Depois do fiasco que foi meu primeiro amor eu amadureci. Também porque ganhei um quarto só pra mim. E também porque fiz um aniversário e fiquei mais velha. Outro menino apareceu na jogada. Filho de militar, ele tinha um irmão gêmeo (daqueles que não são iguais) e era mais alto que eu. (você vai notar uma tendência minha em dizer isso, mas quando você é mais alta que todos os meninos da sua sala isso afeta sua saúde emocional).
Ele era um negro lindo, de lábios grossos, mas bem delineados, dentes bem branquinhos, corpo esguio e capoeirista. Por ele eu me apaixonei aos poucos. A gente se paquerava a distancia na educação física. Um dia descobrimos que morávamos a uma rua de distância. Eu aposentei a bicicleta e íamos para a escola e voltávamos os três a pé, não era longe. Aos poucos fui desejando vê-lo sem blusa, então comecei a assistir os treinos de capoeira, ficava louca quando ele tirava a blusa. Todo suadinho então.
Nós gostávamos de ficar perambulando pelo colégio depois da aula, um dia ficamos até o primeiro aluno da tarde chegar. Tiramos muito sarro da cara dele. Gostávamos também de escrever obscenidades nas lousas pra quando os professores chegassem, e trocar os papéis dos flanelógrafos de lugar.
Num desses dias ele tava no bebedouro e me chamou, mal me aproximei ele me puxou e me beijou. E que beijo. O rapaz sabia o que tava fazendo. Era um beijo doce e molhado, quente e suave, mas ao mesmo tempo forte. Minhas pernas ficaram bambas, e ainda bem que ele me segurava forte porque eu me senti fraquejando. Foi totalmente inesperado. A gente sabia que tinha faísca, nenhum dos dois era bobo, mas nesse dia pegou fogo.
Ficamos mais algumas vezes, sempre depois da aula, esperávamos o colégio secar e ficávamos nos agarrando pelos escurinhos que a gente conseguia achar ao meio dia. Depois resolvemos ficar amigos, numa boa. Aquele fogo todo foi só passageiro e ainda bem que aproveitamos e entendemos que foi apenas uma curtição inocente. Continuamos bons amigos ate ele se mudar no fim do ano, o beijo aconteceu em setembro. Num equinócio de primavera. Romântico não?
Nenhum comentário:
Postar um comentário