Depois que meu pai morreu foi que soube que o fazendeiro era meu padrinho. E que os dois tinham feito investimentos no meu nome sem eu saber. Eu tinha ações na bolsa de valores e era dona de alguns cavalos de corrida. Quinze dias depois da morte do meu pai o fazendeiro veio ate nossa casa nos contar. Eu era rica e não sabia. O fazendeiro fez um cálculo, o que eu tinha mais o que isso rendia por ano me davam um total de 5000 reais por mês, que ele iria me pagar em forma de pensão até que eu completasse dezoito anos.
Uma única exigência foi feita pelo meu pai, que eu tivesse a melhor educação possível, e isso significava que eu ia estudar num colégio da alta sociedade da capital. O fazendeiro era da alta sociedade, era membro do jóquei clube e tinha jantares com grande empresários do estado. Descobrimos que a D. Zilda (namorada do vô) era também alguém importante da alta sociedade. Prima do dono de um dos maiores jornais do estado. Ela foi a minha mentora.
Ela que me ensinou as primeiras frases em francês (o inglês eu já fazia curso), que me ensinou sobre arte, sobre literatura, sobre a maneira mais apropriada de se vestir e vários outros códigos sociais, me ensinou como comer com todos os garfos e facas, como falar educadamente e o modo mais adequado de aceitar ou recusar qualquer coisa. Eu tive aulas com ela ate meus 16 anos, quando ela morreu.
Ela era bem descriminada por estar com o vô. As pessoas queriam que ela passasse a vida de luto e só, porque o marido dela havia morrido há sete anos. Mas D. Zilda era uma “bad ass”, e nós fazemos o que nos deixa felizes. Ela era muito feliz com o vô. Só posso dizer que não poderia haver professora melhor que ela.
Eu então me transformei em duas. A menina da sociedade, bem comportada, sempre educada e polida. E a outra era a ninfeta que namorava homens mais velhos, escutava rock, bebia e fumava. Uma era clássica e distinta a outra era polêmica e rebelde.
Quando completei 15 anos tive que participar de um grande baile de debutantes, e era mais que aniversário (o meu tinha passado há alguns dias), era o passaporte pra ser aceita. Era nesse baile que éramos apresentadas à sociedade. A gente descia uma grande escada (vestida de bolo) acompanhada pelo pai (no meu caso o vô) e lá em baixo dançava uma valsa. Depois os cadetes entravam (pras que não tinham namorado ou ator famoso) e a gente dançava outra valsa, só que dessa vez eles diziam nosso nome num microfone e a gente dançava de uma por uma.
A festa em si era um porre, mas a comida era deliciosa e os garçons amigáveis, eles passavam, sem que ninguém percebesse, bebida pra gente. Uma menina da minha sala chamada Sheyla debutou também nesse dia, era o baile de verão, tinham quatro no ano, o de primavera já tinha passado.
Depois do baile o meu cadete disse que as debutantes e os pares tavam se juntando pra ir a uma festa particular, perguntou se eu não queria ir. “Sempre.” Pegamos carona no carro da Sheyla e do cadete dela. Quando chegamos à pequena mansão na praia de uma delas descobri que eu não era a única que bebia e fumava. Música eletrônica, um bar aberto e banho de roupa intima na piscina, todas as meninas ali sabiam festejar.
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