sábado, 20 de fevereiro de 2010

Tão clichê

Hoje pode até ser, mas na época seria um escândalo, talvez não na classe universitária, onde as meninas são maiores de idade. Mas no ensino médio era tabu. De todos os meus professores, o mais “bad boy” era com certeza o Alex. Era o único que tinha moto (os outros tinham carros enfadonhos), que usava brinco, tinha tatuagem e tocava numa banda de rock. E foi assim que nossa história começou.

Ele era professor de literatura brasileira (ele que passou o livro Lucíola pra gente ler), e sempre contava as histórias como se estivesse lá, na hora. Era extremamente simpático e adorável, e tinha sempre um séquito de fãs loucas atrás dele. Mas eu o ganhei quando, na aula, ele perguntou qual era, pra gente, a melhor música pra se fazer amor. Depois que várias pessoas disseram as suas ele virou pra mim e disse: “E pra você, qual é a melhor?” “Since I've been loving you, do Led Zeppelin.” Ele sorriu, depois piscou pra mim.

No final da aula me chamou. “Eu tenho uma banda de rock, vou fazer um show hoje, queria que você fosse me assistir.” “Onde vai ser?” “Na Beltane, ah tem que ser maior pra entrar.” Disse desconcertado. Eu peguei o panfleto da mão dele e disse: “Não se preocupa, eu dou um jeito” e pisquei pra ele.

Fui a uma papelaria tirar umas cópias pra um trabalho, aproveitei e pedi pra tirarem duas da minha identidade. Em casa cortei de uma o número 2, colei sobre o ano que nasci e fui tirar outra xérox. Depois passei num cartório pra autenticar (blusa decotada e saia curta ajudam nessas horas) e pronto, uma cópia autenticada que me dava 18 anos.

Ele ficou surpreso e alegre ao me ver entrar, veio falar comigo. “Não achei que você viesse, como conseguiu entrar?” disse em seu ouvido: “Uma dama nunca revela seus segredos.” Ele riu, me apresentou pros amigos sem dizer que eu era aluna, depois perguntou se eu queria uma coca. “Quero, uma com rum e limão dentro.”

Enquanto tocava (guitarra) ele não tirava os olhos de mim, depois do show ficamos no bar conversando, a turma me contando historias embaraçosas dele bêbado. “Vocês vão passar a imagem errada pra ela.” “Não tem problema, eu nunca acredito em 100% do que eu ouço.” Disse acariciando seus cabelos. Ele colocou o copo na mesa e me puxou. Fomos para a pista de dança, ele colocou as mãos na mina cintura e depois me abraçou forte. Me beijou. Caras mais velhos realmente sabem beijar, e deixar a gente com as pernas bambas.
Ele foi me deixar em casa, me beijou de novo quando chagamos. Eu disse: “Nós temos um segredo.” Devolvendo a jaqueta que ele me deu por causa do frio. Ele sorriu e antes de botar o capacete disse: “E que segredo.” E saiu.

Na sala nos tratávamos normal, professor e aluna, mas a primeira vez que fizemos sexo foi no colégio. Eu tinha saído da sala pra entregar um livro na biblioteca, passei em frente à sala dos professores, quando voltei ele tava na porta. “Não paro de pensar em você.” E me puxou pra dentro. “Tá louco, alguém pode ver a gente.” “Tá todo mundo dando aula, ninguém volta aqui em pelo menos 40mim.”

Ele me sentou na mesa e foi arrancando minha calcinha. Tinha uma pegada forte e decidida e me beijava como se sua vida dependesse disso. Fizemos ali mesmo, na mesa, e eu fiquei sem calcinha pelo resto do dia, ele a roubou e não queria mais devolver. Foi a única vez que quebramos a regra. Sempre ficávamos juntos depois da aula ou de algum show dele. Três ou quatro vezes por mês. No outro ano ele foi pra Alemanha fazer pós-graduação.

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