O mês antes das férias foi de longe o que mais teve acontecimentos. Primeiro descobri que íamos nos mudar. Meu irmão ganhou uma bolsa pra estudar numa escola da capital e claro não íamos deixar que perdesse essa grande oportunidade. Meu time de vôlei chegou até a final do campeonato intermunicipal, eu tive minha primeira vez, minha amiga perdeu a virgindade e engravidou no mesmo mês e meu vô arranjou uma namorada, que era super legal.
Chego em casa depois da aula e minha mãe tá em casa (o que já é estranho), mas ela tá pulando de alegria, e com um papel na mão. Vendo da cozinha ela parece uma doida, mas aí ela começa a chorar e vejo que ela voltou ao normal. Vem a família toda pra cozinha. “Ai to tão orgulhosa de você, meu filho. Seu pai ia ficar tão feliz.” (golpe baixo) “O que aconteceu? Ele descobriu a cura da AIDS?” “Não ganhou uma bolsa de estudos.” “Tem certeza?” Assim, meu irmão não era nenhum gênio. Era repetente. “Bolsa pra atleta.” “Que bom.” “A gente vai se mudar pra capital, próximo ano você entra no médio também, precisa de uma escola melhor, tá decidido.” Saí dali e fui gritar no travesseiro.
Depois de 12 jogos, nenhuma derrota, eu já estava nomeada pra ganhar a medalha de melhor líbero do campeonato, mas só meu vô foi ver meus jogos. E o Roberth. Não demorou muito para termos nossa primeira transa. (mas essa é importante demais, vai ter post próprio). O jogo da final foi super. O ginásio da minha cidade tava lotado, o outro time era de uma cidade vizinha. O jogo foi ate o quinto set, parecia Brasil e Cuba, ponto aqui, ponto lá. Era quase impossível abrir dois pontos de vantagem. Mas graças a uma “bad ass” líbero como eu nós ganhamos. E ganhei a medalha de melhor líbero do campeonato. Quando vieram me perguntar qual meu segredo eu disse: Saber cair, não ter medo da bola e treinar com os homens.
Lembra do Marreco? Pois é, ele e a Carmen resolveram “levar as coisas para outro nível”, e ficaram levando quase toda noite, mas esqueceram do balão. O que aconteceu? Minha amiga com 16 anos recém completados ficou grávida. E o Marreco? Não agüentou o foguete e se mandou, e a pobre teve que agüentar a barra só. Nem contar pra família dela ele foi. Disse que não era dele. Que ela deve ter se confundido. Levou uma surra do irmão dela e resolveu reconhecer a criança, mas não casaram.
E a última foi meu vô chegando em casa com uma distinta senhora e dizendo: essa é Zilda, eu a estou cortejando. Cri cri cri na sala. Como assim? Vovô tem uma namorada? Mas ela era bem legal, sempre bem educada e simpática e cozinhava que era uma maravilha. Minha vó também cozinhava, mas era mais feijoada, panelada, cozido. A Zilda cozinhava peixe ao molho de camarão, codornas no vapor e cheesecake. Foi com ela que tive minhas primeiras aulas de etiqueta, como comer com trinta talheres e dez copos diferentes, como recusar educadamente um convite, como fazer sala. Era uma dama, ela me lembra a rainha de Genóvia, bem clássica.
Ah, esqueci de dizer que tivemos uma morte na família, meu peixinho Alcebíades, voltei um dia pra casa e encontrei ele de barriga pra cima, acho que se matou por causa da mudança.
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