quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ai que saudade d'ocê

No meio do ano, nas festas juninas, minhas antigas amigas me chamaram para comemorar com elas na minha antiga cidade. Um momento “nostalgia” tentativa de reascender nossa amizade. A vida na capital tinha me feito indiferente à vida provinciana, achava-os atrasados e caipiras. Mas rever minhas raízes, meus antigos amigos, rever antigos hábitos me fez bem.

Lena ainda namorava com o Mosca (entre idas e vindas) e Tibby começou a namorar o Popeye naquele final de semana. A Carmen estava grávida e não saía de casa. Anoite, na praça, acontecia o festival de quadrilhas. E qual não foi minha surpresa ao ver de longe um velho amigo e companheiro, mais alto, mais forte e mais lindo que nunca. Vestido de branco (porque era o noivo), cantando e dançando mais enérgico que todos. Eu, claro, sabia que isso era efeito de uma certa erva.

Ao me ver abriu um largo sorriso e, tenho certeza, cantou a música pra mim. Só vou reproduzi-la pela especialidade da ocasião.

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Como no céu vai sumindo
Foi numa noite, igual a esta
Que tu me deste o teu coração
O céu estava, assim em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro
O teu olhar, que incendiou
Meu coração.

Quando olhava pra mim, olhava mais feliz. Quando sorria pra mim, sorria mais bonito. E assim que a apresentação acabou foi pra mim que ele veio. “Ai que saudade de você, nêga.” Ele me chamava assim por eu ser bem branca. E dizendo isso me beijou. “Também senti saudade.” E uma lágrima escorreu pelo meu rosto. Ele limpou delicadamente e disse: “Vamo sair daqui.” Quando ele me dizia “vamos” eu não perguntava “pra onde”, eu ia.

Fomos pra casa dele, a mãe estava na praça vendo a festa, não voltaria tão cedo. Ele colocou Janis Joplin pra tocar e enquanto embalados pelo Kozmic Blues trocamos carícias e afagos. Mas foi quando o mega som da praça sobrecarregou as linhas de energia e gerou um blecaute no resto da cidade que realmente nosso amor eclodiu.

Acendeu uma vela que iluminou timidamente o quarto e veio para os meus braços. Quando eu tava enroscada naquele corpo perdia a noção de tudo, noção de tempo, de espaço, perdia a noção de onde ele terminava e eu começava com minhas pernas entrelaçadas em seu quadril. Éramos uma massa suada e convulsiva, de beijos fortes e abraços apertados. Passamos um lindo e intenso fim de semana.

Com o resto eu até me divertia, mas era apenas passatempo. Prazeres momentâneos. Só com ele eu conseguia fazer amor de verdade.

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