quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Esqueceram de mim aos poucos

Quando me mudei minhas amigas choraram e disseram que iam sentir minha falta. Isso foi lindo na teoria, mas na prática foi bem diferente. No primeiro mês falávamos todo dia no telefone e eu ia pro interior todos os finais de semana. Mas no decorrer do tempo elas foram ficando ocupadas e arranjaram uma nova amiga da cidade do Mosca e do Popeye.

Num desses finais de semana eu estava ficando na casa de Tibby, era sábado de manhã e eu tinha programado, com ela, ficar o fim de semana inteiro. Ela me acordou e disse: “Ei, você tem outro canto pra ficar? Porque a Luíza apareceu e vai ficar aqui em casa.” Eu disse: “Oi Luíza, tudo bem?” me levantei e disse sarcástica: “Você espera eu escovar os dentes e trocar de roupa antes de soltar os cachorros, ou tenho que sair agora?” Não esperei a resposta. Fiz meu asseio, troquei minhas roupas e disse por fim: “Tibby, você pra mim morreu.” E nunca mais falei com ela. Dalí fui pra casa do meu tio, que ainda morava na cidade.

Voltei pra casa naquele mesmo dia. Em casa liguei pra Michele e fomos pra Beltane. A Lena me ligou perguntando o que tinha acontecido “Pergunta pra Luíza, ela vai ser mais sincera que a Tibby.”. A Tibby tinha uma estranha mania de achar que estava num pedestal, que ela era a razão do universo girar (complexo de filha do meio) e que tínhamos que perdoá-la porque ela era a coitadinha das histórias. Eu já tinha me cansado desse comportamento.

No dia do meu aniversário mandaram uma daquelas mensagens pelo telefone que gravam sua reação. A moça me perguntou: “Você não gostaria de dizer alguma coisa pra elas?” “Sim, claro, Lena: você é uma grande amiga e sinto muito que a gente esteja se afastando assim, de todas você foi a que eu sempre confiei mais, tenho muita saudade das nossas bagunças, um beijão. Te adoro. Tibby: Não ache que eu vou te perdoar por causa de um truque barato simplesmente pra você aliviar sua consciência pesada. Essa foi a última que eu agüentei de você e eu cansei. Vá pro inferno sua hipocritazinha de merda.”

Nem preciso dizer que ela não tentou mais. Quando a Carmen teve o neném me ligou pra ir conhecer. Era um lindo garotinho. “E o Marreco, deu notícia?” “Ele foi ao hospital me visitar e disse que ia assumir o filho direito, mas depois disso não o vi mais.” Isso fazia um mês. Mas a criança foi registrada direito.

Reencontrei a Lena e a Tibby várias vezes depois disso, mas só com a Lena eu falava. A Tibby tentava chamar minha atenção, mas eu simplesmente fingia que ela não estava ali. E pra mim, até hoje, ela não existe mais. As vezes encontro a Lena pelas baladas da cidade (ela mudou pra capital também pra estudar) mas faz a gentileza de não tocar no nome da outra.

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