O nome ate cai bem pra gente. Éramos quatro, e cada uma de nós parecia fisicamente com uma delas.
A Carmen era a mais baixinha e a mais morena (quase negra), era também a mais velha de nós, e a que tinha o irmão mais gato. Tinha mais três irmãs, todas chatas e feias, só ela e o Raul saíram bonitinhos. A Carmen foi a última a beijar na boca, porque queria que fosse com o menino que ela gostava, mas ele nem sabia que a pobre existia.
Lena era alta também e magricela, mais doce e a que apartava as brigas, era também a mais nova. Apesar da minha insistência nunca quis fazer vôlei. Tinha uma irmã mais nova que era um pezinho no saco. E um pai meio tarado quando bêbado. Ele gostava de entrar no quarto sem bater na porta.
Tibby era branquinha e tinha o cabelo preto, era mais baixa que eu e a Lena, não pintava o cabelo, mas foi a primeira a botar um piercing (dizem as más línguas que foi pra ser mais “cool” do que eu), gostava de rock como eu e tinha dois irmãos. Um mais velho que era mais chato que padre velho, e um mais novo que era pentelhinho (e acho que roubava nossa roupa íntima).
E eu, Bridget, não tão loura (meu cabelo era castanho bem claro), mas alta e atlética. Meu irmão mais velho era um bocó, e fui a primeira menina a usar calças no uniforme da escola. Minha saia tava molhada e eu peguei uma das calças do meu irmão. Na outra semana tinham mais treze. Geralmente eu não usava vestido e nem saia, só calças e shorts enormes e frouxos.
Nós nos conhecíamos desde a 2° série, a Lena era a única que não estudava com a gente. Mas ela era praticamente vizinha da Tibby. Eu e a Carmen morávamos no outro lado da cidade. Mas a cidade era grande o suficiente pra ser percorrida a pé, então era somente uma caminhada para qualquer parte.
Nós sempre nos reuníamos na casa da Lena. Os pais dela saíam pra trabalhar e a irmã dela ficava na avó depois da aula, então passávamos a tarde lá. Vendo Vale a pena ver de novo, fazendo os testes da Capricho e as tarefas da escola. Mas o tempo foi passando e nós começamos a fazer outras coisas, como caipirinhas, a sobrancelha e fumar gudangs. A princípio a gente fingia que fumava, mas depois que aprendemos a tragar, fumávamos cigarros normais (caretas) e gudangs (caretas com cheiro).
Eu e a Tibby tínhamos um esquema de colar nas provas. Tínhamos a caligrafia bem parecida, então como sempre fazíamos duas provas ela fazia uma e eu a outra. Prova de Matemática e História, eu fazia História e ela Matemática, Geografia e Química, eu Geografia e ela Química, e assim por diante. Isso quando a gente não roubava a prova.
Depois que aprendemos a beijar começamos a usar isso como arma. Tinha um zelador que era ate gato (depois de um banho), era sarado e não tinha nenhum dente estragado. A gente trocava uma prova por beijo cada. Depois que entrei na 7° notei como as matérias foram ficando difíceis. Tinha que manter o boletim azul. A Lena era a única que realmente estudava.
Nós também adorávamos ir à praia. Todo domingo encontrávamos nossos amigos lá. Geralmente com bebida e maconha. A gente gostava de chegar cedo, umas nove, pra pegar um bronze, pra quando os gatinhos chegassem. Geralmente voltávamos quando o último restinho de sol desaparecia no horizonte.
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