domingo, 7 de fevereiro de 2010

De como me tornei uma atleta...

Eu já disse que sou bem alta, né? Pois bem, mal fiz 12 (idade mínima pra competir em campeonatos) o treinador começou a me perseguir pelo colégio. “Você tem que entrar na seleção de vôlei, você tem altura. Tenho certeza que depois do primeiro jogo você não vai mais querer sair.” O problema é que eu não gostava de vôlei, de esportes em geral. Gostava de dançar. Fazia jazz e balé. E queria ser bailarina. Mas o cara não me deixava em paz.

Um dia, estávamos no clube e ele veio falar com meu pai (golpe baixo), disse que eu poderia ser uma grande atleta, que eu tinha postura e por ser bailarina eu já tinha disciplina e foco, o que facilitaria as coisas. Claro que o velho ficou babando com a história e veio me perturbar. “Minha filha, você devia pelo menos experimentar, como você sabe que não gosta se nunca fez?”.

Então eu fui, todo sábado à tarde, treinar no clube. Eu não era lá grande coisa, mas, como o treinador falou, eu tinha disciplina e foco, e estava acostumada com as dores. Ah esqueci de dizer que eu jogava do lado de meninas de 16 e 17 anos.

Treinamos uns três meses ate nosso primeiro jogo. Contra umas “bad ass” de outro colégio. Nada contra as lésbicas, pelo contrário, sou pro felicidade (umas drags ate me batizaram), mas as sapatas de lá davam medo. Tinha uma chamada Boboya que parecia o Dwayne Johnson e era endiabrada.

Pois bem, estávamos perdendo por bem pouco quando o treinador descobriu o porquê, era a endiabrada que atacava e ninguém conseguia defender. Eu já disse que era natural com quedas? Foi nesse momento que fizemos essa descoberta. Depois de colocar o time todo pra tentar defender e ninguém conseguir ele olhou pra mim, último recurso, e eu fui né?. Num é que eu defendi a diaba? Ela ficou com ódio, meu time começou a pular e o público foi ao delírio.

Não saí mais do jogo. E cada vez que ela ficava mais desapontada e com mais ódio de mim, mais crescia em mim um sentimento de orgulho e porque não, de vaidade. Viramos o jogo e no final ganhamos. Eu tava tão acesa, mais do que quando dançava, que meu treinador chegou pra mim e disse: “E aí, eu tava certo?” “Certíssimo”.

Virei a sensação do momento. E a primeira líbero reconhecida do colégio.

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