Era a primeira noite de carnaval, eu estava a três meses de completar 14 anos, dançando na praça com as minhas amigas quando de longe vi, escorado num poste, um dos caras mais estilosos que tinha conhecido ate então (o outro tem história própria). Ele não tinha nada demais, era a postura, a confiança. E claro um “bad boy” raspado no cabelo. Hoje pode parecer besteira, mas em 1999 era demais. Ele olhou pra mim, e sem tirar os olhos acendeu um cigarro. As minhas amigas notaram e começaram a pular feito umas retardadas. Ele desviou o olhar e sumiu. Não o vi mais no carnaval.
Duas semanas depois estava eu voltando da casa de minha “cunhada” (moça louca que namorava meu irmão) e resolvi passar na bomboniere da praça pra comprar balas, quando voltei pra calçada escutei uma voz: “Ei Lorinha, me da um bombom.” Advinha quem era?
Eu parei, sorri e tirei uma bala do bolso. Entreguei e ele perguntou: “Lorinha como é teu nome?” Eu o olhei de cima a baixo e calmamente respondi: “Não tão fácil” e saí. Não sei de onde a bocó que se tremia toda deu lugar a essa “bad ass” confiante. Mas deu. Eu sentia que ele me observava de longe. Que eu tinha causado certa impressão. Não sei se pelas calças do exército extremamente frouxas, ou pela atitude de desafiar um “bad boy”.
Mais alguns dias nos vimos novamente na praça. Eu com minhas amigas, ele encostado na parede do outro lado da rua com o “bad boy” 2. Eu tava tentando aprender manobras no skate, e caindo um bocado. Engraçado que as outras meninas tinham vergonha de cair, eu sempre fui natural para quedas. E não me envergonhava delas. Assim, descendo de uma rampa cai e quebrei meu braço pela primeira vez.
O “bad boy” 2 veio me socorrer, era conhecido da família, jogava poker com meu avô num barzinho de vovôs. Foram comigo ate em casa, que era na rua de trás. O vi novamente quando voltava pra casa da praça, cidade de interior sempre tem uma praça onde todo mundo se encontra, ele tava beijando uma garota, assim que acabou ela virou as costas e foi embora, ele cuspiu. Me viu e ficou meio envergonhado. “Perdi uma aposta.” Achei engraçado. Eu sei que foi super cafajeste, mas achei engraçado. Dobrando a esquina era minha casa. Ofereci um copo d’água, e ficamos conversando na calçada.
Nossa história demorou um bocado, “bad boys” são complicados, ele viajou pra outro estado, depois voltou fingindo que não conhecia ninguém, quando ele viajou fiquei com outros carinhas mas era sempre numa festa, ou na praia, só ali. Teve um show do Tribo de Jah na minha cidade, nessa noite ele disse que tava muito afim de mim, que só tinha pensado em mim durante o tempo que ficou longe (a gente se correspondia por cartas), e que tava louco pra me beijar, eu (não vou mentir) também tava louca pra beijá-lo.
Ficamos durante uns 4 meses, indo pra luais e festas de amigos. Estávamos ficando íntimos, ate achei que perderia a virgindade com ele. Mas numa noite regada com vinho e gudangs ficamos pela ultima vez, depois disso não nos falamos mais. Ele quis se afastar, dei o espaço.
Cara muito estranho, mas gostei dele de verdade. Não sei que fim o “bad boy” levou. Nunca mais o vi.
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