Eu estava morando na capital há alguns meses, se não me engano era o mês de outubro. A vida na cidade grande é mais cheia de vícios do que o interior. Eu não era mais uma provinciana. E meu senso de moral estava ligeiramente alterado pelas vivências que tive acompanhada dos meus novos amigos, os do bairro ou da escola.
Uma das amigas da escola se chamava Samara. Era filha do comandante da base aérea e modelo. Tinha estudado no colégio militar, mas a expulsaram por “comportamento inadequado” claro que todos nós sabíamos que a causa era o excesso de álcool. Bom, todos nós bebíamos, mas a maioria não ia pra escola bêbado.
Fui pra casa dela numa sexta depois da aula. Lá outro amigo ligou nos chamando pra sair. Eu já tinha avisado em casa que ia dormir na casa dela, mas não tinha levado roupa apropriada pra sair. Descobrimos que eu e Samara tínhamos o mesmo corpo. O pai dela deixou a gente sair porque confiava cegamente no João Luís. Os dois pais eram primos.
Fomos pra uma boate onde não era preciso mostrar identidade, o JL (como era chamado) era vip. Tinha mesa própria e conta aberta no bar. Primeiro tocava um banda, geralmente de rock, e depois os DJs se revezavam até de manhã. Escutei, de longe, uma voz me chamando. Quando olhei me surpreendi ao ver Popeye, Mosca, Pero Vaz e Sr. Miyagi. Eles eram a banda que ia tocar. Pero Vaz falou comigo como se nada tivesse acontecido. Foi estranho ver dois mundos diferentes se encontrando.
O JL percebeu que éramos conhecidos e depois que a banda tocou os convidou para a nossa mesa. Ficamos bebendo, conversando e dançando ocasionalmente. Notei que o Popeye me olhava diferente (ele namorava a Tibby e o Mosca a Lena). A boate tinha um segundo andar, com acomodações mais confortáveis. Sofás, poltronas, pufes e almofadas. Chamávamos de “Chill out”, era onde fumávamos e, depois de dançar muito, relaxávamos.
Subimos pra fumar um. Eu, Samara, JL, Popeye e Sr. Miyagi. A luz negra nos fazia viajar mais, e a pintura fosforescente no teto com temas estelares nos acalmava. O JL e Samara começaram a se beijar do nada. Eu fiquei conversando com os outros dois, conversa meio sem sentido de quem tá sob o efeito de maconha. Quando notei a Samara e o JL tinham ido embora. Da boate.
Talvez foram pra algum motel que aceitavam o suborno gordo do JL. E eu fiquei. Os meninos juntaram os equipamentos e me chamaram pra casa onde eles tavam. Eu, sem alternativa, fui. Lá escutamos mais rock, fumamos mais um e o Popeye me chamou pra varanda. Conversamos um bocado ate que ele soltou. “Você tá muito gata. Mais do que antes.” E começou com galanteios.
Eu me deixei levar pela sensação vívida que é fazer algo proibido. A Tibby e eu às vezes falávamos no telefone, mas isso foi esmorecendo com o tempo. Nessa época já não nos falávamos, tínhamos brigado e eu não devia mais lealdade a ela. Então fiquei com o Popeye. Ele era sim gato, e charmoso e simpático.
Ele me levou pro quarto sussurrando galanteios no meu ouvido. O dia amanhecia pela janela e dava um tom de azul claro ao quarto. Ele era um amante maravilhoso, começou gentil e carinhoso e à medida que ouvia meu delírio aumentar foi ficando mais vigoroso e selvagem. Continuamos no banho, com a água refrescando os corpos suados. Ele me segurava forte pela cintura enquanto mexia o quadril com maestria. Foi uma das melhores noites de amor que já tive. Tibby não sabia o que estava perdendo (ela se mantinha virgem).
Com o dia claro foi me deixar num ponto de táxi. Falei que não tinha dinheiro, que teria que pegar um ônibus. “Nessa hora é perigoso por aqui, prefiro que você vá de táxi.” E me entregou algumas notas, depois me beijou. Voltei pra casa da Samara e esperei por ela em cima de uma árvore. Ela chegou um pouco depois de mim. Ficamos comparando os chupões no pescoço até, por fim, adormecermos.
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