby pelo Popeye. Os únicos que deram certo foram A Lena e o Mosca e a Tibby e o Popeye. Eu e a Carmen só ficamos com eles uma vez. A Carmen quis ficar com outro e eu dei um soco na cara do meu.

Estávamos todos na casa do Popeye, bebendo e fumando (eles maconha), e o Pero Vaz me chamou pro quarto. Eu fui, achei que ia ser só uma curtição na boa. Nós começamos a nos agarrar, na cama, e ele tirou minha blusa e a dele, mais beijos e mãos bobas e ele quis tirar meu sutiã, não deixei. “Qual é gata, não tá afim?” “Não.” “Você é virgem?” “Sou.” “Eu prometo ser carinhoso” “Não quero” E essa última frase ele falou sério: “Ah, gata, agora é tarde, ajoelhou então vai ter que rezar”... Soco.

Sério? O cara achou que eu ia perder a virgindade com ele? Um cara que nem conheço? E ali? No meio de bêbados e maconheiros. Nem pensar.

Eu depressa vesti minha blusa e fui abrir a porta pra sair. Abri um pouco, mas ele empurrou fechando de novo. Quem tava fora percebeu que algo tava errado. “Você tá doida?” “Deixa eu sair!” “Mina pirada, vou te dar umas porradas também.” Lá de fora começaram a bater na porta pedindo pra ele abrir, mas ele trancou na chave e com um tabefe me jogou na cama. Eu comecei a jogar tudo que eu achava nele, livro, lista telefônica, sapato...

O Roberth arrombou a porta no chute e deu mais um soco no Pero Vaz. Eu corri pra perto dos meus amigos. E o Roberth me tirou dali. Saímos todos da casa e lá fora eu contei o que aconteceu, que ele queria que eu fizesse sexo com ele sem eu querer. O Roberth quis voltar pra dar mais uns tabefes, mas chorando e segurando a mão dele eu pedi que não. Dalí fomos pegar o ônibus de volta pra casa, ficamos em silencio toda a viagem, ele só largou minha mão quando chegamos na minha casa, fomos até meu quarto.

“Você tá bem?” só afirmei com a cabeça. Ele me abraçou e notei que ele tava mais alto que eu. “Nossa, você cresceu, você era mais baixo.” “Coisa boa de ser homem, a gente cresce depois dos 15.” E quase saindo pela porta ele disse: “Amanhã é meu aniversário de 16, a gente vai pra praia, cê vai né?” “Com certeza.”