Um dia, do nada um homem entra na minha sala de aula e pede pra falar comigo. “Eu sou o treinador da equipe de vôlei, e soube (não sei como) que você é líbero. O que você acha de vir a um treino?” “Tudo bem.” “Terça e quinta às 16h.” Estávamos numa sexta.
Na outra terça fiquei depois da aula (que terminava às 15h) e fui treinar. Ate que enfim encontrei meninas mais altas que eu. Mas uma delas chamada Ana Maria era um pé no saco. A menina não tinha a menor vocação pra líbero e ficava querendo apagar meu jogo. Às vezes a bola vinha na minha mão, e ela chegava e atrapalhava tudo. Ela queria defender sempre que o outro time atacava. Sempre. Mas o problema é que além de ter medo da bola ela não caía pra defender (e isso é 70%).
“Ei, pode deixar que eu defendo, esse é meu trabalho.” Mas ela não desistiu, descobri depois que a minha fama de líbero “bad ass” tinha chegado aos ouvidos do time (juro que não sei como), e como ela era a ocupante da vaga sentiu-se ameaçada pela minha presença.
Até que, indignada, eu a empurrei pra poder defender mais um ataque. Ela caiu bolando e eu defendi. Ela levantou-se com lágrimas de crocodilo nos olhos dizendo que tinha machucado o braço (mentira deslavada). O técnico, que finalmente pôde me ver em ação, disse pra ela: “Sente ali um pedacinho.” E me deixou fazer o que eu sabia.
No primeiro jogo oficial que tivemos a diaba recortou todo o meu uniforme para que eu não pudesse jogar. Abri o armário e encontrei só os picotes. Mas por isso é bom ser líbero, seu uniforme deve ser diferente. Revirei o vestiário e achei uma camisa do futsal infantil. Ela ficou bem coladinha no meu corpo e se eu levantasse os braços mostrava minha barriga. Eu comecei a praticar esportes muito cedo e além da educação física da escola, do treino de vôlei feminino e da dança eu ainda treinava vôlei com os meninos, pra aprender a levar porrada. Ou seja, tinha o corpo sarado.
Mas o que Ana Maria não sabia era que sua ação desesperada de inveja só ia fazer a torcida (de marmanjos com tesão) me adorar mais. Uma bela jovem de corpo atlético, suada, num uniforme minúsculo. Era praticamente uma fantasia sexual. Foi só eu pisar na quadra e os gritos de gostosa começaram a ecoar. Eu desfilei até chegar junto da minha equipe, lá pisquei pra Ana Maria, mandei beijos pra arquibancada e me juntei ao time que ia entrar em jogo.
No fim do jogo os meninos vinham pedir meu telefone, me chamar pra sair (inclusive o menino que ela era afim). Mas eu educadamente recusava (exceto o menino que ela era afim). Nosso programa foi bem relax e descontraído, tomar uma vitamina na lanchonete e conversar. Mas foi meu jeito de dar o troco. Bruxa.
Depois desse episódio nosso time ganhou uma torcida cada vez mais fiel, e eu adotei o uniforme minúsculo. Até os professores vinham assistir ao jogo. Não só porque a líbero era muito gostosa, mas porque, além disso, reinava no fundo da quadra. Joguei na seleção por mais três anos.
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