No mês de novembro, exatamente na semana que precedia o baile de formatura meu colégio tinha uma espécie de semana cultural. Jogos, feira de ciência e a escolha, no último dia, da garota e do garoto MAX (assim era conhecida a semana, Semana MAX). Era como se fosse o rei e a rainha do baile.
Minha equipe, Coribantes, era composta pela 8º série manhã, 2º ano tarde e 3º ano noite. A MAX era uma espécie de mini olimpíadas, onde disputávamos vôlei, basquete, futsal, xadrez, dama, sinuca, natação, atletismo, salto em altura etc.
Nos dois dias que antecediam a festa acontecia a feira de ciências, que valia nota de prova. Assim se alguém tivesse em recuperação aproveitava e fazia um trabalho na feira, podia passar por média ali mesmo. Mas o momento mais esperado era o desfile da Garota e do Garoto MAX. As meninas passavam a semana se emperiquitando pra esse desfile, os meninos não tavam nem aí.
Como eu sempre usava roupas bem folgadas ninguém sabia realmente como era meu corpo, só na hora de tirar a roupa pra prova de natação que realmente notaram minha silhueta. Quando a equipe se juntou pra decidir quem seriam os concorrentes do desfile (que valia medalha também) os dedos começaram a apontar pra mim: Uma roqueira, skatista, que às vezes ia pra escola sem nem pentear o cabelo e usava as calças do tio. Em minha defesa: meu cabelo era liso como macarrão escorrido.
O Roberth, que era do 2º tarde, foi um dos escolhidos das meninas, então resolveram fazer um mini desfile, pros meninos da equipe escolherem as representantes da equipe, porque todas as barangas queriam participar, tendo apenas três vagas. Eu me recusei na hora “Não quero participar de desfile nenhum, que droga.” Mas o povo não se deixou abater. “Você tem que fazer isso pela equipe.” Como atleta eu sabia o que significava fazer sacrifícios pela equipe.
Então eu fui, de vestido de miss, desfilar pra equipe. Fiz cabelo, maquiagem e usei salto alto. Os casais foram decididos pela altura, como eu era a menina mais alta tive que ficar com o cara mais alto. O Roberth ficou com uma menina inexpressiva e sem sal. Depois da primeira rodada vinha o traje de banho. Mas, enquanto nos preparávamos pra entrar, vi quando o Roberth beijou a dita cuja sem graça.
Momentos antes do último desfile teve a última contagem de medalhas (pra somar as da feira de ciências), nossa equipe ganhava por apenas duas, de modo que, se a outra equipe (Megapteras) ganhasse nos dois desfiles, entraríamos num empate. Mas a nossa equipe ganhou os dois ouros e as duas pratas, masculino e feminino. O Roberth ganhou ouro, eu ganhei prata (o salto me fazia andar feito uma pata, só dominei isso depois).
Quase no fim da festa (eu já com o salto na mão) reencontrei o Roberth, “Você devia ter ganhado o ouro, tava mais bonita.” “Então porque você tava beijando aquela entojada?” “Ela pediu um beijo, eu dei.” “Cafajeste.” Ele foi me acompanhando até em casa. No meio do caminho, do nada, disse: “Você devia ter desfilado de tênis” e deu uma gargalhada. Eu ri também. Em casa troquei de roupa e fomos pra festa da vitória. Ficamos a noite juntos mais uma vez.
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