quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Meu primeiro amor

Quero primeiro dizer, em meu favor, que não me prepararam pra isso. Ninguém me ensinou a estar apaixonada e não se comportar como uma idiota.

Ele era lindo, branquinho, cabelos pretos lisos, mais alto que eu (o que pra mim já é vantagem) e usava óculos. E eu desastrada e nessa época mais alta que todo mundo na sala. Eu tinha 12 e ele 13. Ele estudava uma série acima da minha.

Era o primeiro dia de aula da minha 6° série, eu tinha chegado, colocado minha mochila (do Batman herdada do meu irmão) na carteira e tava no corredor olhando a chegada dos novos alunos, quando esse lindo príncipe Caspian passou por mim. Pronto, foi amor à primeira vista. Logo fui atrás de saber nome, endereço, tipo sanguíneo. Só descobri o nome: Dário. Mas pra mim foi o suficiente.

Porque eu disse que era idiota? Você vai saber agora. Porque o menino não podia chegar perto de mim que eu me tremia toda. Eu sentava em cima das mãos quando ele tava perto pra não ficar tremendo, isso quando eu não saía assim que ele chegava. Pensando bem acho que ele achava que eu não gostava dele, porque era bem mais comum eu sair deixando todo mundo no vácuo assim que ele se aproximava do que sentar nas mãos. Que bocó!

Um dia eu tava na coordenação ajudando a ajudante, estávamos grampeando folhas de computador para fazer envelopes pra guardar as provas, ela no birô principal e eu num canto num banquinho, foi só ele entrar que eu perdi minha coordenação motora e comecei a grampear o papel freneticamente, e no mesmo ponto. Ate que ele saísse, eu só tremia e grampeava, tremia e grampeava.

Ele nem sequer me viu, nem olhou pra mim, mas a presença dele me fazia mongol. Outra vez eu tava abrindo a corrente da minha bicicleta pra ir embora e (óbvio) a dele estava do lado da minha, ele só me deu um aviso: “Eu acho que secaram o pneu da tua bicicleta.” Eu respondi? Não. Nem sequer olhei pra ele. Larguei a corrente e sem dizer um “A” fui embora. A pé. Assim que botei o pé na calçada de casa “lembrei” que tava sem bicicleta e tive que voltar pra buscar.

Outra vez, na aula de educação física, estávamos treinando saque (de vôlei), e eu era a única que conseguia fazer direito. Foi só ele pisar na outra ponta da quadra que eu comecei a errar. Ele foi sentar na arquibancada pra ver o treino. Quem disse que eu conseguia fazer mais qualquer coisa? Quando olhei o menino tava do meu lado me chamando pelo alambrado. Eu fui toda me tremendo. “Esquece que eu to aqui.” Foi tudo o que ele disse. Eu voltei, segurei a bola, fechei meus olhos, me vi ali sozinha e dei um saque viagem. Você deve estar achando que talvez ele gostasse de mim... Desculpa desapontar, mas ele tinha namorada. Ela era linda e chatinha.

Mas nada (nem a carta que eu mandei com milhões de “Eu te amo”) supera o dia em que ele tocou no meu rosto. Uma amiga tinha uma boneca que era do tamanho do meu polegar, mas o cabelo era um palmo, de um rosa fosforescente que doía no olho. Coloquei a dita cuja por trás da orelha com o cabelo da boneca juntando-se ao meu, ficou um efeito muito legal. Daí sai andando pelo colégio e quem encontro? O dito cujo.

“Olha que legal, é teu cabelo mesmo?” e dizendo isso foi pegar no cabelo rosa, mas a mão dele passou de leve no meu rosto e eu, monga que sou, suspirei. Um suspiro longo e idiota. No meio exato do colégio. Na hora do recreio. E continuei com um sorriso besta ate ele, todo sem jeito, dizer. “Er, muito legal, tenho que ir...”. Claro que eu fui a fofoca da semana. A do mês.

Ele foi embora do mesmo jeito que veio, misterioso. Um dia voltei das férias e ele não.

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