Depois que nos mudamos fomos morar num apartamento em um bairro relativamente bom. Na rua de trás era a entrada pra outro bairro, e logo fiz amizade com um pessoal de lá. Estava voltando do colégio (por volta das 16h) e parei numa praça que tinha perto de casa pra fumar um cigarro. Ninguém na minha família sabia que eu fumava então só fumava na rua.
Sentada no banco, enquanto comia um chocolate, vi de longe uma menina passar com um skate na mão. Calças folgadas, correntes e um andar de estilo. Ela veio na minha direção, daí chegou e pediu meu cigarro pra acender o dela. Já perguntei o nome (Michele), disse o meu e ofereci o banco pra ela sentar. Começamos a conversar, eu disse que tinha acabado de me mudar, ela começou a falar das redondezas e me chamou pra ir andar de skate em outra praça.
Eu fui. Um pouco mais tarde chegaram mais quatro pessoas, o Tales, a Juliana, o Preto e o Gil. Ela me apresentou e comecei a andar com esse pessoal dali em diante. Ser ainda estudante ajuda na hora de fugir de eventos sociais sem graça. “Desculpa, mas tenho que estudar pra uma prova” ou “Ah, tenho um trabalho pra entregar e tinha esquecido completamente.”
Andar com o pessoal do bairro era mais a minha cara. Era a minha linguagem, a minha praia. Nos encontrávamos ali na praça, ou na casa de alguém. Eu sempre ia direto da escola, porque depois que chegava em casa minha mãe não queria deixar eu sair, e é bem mais difícil sair por uma janela do quinto andar.
Estávamos no meio de maio quando fumei maconha pela primeira vez. Depois que o pessoal chegou mais dois carinhas chegaram, dois irmãos, lindos. Chamou a gente pra casa deles. Eu previa que eles iam fumar. Quando chegamos tomei logo um susto, um enorme pit bull latia do quintal. “Calma princesa, o Derek é mansinho.”
Sentamos no quintal e eles acenderam. O cheiro e a maneira de fumar não eram novidade pra mim, sempre via gente fumando, então sabia imitar expressões e trejeitos. Quando começaram a passar na roda simplesmente aceitei. Não por que me preocupei com o que iam achar, simplesmente deu vontade. Tossi um bocado, mas sabia que isso era bem normal. Mas no final das contas não senti nada.
Depois desse dia comecei a fumar com certa regularidade. Não era todo dia, nem sempre que o pessoal fumava, mas uma ou duas vezes por semana. Em shows de rock, ou na praia. E foi na praia que fiquei com o Tales pela primeira vez. Eu tinha ouvido que ele era o “pegador” do bairro. Não podia ver uma cara nova que dava em cima. Mas posso dizer a verdade? Ele era sim muito charmoso e simpático. A Michele, quando percebeu nossos olhares disse: “Cuidado, ele só quer te usar.” “E quem disse que eu quero que ele faça mais do que isso?”
Começamos ficando uma vez aqui, outra ali. Só beijos e amassos comportados. Mas um dia minhas últimas aulas (depois do almoço) foram canceladas. Liguei pra ele. Ele veio me buscar no colégio, dirigia um Passat Village 86. Fomos pra praia. Fumamos um e começamos a nos agarrar dentro do carro. Fomos pro banco de trás e novamente estar de saia ajudou. Não foi nem de longe um dos melhores. Ainda tentamos mais algumas vezes, mas ele era muito seco, sem pegada. E uma pegada bem dada vale mais que um gemido no ouvido.
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