segunda-feira, 24 de maio de 2010

Mudando o ponto de vista

Todos nós ficamos felizes com o fato de que eu não estava grávida. Mas ficamos com uma sensação de que algo estava diferente. Eu me sentia estranhamente diferente. Como se tivesse faltando alguma coisa. Não conseguia saber o que era, mas tinha uma coisa que dava uma pista.

Sempre que eu pensava “e se aquele teste tivesse dado positivo?” me sentia tranqüila. Estranho, né? Antes do resultado eu tava desesperada. Mas quando pensava que teria Átila e André ao meu lado, era o suficiente. Quando pensava na idéia de ter um bebê com eles sentia uma ternura imensa.

Imaginava nós três vivendo juntos numa enorme casa com um balanço na varanda. Eu tinha um barrigão enorme e todo dia Átila e André conversariam com o bebê. Seria um problema pra registrar a criança, acho que não dá pra colocar dois pais numa certidão de nascimento. Mas mesmo assim imaginava que isso daria certo.

Comecei pensando que éramos casados, mas percebi que não precisava disso. Éramos devotos demais um dos outros pra deixar que isso fosse um problema. As outras pessoas, se é que teriam outras pessoas, seriam apenas uma distração. Uma mera diversão frívola, nada mais.

Depois comecei a pensar na minha vida. No tanto de coisas que já tinha vivido até então. No tanto de festas que tinha ido, no tanto de pessoas que tinha conhecido. Algumas delas não tão interessantes assim. Algumas bem barra pesada. Pensei nos caras que beijei, nas meninas também. Que, aliás, foram só duas. E eu estava ali, com 22 anos, desejando acalmar as coisas.

Talvez porque comecei cedo demais. Minha primeira farra foi aos treze. Idade que comecei a beber e fumar. Já tinha, portanto, quase 10 anos de estrada. Às vezes comparava com algumas colegas da faculdade. E as achava muito inexperientes. Ficava perplexa que algumas delas, com 19 anos, ainda pediam permissão aos pais pra ir a uma festa.

Comecei a pensar na minha trajetória desde que saí do meu interior. Tudo que tinha experimentado e conquistado. Percebi que fui notável por onde passei. E não digo isso com arrogância, digo com reconhecimento. Mereci todo o crédito que recebi. Trabalhei como se eu não precisasse do dinheiro e dancei como se ninguém tivesse olhando.

Me lembrei das minhas primeiras amigas. Das nossas descobertas e aventuras juntas. Das nossas brigas e da falta que sentia delas. Lembrei dos primeiros carinhas de quem gostei, do meu primeiro beijo e da minha primeira vez. Passou tudo na minha cabeça como um filminho.

Percebi o quanto eu tinha ido longe. E quase sempre só. Minha família de sangue estava ocupada demais com outras prioridades pra me dar importância. Percebi que cresci na marra e sem ajuda de ninguém ou manual de instruções. Percebi também que dali pra frente podia fazer qualquer coisa que quisesse. Mesmo que fosse ter um filho com dois homens.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Alerta Vermelho

Sabe como é angustiante quando você espera por uma coisa que nunca chega? Festa surpresa de aniversário, Papai Noel, férias escolares ou 13° salário, não importa. Esperar por todos eles é péssimo. Mas nenhuma sensação se compara ao horror que você passa quando espera sua menstruação e ela não vem. Você até já marcou na agenda numa tarde de terça-feira.

A sensação é: Você fica sem chão, sem rumo, sem respostas. Faz cálculos e olha repetidamente feito uma retardada pro calendário. Que, aliás, você já decorou de tanto conferir. Contar onze dias parece uma prova de física quântica. Ajuda se você usa os dedos, mas mesmo assim o conta não bate. Então você apela pra uma calculadora. E mesmo ela dizendo que dois mais cinco é igual a sete você desconfia. Tecnologia estúpida.

Foi mais ou menos isso que eu passei. Tá certo, confesso, foi exatamente isso que eu passei. E a cada dia em que minha calcinha aparecia limpinha meu desespero aumentava. Não só porque eu estaria possivelmente grávida, mas por não ter certeza de quem era o pai. Lembra que eu dormi com o Sandro num final de semana e com os AA na segunda-feira adjacente?

Fiquei dois dias com o Sandro, logo fui mais exposta aos soldadinhos dele. Mas de acordo com a minha tabela meu dia fértil foi a segunda-feira em que dormi com os dois irmãos. Se eu estivesse grávida do Sandro seria um Deus nos acuda! Minha mãe provavelmente morreria de um ataque cardíaco. Levando o resto da família com ela. E se o pai fosse um dos AA como eu saberia? Não adiantaria fazer um exame de paternidade. OS DOIS TINHAM EXATAMENTE O MESMO DNA!!!

Comecei a pensar nisso o tempo inteiro. Não conseguia me concentrar em mais nada. Nem no trabalho, nem nas aulas, nem na hora de colocar os produtos no carrinho do supermercado. Comprei três tipos de algodão diferentes e 14 latas de creme de leite. Átila foi o primeiro que notou que eu estava estranha.

Marcou uma noite de me ensinar a fazer yakissoba. Estávamos sós. E enquanto eu lavava a louça e ele enxugava perguntou: “Tá tudo bem com você, Lu.” Olhei pra ele confusa. “Tá sim. Tudo bem. Por quê?” “Porque você tá estranha ultimamente.” Eu estava com cinco dias de atraso. Quando ele fez a última pergunta comecei a chorar. “Que foi? O que tá acontecendo?”

Contei tudo. Inclusive sobre o Sandro. “Mas você tem certeza que está grávida?” “Não, mas sempre funcionou como um relógio. Nunca atrasou nem um dia.” “Vamos fazer assim: A gente conta pro André e ele faz um exame de sangue.” Lembram que André trabalhava num laboratório? Concordei. Depois Átila me abraçou. “Se você estiver mesmo grávida, o filho é meu. Pouco me importa se você dormiu com outro cara.”

Quando André chegou contamos pra ele. Que primeiro levou um choque e depois disse: “Eu não tenho material pra fazer aqui. Mas tenho um colega na faculdade que trabalha no laboratório do hospital no turno da noite. Ele é brother.” Fomos então ao tal hospital. Nem tive que preencher nada, foi só André coletar meu sangue. “Amanhã anoite tá pronto.” Disse o cara escrevendo ERDNAODAGIMAATAG no tubo com meu sangue. “O que é isso?” Perguntei. “Código. Lê de trás pra frente.”

Voltamos pra casa. André parecia mais preocupado do que Átila. Eu estava apavorada. Não sei se os dois conseguiram dormir. Eu num preguei o olho. “E se a criança nasce negra?” Pensei. Vou ter que falar com o Sandro. E ele vai se perguntar por que eu esperei até o bebê nascer pra contar pra ele. E eu vou responder: “Porque assim, eu sou meio galinha e não sabia quem era o pai.”

Foi então que, quase com o dia claro, senti a dor mais gratificante da minha vida. Uma dorzinha bem familiar no pé da minha barriga. Corri pro banheiro para atestar que era verdade. Vesti minhas calças e fui bater na porta dos dois. Átila abriu a porta e eu pulei nele. Ele me abraçou e disse para André que se aproximava: “Não precisamos mais pegar o exame amanhã.”

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Agora é tarde, Inês é morta

Depois que Michele se mudou fiquei só no apartamento, mas não por muito tempo. Nayana, que vivia tranqüila em casa, viu sua vida transformar-se num pesadelo quando a namorada do irmão foi morar na casa dela. A garota engravidou (segundo Nayana num belo golpe) e o irmão a trouxe pra morar com eles. Irmão esse com quem eu já... Pois é.

A menina usava a gravidez como desculpa pra tudo. “Esse quarto é muito calorento, o das meninas é mais ventilado.” Lá iam trocar de quarto. “Esse detergente me dá alergia.” E ela era dispensada de lavar a louça. “Esse leite em pó me dá azia.” Ou “Desde pequena como pão de forma sem casca.” E os gastos com supermercado aumentavam exponencialmente.

Ela tentou implicar comigo uma vez. Soube que eu e o “marido” dela (ela chamava assim) tivemos um caso breve. Estávamos no quintal conversando e ela olhou pra mim dizendo: “Quem tem marido que segure, porque tem umas catirobas aí doidas pra pegar o homem das outras.” Nem esperei mais nada. Dei-lhe um lindo tabefe no meio da cara. Ela se fez de vitiminha, mas Madame Suzete disse quando passei por ela: “Ela tava merecendo, minha filha.”

E Nayana sofria mais do que todo mundo, exatamente por ser irmã preferida de Érico. Então na primeira oportunidade ela veio morar comigo. Duas semanas depois que os AA me perdoaram e tudo ficou bem. Na verdade ela só não veio antes porque não tinha emprego. Foi bom morar com alguém de novo. Dividíamos bem mais do que contas. Dividíamos sonhos, saudades, gargalhadas e xampu.

O que aconteceu foi que a tal amiga com quem Michele foi morar resolveu dividir o teto com o namorado. E Michele ficou sem ter pra onde ir. Depois de falar com os AA e com Eric decidiu vir falar comigo. Primeiro pediu desculpas pelo modo como tinha me tratado no episódio com André. Disse que não tinha o direito de dizer o que disse e que estava profundamente arrependida.

Depois me contou a história por alto. Aparentemente ela estava sendo despejada da casa da amiga e não tinha mais canto pra morar. Sabia que Nayana tinha se mudado na noite anterior e disse: “As coisas dela ainda estão empacotadas. É só dizer que eu voltei.” “Amiga, eu te perdôo, mas sinto muito. É ela quem mora aqui agora.” Ela deu meia volta e saiu.

Nayana soube que Michele tinha pedido pra voltar. “Não tem problema, Lu. Eu volto pra casa. Se ela tivesse morando aqui eu estaria em casa mesmo.” “Mas ela não tá morando aqui. Desculpa, mas não vou deixar você sair daqui por isso. Qual é? Ela saiu, se mudou, pronto. Agora quer chorar no leite derramado?” Michele ficou com Eric alguns dias e por sorte um apartamento vagou.

Eu disse que a tinha desculpado, mas lá no fundo ainda estava bem chateada. Não ia desaparecer apenas com uma desculpa esfarrapada daquelas. Especialmente porque o que a motivou a pedir desculpas foi o fato de ter virado uma sem teto. Não porque tinha realmente se arrependido do que tinha feito. Inclusive me pareceu que ela estava fazendo de má vontade.

Mas voltamos a nos falar com regularidade. Nos encontrávamos com o resto da turma pra almoçar, íamos fazer as unhas e conversávamos sobre as últimas fofocas do campus. Nós tínhamos uma história que não dava pra apagar assim tão fácil. Eram anos de farras, brigas, risos e cera quente. Pra mim era um sentimento estranho. Mas sabia que com o tempo tudo voltaria ao normal. Sempre voltava.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Fazendo as pazes

Só fiz jogar minha mochila no chão. Saí do apartamento e fui bater na porta dos AA. Átila que abriu a porta. Quis fechar novamente, mas não deixei. Fui entrando e chamando André pra conversa. Pedi que os dois me escutassem. Não precisavam me perdoar. Apenas me deixassemeu falar e escutassem minhas explicações. Depois se quisessem me odiar pra sempre tudo bem.

Comecei. “Eu sei que o que eu fiz foi horrível. Eu sei que enganei vocês e que vocês me odeiam. Tem todo o direto de fazer isso. Mas eu queria dizer que não foi de propósito que eu magoei vocês. Vocês dois sabem que eu tenho dificuldade de me apegar. Exatamente por isso nunca fiquei sério com ninguém. Nunca quis. Mas com vocês foi diferente. E o que eu sinto por vocês eu nunca senti por ninguém. E sinto o mesmo pelos dois, sem diferença. Por isso foi tão difícil escolher. Porque amo os dois do mesmo jeito. E eu to aqui pedindo que vocês reconsiderem voltar pra minha vida. Porque bem antes dessa história toda nós éramos melhores amigos. E eu sinto falta de vocês. Se vocês não querem ser meus namorados tudo bem, eu aceito. Mas não queria perder meu amigos também. Eu amo vocês demais.”

Me levantei e saí. Nem escutei o que eles tinham a dizer. Átila provavelmente já tinha uma decisão tomada. Sentaria na varanda, fumaria um cigarro e tentaria se convencer de outras opiniões, mas seria em vão. André repassaria tudo na cabeça desde o dia que a gente se conheceu. Pesaria minhas faltas contra minhas qualidades e me daria um ponto extra por gostar de mim. Mas só se decidiria depois de conversar com Átila.

Duas horas depois estava em casa assistindo TV quando bateram na minha porta. Eram os dois. André foi o primeiro a falar: “Foi difícil chegar a essa decisão, Lu. Porque foi difícil admitir que a gente tivesse culpa nisso tudo. Eu realmente falei que você poderia ficar com quem quisesse. Depois o Átila me falou que te disse a mesma coisa. E eu percebi que nenhum de nós lutou por você o suficiente. Nós te entregamos na mão do outro, não posso ficar com raiva de você por isso.” Depois foi a vez de Átila: “Fomos dois imbecis. Não vai mais acontecer.” Dizendo isso me abraçou. André também. Então eu disse: “Fomos três imbecis.”

Pra comemorar Átila fez uma janta especial no apartamento deles. Colocaram música, velas e abriram um vinho. Ficamos conversando sobre bobagens e rindo descontraidamente na varanda. Não sei se foi o álcool, mas André olhou sério pra mim e disse: “Quero muito te beijar.” Eu nem esperei qualquer outro comentário. Beijei. Átila nos olhava com uma cara safada, como sempre. “Você ganha um também.” Disse beijando-o.

Me levantei e puxei Átila pela mão. Com a outra puxei André. Fui beijando os dois pelas paredes até o quarto de Átila. André me beijou apaixonado e quando terminamos o beijo notei que Átila já estava sem blusa. Ele me agarrou e me beijou apaixonado também. Quando percebi estávamos enroscados de tal maneira que não conseguia identificar se a mão que acariciava meu pescoço era de André ou de Átila. Curiosamente eu não era disputada. Eu era igualmente dos dois. Eles me beijavam e acariciavam numa sincronia que parecia ensaiada.

Dormimos os três ainda enroscados. Acordamos do mesmo jeito. Ficamos ali abraçados por um bom tempo. Decidimos que a partir dali tudo voltaria a ser como antes: amigos que de vez em quando dormem juntos e nada mais. Todo mundo tinha direito de sair com quem quisesse e ninguém reclamaria. André não achou ruim porque poderia me ter a hora que quisesse. Átila também não achou ruim porque também poderia me ter a hora que quisesse. E eu tinha meus amantes-amigos de volta. Win-win-win.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dando um tempo

Depois que virei a decepção da turma resolvi tirar meu timinho de campo e viajei pro meu antigo interior. A poucos quilômetros da cidade tinha uma praia paradisíaca, ótimo lugar pra pensar e colocar a cabeça no lugar. Arrumei minha mochila, tranquei o apartamento, tirei uma folga do trabalho e peguei a estrada. Duas horas depois chegava à casa do meu tio.

Contei assim bem por alto o que tinha acontecido. Não queria que meu tio achasse que eu era uma “dessas” meninas. Não falei nada sobre sexo, apenas que gostava dos dois. E na cabeça dele tudo que a gente trocava eram beijos e abraços, nada de outros fluidos. Ele me entendeu. Mas também não tinha todas as informações.

Dali fui pra praia. Resolvi ir de ônibus porque tinha planos de encher a cara. Estava sentada numa cadeira, olhando pela janela quando alguém se sentou subitamente do meu lado. Era Sandro. Me abraçou e beijou minha bochecha. Ele tava mais bonito que antes, se é que isso é possível. Mostrou o sorriso lindo e devastador e me perguntou o que me preocupava. Contei a historia toda, com todos os detalhes. “Esses caras são dois imbecis.” “Não, o que eu fiz foi horrível.” Ele disse depois sorrindo: “Foi mesmo, mas você é uma menina legal. Eles vão te perdoar.”

Caminhando pela areia reencontrei muitos amigos dos tempos antigos. Inclusive a Lena e o Roberth. Ficamos todos juntos botando os papos em dia. Uma hora depois não lembrava mais que tava chateada. Foi um dia tranquilo e relaxante. Quando voltei pra casa quase anoitecia. Paramos na calçada e Sandro disse: “Você faz falta nessa cidade, nunca apareceu nenhuma como você. Tem até umas doidinhas que tentam, mas nenhuma se compara a você. Você era muito louca, menina.” Depois me deu um beijo.

Estava lendo um livro quando escutei uma buzina lá fora. Passava da meia noite. Abri a janela e vi velhos amigos num jipe. Pedro H. que estava lindo, Pedro L. que estava com o cabelo grande, Lena e Conrado. Tinham mais duas meninas no carro, mas essas eu não conhecia. “Tá esperando o que, guria?” Troquei minha roupa e subi no jipe. Fomos pro Malassombro, como nos velhos tempos.

Mas o que eu não sabia era que agora o Malassombro era uma casa noturna. Tinha um bar, sinuca e tocava todo tipo de rock. E um palco onde as bandas locais tocavam. “Nossa, achei que essa casa já tivesse caído.” Disse ao entrar. “Que nada, a prefeitura mandou reformar e fazer esse barzinho aqui.” Respondeu Pedro L.. “Legal que o nome ficou.”

Joguei um pouco de sinuca com o Conrado, o que era quase impossível já que ele era o melhor da cidade. Bebemos um bocado e fumamos um lindo baseado. Um carinha veio me queixar. Disse que eu era a menina mais bonita dali e que queria me beijar. Eu falei que não tava afim, mas ele não me deixou em paz. Foi então que o Sandro chegou. E o Sandro tinha presença. Quando ele entrava numa sala todo mundo sentia.

Ele se aproximou de mim e sem dizer nada “obrigou” o mazela que me queixava a sair do lugar. Obrigou simplesmente com sua presença. Depois se sentou e me deu um longo beijo. Estava provado que eu não era uma doidinha qualquer. Ficamos por lá até umas três da manhã. Mas resolvemos ir pra casa dele.

Colocou “With or without you” pra tocar. Apagou as luzes e nos deitamos na cama. Ficamos nos beijando durante um bom tempo. Já nus, suados e abraçados disse: “Tenta falar com eles, Lu. Eles vão te perdoar. Eu perdoaria.” Percebi que o dia amanhecia. Dormimos abraçados e acordamos ao meio dia.

Quando abriu a porta notei que os vizinhos nos observavam. Dei-lhe um beijo na frente de todos. Nos despedimos e voltei pra casa do meu tio, que aliás, já sabia que eu tinha dormido na casa do Sandro. Me encheu de perguntas e sermões, ao que eu respondi apenas: “Desculpa, mas o nariz é meu e quem manda nele sou eu.” “É, deixa sua mãe saber disso.” “O que ela vai fazer? Brigar? Engraçado, pra ela é tudo bem trepar com o Renato.” Isso pegou meu tio de surpresa. “O quê, achou que eu não soubesse?” Ficamos em silêncio.

Peguei minhas coisas e antes de sair disse: “Não ache que eu sou idiota, tio. Eu sei muito bem o que eu faço. Eu sei muito bem quem ele é. E se eu fosse ela, pensaria duas vezes antes de me dar lição de moral.” Dali fui pegar a estrada de volta. Duas horas depois chegava ao meu solitário apartamento.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

So Busted!

Apesar de tudo ter ficado bem com a turma, Michele decidiu se mudar. André e eu terminamos num sábado. Na terça ela foi ser colega de quarto de uma amiga da faculdade. E até a sexta tinha levado todas as suas coisas. E mesmo depois que André e Átila me perdoaram (mais ou menos) ela não voltou a falar comigo.

A única pessoa pra quem eu falei sobre meu caso a três (bem no começo) foi o Eric. Estávamos conversando na varanda, tomando um vinho. E acabei contando sobre minha confusão amorosa com os dois irmãos. Eric me aconselhou o melhor que pode, mas deixou a decisão nas minhas mãos. E eu decidi ficar quietinha e não fazer nada.

O que eu não sabia era que Eric também tinha um Eric. Chamava-se Michele. E ele contou absolutamente tudo pra ela. Mas sei que foi sem maldade. A intenção dele não era fazer fofoca. Era simplesmente conversar e contar pra BFF dele o que tinha acabado de saber. Mas ela recebeu de outra forma.

O que ninguém sabia era que Michele amava Átila secretamente. Eles tinham namorado um tempo, mas ela terminou porque achava que era nova demais pra namorar sério. Depois conseguiram ser só amigos. Mas aparentemente foi uma decisão estúpida porque ela não o esqueceu. E ele nunca quis mais nada com ela, só amizade.

Pois bem, estávamos almoçando na faculdade quando Michele chegou com uma cara de abuso. No meio da refeição simplesmente disse pra todo mundo: “Vocês são dois idiotas. Ela tá dormindo com vocês dois.” Ela olhou pra Átila: “Ela voltou com André, mas não deixa ele dizer nada pra você não saber.” E depois pra André: “Quando ela não tá dando pra você, tá dando pra ele.” Levantou-se e simplesmente saiu. Silêncio absoluto na mesa. Eu peguei o resto de dignidade que me restava, limpei uma lágrima que caía na minha bochecha e também saí. Sem dizer nada.

Entrei no meu apartamento e sentei no sofá. Não consegui mais chorar. Apenas olhava lá pra fora. Átila entrou empurrando a porta com raiva. Estava vermelho. André mantinha a cara fechada e a cabeça baixa, o que significava que estava com ódio. Átila começou a gritar e me chamou de todos os nomes que ele se lembrou. Mas eu continuei absorta olhando pra varanda. O que me preocupava era a raiva de André. Assim calado e distante era difícil saber o que ele pensava. Não era nada bom decerto.

Depois que terminou o discurso Átila sentou exausto na cadeira. A sala entrou em um silêncio pesado. Então, sem levantar sequer a cabeça, André falou: “Por que você fez isso, Lu?” Eu respondi da forma mais simples que consegui. “Porque eu não consigo escolher. Porque eu amo vocês dois.” Átila simplesmente levantou-se e saiu. André ainda demorou um pouco ponderando Deus sabe o quê, mas também saiu sem dizer palavra.

Depois de uns 30min Eric entrou. Me pediu milhões de desculpas. “Amigo eu sei, não precisa se desculpar.” Estava triste por ter magoado os dois, mas sinceramente aliviada que não precisaria mais enganá-los. Átila era mais explosivo, mas também o que se acalmava mais rápido. André era diferente. Demorava a ficar chateado e era igualmente demorado tirá-lo desse estado.

Não tinha nada que eu pudesse fazer nesse momento. Só me concentrar em outras coisas pra ajudar a passar o tempo. Era isso que os dois precisavam: tempo. Tempo pra se acalmar. Pra conversar e talvez, só talvez, brigar um pouco. Não acreditava que isso pudesse acontecer de verdade. Mas com certeza o apartamento deles ficaria silencioso por um tempo. O meu já estava.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Esconde-Esconde

Previously on Lucíola – Don’t kiss and tell... Viajamos pra casa do namorado do Eric e lá na hidromassagem eu, André e Átila fizemos um ménage. Nesse dia descobri que André gostava de mim. Começamos a namorar, mas eu reencontrei o Gambit e o beijei na frente de todo mundo. André terminou o namoro e Átila ficou com ódio de mim, inclusive me jogou numa mesinha de café e eu quebrei o braço. Mas foi um acidente.

André veio me ajudar com minha pia possuída e acabamos transando no chão molhado da cozinha. Depois disse que apesar do que tinha acontecido precisava de tempo, não queria voltar ainda. Mas depois me fez uma proposta irrecusável. Arrependido Átila fez janta pra mim e lavou minha louça enquanto dizia que era, também, apaixonado por mim. E mais, me fez a mesma proposta irrecusável de André. E isso foi o que aconteceu até agora.

Tecnicamente eu estava namorando com os dois. Mas na verdade não estava namorando com nenhum. André não queria que Átila soubesse por tinha medo da decepção do irmão. Depois do eu tinha feito ele não podia se rebaixar e me querer de volta. Já Átila não queria que André soubesse por que sabia que isso iria magoar o irmão. “Meu irmão e minha namorada?” Casos de família com certeza.

Na teoria era fantástico, mas na prática a história era diferente. Quando Átila queria sair comigo, mas eu já tinha marcado com André dizia que tinha marcado com um terceiro amante chamado Thiago. Quando era ao contrário, André queria ficar comigo, mas aquele horário estava prometido a Átila, eu dizia que estava vendo um rapaz chamado Felipe. As conversas em grupo começaram a ficar realmente confusas.

Um dia estava na cozinha preparando um lanche e André me esperava na cama Átila entrou e começou a me beijar. “Eu to com companhia.” Disse a ele. “Ah, dispensa esse cara e vem ficar comigo.” “Não posso. Já tinha marcado.” Átila enfim saiu e, assim que eu fechei a porta André saiu do quarto: “Tava falando com quem?” “O Átila veio pedir café.” Eu já tava suando nessa hora.

Outra vez fui ao cinema com Átila. Antes de entrar na sala eu quis ir ao banheiro. Dei-lhe um beijo e ele foi na frente. Assim que me virei vi André na fila de costas. Não me viu, mas eu parecia uma retardada me esgueirando nas colunas e latas de lixo. Depois voltei pra sala me sentando ao lado de Átila. Cinco minutos depois adivinha quem entra na mesma sala? Eu e Átila nos escondemos e André sentou três fileiras na frente da nossa. Foi o filme mais tenso que já assisti.

Fui começando a cansar. Então resolvi aos poucos contar que estava com os dois. Primeiro disse a André. “O Átila me beijou ontem. Nós ficamos.” “Vocês... chegaram a...?” “Chegamos.” Ele ficou quieto e não falou nada. “Não fica chateado.” “Não to chateado, só to processando. Acho que ele esqueceu tudo né?” “Acho que sim.” E foi isso. Depois falei com Átila. “O André disse que queria ficar comigo, mas era só fica mesmo. Nada sério.” “Vá fundo.” “Sério? Você não se importa?” “Com ele pode.” E me beijou.

Comecei sutilmente comentar mais coisas dos dois. Que fomos ao cinema, jantar num restaurante novo, assistir uma peça ou exposição de arte. Fiquei uns três meses nesse leva e trás. Às vezes Átila comentava que tava achando meu lance com André sério. Mas eu dizia que era só impressão. Já André pressionava em dizer logo a verdade pra todo mundo, mas se isso acontecesse Átila saberia que eu tava mentindo. Não ia gostar nem um pouco.

Foi aí que notei que estava com um problema. Tava tudo muito bom, mas infelizmente tinha que acabar. E eu tinha que escolher um deles. Não queria oficializar as coisas com André porque assim perderia Átila. E dizendo tudo o que tinha acontecido nos últimos meses perderia os dois. Fui deixando a correnteza me levar. E graças ao ciúme de Michele tudo terminou da pior forma possível.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Propostas Irrecusáveis

Estava tomando café quando André entrou. Parecia aflito e andava de um lado pro outro. Eu na hora achei que tinha descoberto sobre mim e Átila, mas se fosse isso Átila estaria ali também. Tentei manter a calma e esperei ele falar. Ele parou no meio da sala e com a mão na cintura disse: “Tá, eu vou dizer logo. Eu quero voltar. É isso. Eu sinto sua falta e quero voltar.” Eu sorri e o abracei. André sorriu também e disse: “Eu senti muito sua falta.” Depois me beijou.

“Mas assim, ninguém pode saber. Não quero que o Átila saiba.” “Por quê?” “Você viu como ele ficou. Se eu digo que to com você de novo ele fica possesso. Vamo manter segredo.” “Não sei se isso vai dar certo, André.” “Claro que vai. E nem me incomodo se você quiser ficar com outra pessoa, na verdade ajuda no disfarce.” Fiquei sem saber o que dizer. “Calma. Você tá dizendo que eu posso ficar com outras pessoas e você não se incomoda?” “É. Mas não precisa entrar em detalhes.” “E se o Átila quiser ficar comigo?” “Tudo bem, só não precisa me dizer.”

Aceitei. Era um acordo justo. A gente ficava junto e mantinha isso em segredo e eu podia namorar outras pessoas sem ter que dizer quem era. Acordo muito justo. Nos agarramos um pouquinho no sofá onde contei que tinha quebrado o braço no chuveiro, mas André tinha que ir pra faculdade. Vinte minutos depois que ele saiu Átila apareceu. A aula dele daquela manhã tinha sido cancelada. Estava livre como eu (que não fazia nenhuma cadeira na quinta) e veio me fazer uma visita. Perguntei o que ele faria se o André propusesse exatamente o que propôs. “Ficaria livra pra ficar com você.” Respondeu em tom de brincadeira. Mas eu sabia que se dissesse a verdade ele não aceitaria ficar comigo.

“Queria te propor uma coisa, Lu.” “O que?” “A gente fica mais ninguém pode saber e não me importo se você ficar com outra pessoa.” “E se o André quiser ficar comigo?” Plano maquiavélico né? “Pode ficar, mas se ele quiser voltar firme a gente termina.” “Deixa eu ver se entendi: A gente fica, eu posso ficar com outras pessoas incluindo o André, mas só se ele quiser namorar sério de novo a gente termina?” “Isso mesmo.” Justo. Muito justo. Justíssimo.

Depois do acordo de regras fomos para o quarto. Uma manhã inteira livre é a oficina do diabo. Ficamos revirando os lençóis até quase a hora do almoço. Átila teve uma idéia pra me trazer de volta ao grupo. Ia dizer que tinha se arrependido do modo como me tratou e que se André tivesse de acordo seríamos todos amigos de novo. Nos encontramos com a turma no restaurante da faculdade. Estranharam ao me verem exatamente com Átila (que parecia me odiar mais).

Mas, labioso do jeito que era, convenceu a todos (Michele inclusa) de que meu gelo já tinha durado o suficiente. André disse que eu poderia ser sua amiga de novo e a ordem estava restaurada. Voltamos a conversar e brincar como antes. Meu olhar ia de irmão pra irmão. Os dois olhavam pra mim com o triunfo interno de quem esconde um segredo. André às vezes sorria quase se entregando, mas como ninguém notava estávamos a salvo. Átila piscava deliberadamente, mas por ser Átila não se tratava de uma atitude suspeita.

E no meio estava eu. Amando os dois, querendo os dois e secretamente sendo amante dos dois. Realmente não me senti traindo nenhum deles, afinal eles mesmos me deram a liberdade de ficar com quem eu quisesse. Mas sabia, lá no fundo, que isso ia acabar mal. Assim prometi aproveitar ao máximo cada momento.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Recaída 2

Depois que saí do hospital fui ao supermercado fazer compras. Quando terminei de pagar percebi que talvez não tenha sido uma boa idéia. Não tinha me ocorrido que carregar sacolas com o braço engessado seria uma árdua tarefa. Com muito esforço as coloquei no carro (ah é, comprei um carro) e fui pra casa. Tirava do elevador quando fui surpreendida por Átila.

Me ajudou mesmo eu dizendo que não precisava. Colocou as sacolas na mesa da cozinha e me ajudou, em silêncio, a guardar tudo nos lugares corretos. Ainda de costas perguntou colocando algumas coisas na despensa: “Fui eu que fiz isso, né Lu? Foi minha culpa.” “Foi um acidente, Átila.” Ele virou-se pra mim com uma lata de ervilha na mão. “Me desculpa.” “Tudo bem.” Mas ele não pareceu se perdoar.

Caminhei até ele que ainda segurava a mesma lata de ervilha. Tava cabisbaixo. “Átila, foi um acidente.” Ele virou-se. “Eu sei que você nunca me machucaria de propósito.” Ele não disse nada, apenas me abraçou. Um abraço longo e apertado, como choro preso na garganta. Conseguiu enfim guardar a lata de ervilha. “O que eu posso fazer pra recompensar?” “Que tal esquecer a merda que eu fiz com o André?” Ele olhou pra mim sorrindo com uma de “assim é demais, né?” “Prometo fazer o melhor que eu posso.” “E que tal se você viesse jantar comigo hoje anoite? Ultimamente como sozinha.” “Melhor, eu venho fazer a janta.” Disse me dando um beijo na testa e saindo.

Reapareceu por volta das seis. Ele começou a cozinhar e eu fiquei assistindo. Voltamos a conversar como antes. Parecia ter esquecido tudo o que tinha acontecido. Talvez tivesse só com a consciência pesada, mas eu não acredito nisso. Acredito que ele percebeu que não precisava passar por cima de tudo e todos pelo irmão. E eu mesmo com o braço engessado não tinha mágoa dele.

Tivemos um jantar super agradável. Comentamos os últimos acontecimentos e rimos um bocado. Mas não tocamos no nome de André. Eu comecei a tirar os pratos da mesa e ele falou: “Onde você pensa que vai?” “Lavar a louça.” “Com esse braço aí?” Rimos. Lá foi Átila lavar a louça. E eu fiquei do lado enchendo o saco dele. Quando terminou cobriu o escorredor com um pano de prato e se escorou na pia. Segurou minha mão e disse: “Você acha que vão voltar?” Aquela pergunta me pegou de surpresa. “Não sei, mas tenho a impressão que não. Pelo menos não agora.” “Ele disse isso, foi?” “Foi. Ontem anoite. Disse que precisava de tempo.” “Que bom.” “Por quê?” “Porque não vai ser errado fazer isso.” Me puxou pela mão e me beijou.

Demorei alguns segundos pra entender o que acontecia. “Que foi isso?” Ele olhou pra mim em silêncio, como se procurasse a maneira certa de dizer alguma coisa. “Fiquei com vontade de te beijar.” Mas sua expressão mostrava que não era só isso. Insisti um pouco e ele cedeu. “Faz tempo que quero te beijar.” “Quanto tempo?” “Muito tempo. Desde o dia que você me atacou no chuveiro. Desde aquele dia que penso em você o tempo inteiro.” Fiquei surpresa. Mas naquele momento era livre e desimpedida.

Sem dizer nada puxei Átila pela mão. Levando-o até meu quarto. Depois que tirei sua blusa chegou a dizer que não podia. Caminhou até a porta da sala, mas voltou de repente. “Ah, quer sabe? Foda-se.” Disse me beijando. Fomos para debaixo das cobertas. Meu braço atrapalhou um bocado e rimos muito durante a coisa toda, mas foi formidável. Átila era um amante espetacular.

Estávamos abraçados há algum tempo, olhei para Átila que parecia preocupado. “Que foi?” “O André não pode saber, isso ia acabar com ele.” Concordei. Continuamos abraçados e acabamos dormindo. Átila acordou assim que o dia raiou. Me deu um beijo na testa e saiu. E eu sorri. A partir de agora tínhamos um segredo.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Recaída

Minha primeira separação foi assim: Dolorosa e separatista. Eric e Nayana ainda falavam comigo, quando nos encontrávamos no corredor ou algo assim. Mas não falavam de mim para os outros três. Os outros três não queriam me ver nem pintada. Pela primeira vez me senti só. Fiquei isolada do resto do grupo e sinceramente achei que mereci.

Mas na semana seguinte ao término a história mudou um pouco. Minha pia fez o favor de quebrar. E eu entendo de pias tanto quanto de ácidos desoxirribonucléicos. O susto que o jato d’água me deu me fez gritar. Alto. O cavalheiro mais próximo era André. Foi ele que veio em meu socorro.

Me vendo naquela situação (cômica) fez o que era mais nobre: ajudou. Conseguiu parar o vazamento com a blusa. “Pronto, tudo certo. Eu não preciso de blusa mesmo.” Eu ri. André olhou pra mim e deu um passo na minha direção. Um passo hesitado e pequeno. Dei um passo em sua direção também. O meu foi firme. Ele caminhou até mim decidido. Me beijou sem hesitar.

O chão alagado virou uma cama maravilhosa. Rapidamente a água ficou morna. Minha blusa foi parar no escorredor de pratos, meu short no fogão. Nos beijávamos de tal maneira que parecia que nosso ar estava no pulmão do outro. Paixão pura e simples. André me olhava como antes, com brilho no lugar de tristeza.

Alguém bateu á minha porta. Estávamos deitados abraçados no chão molhado. Átila chamou meu nome. Nos vestimos depressa. Abri a porta e Átila entrou desconfiado. “O que tá acontecendo?” “Um cano da pia que estourou, só consegui amarrar com a minha blusa.” André era um mentiroso medíocre. Gaguejava, suava, não conseguia olhar nos olhos. Mas nesse dia foi impressionantemente convincente. Átila simplesmente olhou ao redor e os dois saíram.

Depois desse momento não consegui parar de pensar em André. Até então só tinha pensado nele, óbvio. Mas era diferente. Pensava nele como alguém que eu magoei e que nunca mais iria me querer perto. Agora pensava com um sorriso de quem considera que foi perdoada. Os dois dias que eu passei chorando estavam completamente esquecidos.

Na noite seguinte André bateu á minha porta. Já entrou me beijando. Disse que estava com saudade, mas que ainda estava magoado. Ele fazia os dois diálogos na cabeça. O de acusação e o de defesa. Pedia desculpas, caminhava pra outro estremo da sala, falava várias vezes que o que eu fiz foi imperdoável e depois voltava a me beijar dizendo que me amava. “Você não precisa decidir agora. Eu não vou a lugar nenhum.” Disse abraçando-o. “Leve o tempo que você precisar.”

Dali fomos pro quarto. Ficamos abraçados conversando sobre bobagens. André contou como estava a faculdade e eu contei como estava meu trabalho. Contamos algumas piadas e ele enfim decidiu. “Preciso de mais um tempo, Lu. Quero muito te perdoar, mas quando penso no que você me disse, quando imagino vocês dois não consigo. Preciso digerir isso um pouco mais.” Eu já chorava. “Mas quero voltar a ser seu amigo. Sinto sua falta.” Dormimos abraçados.

Acordamos com os gritos de Átila. Nessas horas ele virava um pai super brabo. André sabia que era besteira tentar conversar com Átila alterado assim. Simplesmente saiu. Depois que André passou pela porta Átila se virou e me segurou pelos dois braços. “Você não acha que ele já sofreu demais? Quer o que é melhor pra ele? Então se afasta!” E me empurrou, nem percebeu que atrás de mim tinha uma poltrona. Eu rolei sobre ela e aterrissei na mesinha da sala. Mas Átila já tinha saído, não viu o que aconteceu.

Acredite quando eu digo que ele jamais faria algo assim de propósito, mesmo com raiva. Foi um acidente e nada mais. Digo isso porque acabei no hospital engessando o braço. Alguma coisa com meu cotovelo. E nas minhas costas e costelas lindos hematomas. Lindos porque pareciam uma pintura cubista. Aprendi assim uma digna lição: Aqui se faz, aqui se paga.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Não podia ser pior

Estava eu namorando firme e seriamente, pela primeira vez na minha vida, quando a pessoa que eu menos achei que fosse rever reapareceu. Chego já nele. Vou criar um mistério aqui. André foi minha primeira relação séria. O primeiro cara que me amou de verdade, que não foi preso ou casou e engravidou outra. Com André eu tinha um amor verdadeiro, possível e correspondido. Estava feliz como nunca estive.

Mas o destino é uma bitch. Estávamos comemorando o aniversário de três meses de namoro na praia. Os dois agarradinhos, ainda bem melosos, a turma reunida. E eis que lá ao longe avisto uma silhueta conhecida. Fiquei pálida na hora. Comecei a tremer e me levantei tão rápido que fiquei tonta. Fui atrás do rapaz, obviamente, e com o coração já saindo pela boca chamei: “Gambit?”

Ele virou-se e muito surpreso perguntou: “Lucíola?” Nos abraçamos. Nunca, nem em um milhão de anos achei que o veria de novo. Eu comecei a chorar e ele enxugou minhas lágrimas. Depois me beijou. Confesso: Beijei de volta. E gostei. Tanto que continuei beijando. Estava beijando há algum tempo quando me lembrei que tinha namorado. Quando me virei André saía enraivecido com Átila chamando-o atrás. Não o culpo.

Corri atrás dos dois e consegui encontrá-los no carro. Átila olhou pra mim de um jeito que nunca tinha visto. Com ódio mortal. Nunca achei que ele pudesse sentir tanto desgosto. Pedi que me deixasse explicar a André, mas ele não deixou. Entraram no carro e foram embora. Peguei o primeiro táxi que vi. Cheguei ao apartamento à tempo de ouvir a porta batendo.

Eu bati exaustivamente na porta pedindo pra que me deixassem explicar, mas eles não abriam. Fui um pouco mais “bad ass” e chutei a porta até que ela abrisse. Átila me segurou pelo braço: “Ele não quer falar com você! Vai embora!” Ele tava realmente machucando. Só então entendi que tinha magoado Átila mais do que tinha magoado André. Ele olhava pra mim com um profundo desprezo. Como se não me conhecesse e eu tivesse feito de propósito.

Átila me empurrou pro corredor e, não sei como, conseguiu trancar a porta. Sentei no chão e esperei. Não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser chorar. Foi o que fiz. Chorei. Chorei por ter magoado André. Pelo jeito como Átila me tratou. Por ter reencontrado Gambit. Por ter sido num péssimo momento. Por ter sido tão burra. Por tê-lo beijado e porque eu gostei. Mas não fui embora.

Da turma a única que ainda veio conversar comigo foi Nayana. Contei que Gambit tinha sido um ex muito importante. E que há tempos a gente não se via. Que não tinha feito de propósito, apenas fui levada pela emoção. E que me arrependia como nunca tinha me arrependido de nada na minha vida. Nayana entendeu. Eric entendeu também depois. Passei a madrugada ali no chão e notei que tinha uma mão roxa marcada no meu braço. Dormi sentada no mesmo canto. Não levantei nem pra comer ou ir ao banheiro.

Pela manhã Átila me deixou entrar. Mas ainda me olhava com desprezo. Eric e Nayana me deram uma força. Aparentemente André queria me ver. Contei tudo. Sobre Gambit e sobre a In Omnia Paratus. André achou que eu tivesse brincando. Pedi milhões de desculpas e jurei nunca mais fazer nada assim. Mas não menti. Disse que Gambit foi um grande amor e que parte de mim tinha gostado daquele beijo. Mas que isso era passado.

André me escutou, mas depois me pediu pra sair. Fiz o que ele pediu. Fui pra minha casa e chorei mais ainda no meu travesseiro. Nesse momento a turma se dividiu. Nayana e Eric ficaram comigo. Michele ficou do lado de André. Ela me olhava do mesmo jeito de Átila. Parou na porta e fez um pequeno discurso. Não lembro as palavras exatas, mas falou que eu era promíscua e que André tinha cometido um erro ao se apaixonar por mim. Que eu não ligava pros sentimentos de ninguém, que era egoísta e vaidosa e que iria se mudar, pois não agüentaria olhar pra mim depois do que eu fiz com André.

Não tentei me justificar. Assumi meu erro. Fui uma estúpida mesmo. Concordo. Mas me arrependi verdadeiramente do que fiz. Não porque Átila ou Michele me odiavam. Mas porque André não merecia. Ficava imaginando como ele estaria se sentindo. E aquilo doía em mim mais do que tudo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Flagrante

Eu saía de uma prova na faculdade quando meu celular tocou. Era uma amiga dos meus tempos áureos de alta sociedade. Estava casando e estava me convidando para a festa. Mas ela tava me convidando antes para o chá de panela, o chá de lingerie e o chá de outra-coisa-que-não-lembro.

Aceitei por educação, mas quando cheguei em casa e conversei com o povo percebi que realmente não via aquele pessoal há muito tempo e esta seria uma ótima oportunidade. A festa de despedida de solteira teve direito a tudo inclusive strippers e jello shots (gelatinas alcoólicas). E nos vários chás ela ganhou presentes suficientes pra nunca mais precisar comprar nada. Mas o dia especial finalmente chegou.

O que eu não sabia era que algumas senhoras do Stella (meu time de vôlei) estavam presentes. O casamento ocorreu chato como qualquer outro. Igreja, flores, crianças correndo, tios bêbados passando a mão nas jovens. Enfim todos os clichês estavam presentes. E no meio dos convidados antigos colegas do colégio.

Numa espécie de “reunion” resolvemos sentar à beira da piscina e conversar. E um dos meninos, sei lá por que motivo, achou uma boa idéia acender um baseado. Se pareço crítica é só agora, na hora me pareceu uma boa idéia também. Fazia um bom tempo que eu tinha parado com a maconha e boa parte das bebedeiras. Achei que um baseadozinho inocente não iria fazer mal.

Pois bem. Estávamos lá fumando quando de repente aparece uma senhora aos berros nos chamando de maconheiros. Tecnicamente nós éramos, mas ela não precisava daquele alarde todo. Resultado: todo mundo preso pelos seguranças. Ameaçaram até chamar a polícia. Mas um tio resolveu toda a situação com a frase: “São adolescentes, fazem isso mesmo.” E a maioria saiu ilesa.

Comigo a história foi diferente. Como eu era integrante de um dos maiores e mais respeitados times da cidade não podia ter comportamentos inadequados. A integridade do Stella era mantida a qualquer custo. Ali mesmo uma das senhoras começou a falar que eu já estava expulsa. Ajudada pelas outras. Meu futuro como atleta estava por um fio.

No dia seguinte recebi uma ligação da treinadora. O comitê do Stella me aguardava pra uma audiência. Quando cheguei fui recebida numa enorme sala com uma mesa gigante rodeada de senhoras. Começaram a falar da história do time e de como eu era uma felizarda por ter sido escolhida. E que o que eu tinha feito era inadmissível. Concordei. Não podia fazer outra coisa. E então elas me pediram pra justificar.

“O que eu fiz não tem justificativa e eu assumo que foi uma burrice. Mas eu não queria ser expulsa por apenas um erro besta. Foi uma coisa de momento, vi meus amigos fazendo e tive curiosidade. Não pretendia e nem pretendo fazer mais nunca. O Stella significa muito pra mim e eu não queria perder a oportunidade de fazer parte dessa família. Eu tive um comportamento exemplar até essa bobagem. Por favor não me expulsem.” (sim, eu menti, grande coisa)

Elas precisavam deliberar. Eu saí da sala e fiquei uns vinte minutos esperando no corredor. Quando enfim me chamaram novamente tive a impressão que tudo estava acabado. “Você está suspensa por 45 dias. Não foi expulsa por seu comportamento até então exemplar. Mas por seis meses terá que fazer exames de sangue sempre que for solicitado por esse comitê. Você aceita esses termos?” (Hell, yeah!)

Fui pra casa com uma sensação de alivio enorme. Se elas investigassem um pouco mais saberiam da mentira enorme e cabeluda que eu tinha contado. Ainda bem que eram senhoras ocupadas.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Just Romance

Era sete e meia em ponto quando André bateu na minha porta. Vestia-se com calça social, camisa bem passada e sem o boné. Estava um gato. Trazia também uma rosa branca que me entregou me beijando. Fiquei com as pernas trêmulas. Há tempos não me sentia assim. Depois do beijo disse sorrindo: “Boa noite.” Eu confesso que tava abobalhada e respondi um “Boa” desengonçado. Peguei minha bolsa e saímos.

Fomos a um restaurante muito agradável. Com iluminação propícia, pianista (com quem, aliás, eu toquei antes de irmos embora) e ótimo atendimento. Conversamos sobre muitas coisas e André não parava de acariciar meus cabelos e meu rosto. Só parou com os beijinhos quando começamos a comer, mas não com as carícias.

Contamos muitas histórias da nossa infância. A maioria já era conhecida, mas entramos nos detalhes. Contei pra ele sobre o Sandro e o Roberth, os dois caras que mais fizeram diferença na minha vida, os dois que amei de verdade. “Eu vou ser o terceiro.” Disse baixinho no meu ouvido. “Já é.” Respondi beijando-o.

Ficamos no restaurante até quase meia noite. Conversando, tomando vinho e beliscando queijos e sobremesas. Nem notei o tempo passar. Só percebi que era tarde quando olhei ao redor. Restavam poucas pessoas no restaurante. André foi um cavalheiro e nem deixou que a conta chegasse à mesa, foi pagar no caixa sem que eu notasse.

De lá voltamos pra casa. Me deixou na porta e quando o chamei pra entrar recusou. Perguntei o porquê e ele respondeu colocando meu cabelo atrás da orelha: “Porque quando acontecer quero que seja especial.” Me deu um beijo de boa noite. Entrei suspirando e dormi com um sorriso no rosto. Acordei com um sorriso no rosto também. O mais difícil foi escovar os dentes e comer com um sorriso no rosto.

No outro dia, um belo sábado, fomos pra casa da Nayana, pra famosa feijoada da mãe dela. Quando nos viu entrando na casa de mãos dadas a vó de Nayana chamou André e cochichou em seu ouvido: “Até que enfim, né?” Ele apenas riu sem jeito. E ela fez questão de avisar pra família inteira. O que nos deixou com um pouco de vergonha.

Passamos o resto da semana nos encontrando anoite, única hora em que ele tava em casa. Ficávamos uma hora nos beijando no sofá e conversando sobre as coisas do dia. Depois dessa brevíssima hora ele tinha que ir dormir. Até queria ficar mais um pouco, mas eu sabia que se ele fizesse isso não ficaria bem no outro dia. Ele tinha um médico pra ser. E eu não queria atrapalhar.

Na sexta seguinte nos beijávamos no sofá dele quando falou: “Amanhã queria que você viesse jantar comigo.” Aceitei. Sabia o que isso significava. Na outra noite bati na porta. E fui recebida por um apartamento romântico. A luz tava baixa e o jantar preparado pra ser à luz de velas. Átila saiu da cozinha dizendo: “Só esperar o queijo derreter. Boa noite pra vocês.” E saiu nos deixando a sós. “Pra onde ele vai?” “Tá de caso com uma colega do curso. Vai dormir na casa dela.”

Jantamos e sentamos no sofá. Ficamos conversando e bebendo vinho. Ele colocou blues pra tocar e ficamos nos beijando por um bom tempo. Ainda à luz de velas e com tudo dito ao pé do ouvido. Depois de um longo beijo se levantou. Pegou minha mão e fomos pro quarto.

Tirou a blusa e eu deixei a minha cair no chão. Me beijou trazendo meu corpo pra junto do dele. Quando minha pele entrou em contato com a dele me senti derretendo. Nossos beijos ficaram cada vez mais intensos. Beijos sugados e apaixonados. Quando percebi estávamos suando entrelaçados numa linda flor de lótus. Ele me agarrou forte olhando nos meus olhos. Senti seu corpo tremendo. O meu também.

Ficamos assim abraçados por um bom tempo. Deitamos, por fim, e trocamos mais beijos e carícias. Não conseguíamos parar de sorrir. Estávamos os dois nas nuvens. Dormimos assim, abraçados e nas nuvens.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

André e eu

Quando voltamos do feriado notei que André ficava cada vez mais distante de mim. E ele percebia que eu percebia. Ficava desconcertado, mudava sempre de assunto e se ajeitava na cadeira quando me pegava olhando pra ele. Átila tentava acobertar. Nunca deixava que eu e André ficássemos a sós. Também ficava desconcertado e mudava de assunto quando eu pousava meus olhos em André.

Uma semana depois marcamos de ir ao cinema. Eu esperava em casa pelo resto da gangue e André foi o primeiro a chegar. Michele se atrasou porque uma das modelos resolveu comer uma alface amais no almoço e não cabia mais na roupa. Átila estava na aula de culinária (esqueci de dizer isso) e iria de lá para o cinema. Nayana fazia um trabalho da faculdade na casa de uma amiga e Eric ligou dizendo que estava a caminho.

André começou a ficar realmente nervoso quando viu que ficaríamos a sós. Tentou inventar uma mentira pra sair, mas eu fui mais direta. Perguntei o que tinha de errado. “Faz uma semana que você mal olha pra mim, que mal fala comigo.” Silêncio. “É verdade?” Silêncio. “É verdade, André?” “É verdade. Eu te amo. Pronto, falei.” Minha vez de fazer silêncio. “Há quanto tempo?” “Desde o dia em que a gente se conheceu na sala de teatro. Desde a primeira vez que olhei pra você.”

Eric chegou. O clima tava pesado, estranho. Eu nem lembro que filme fomos assistir. A conversa com André não saía da minha cabeça. Ele, aliás, fez questão de sentar longe de mim. Ficamos assim distantes por mais uma semana. Ele sempre parecia constrangido na minha presença e Átila fazia o que podia pra que tudo parecesse o mais normal possível. E então eu recebi uma carta...

André me entregou numa madrugada. Abri a porta de pijama e ele simplesmente colocou o envelope na minha mão, mas não disse nada. Nem voltei pro quarto pra ler. Sentei na primeira cadeira que vi. Na carta ele pedia desculpas por ter dito tão abruptamente (palavra dele) que me amava na hidromassagem e que foi lá que Átila soube também. Que como nunca tinha demonstrado nenhum sentimento em relação a mim não tinha direito de fazer isso agora. Também dizia que me amava e que era doloroso me ver “nos braços de outros” enquanto ele sofria calado. Mas não me pedia para parar. Não exigia nada.

Assim que terminei fui lá bater na porta dele. Quando chegamos ao quarto perguntei: “Porque você nunca disse nada?” “Porque não ia adiantar nada, você não sente a mesma coisa por mim.” “E quem disse que eu não posso sentir a mesma coisa por você? Eu não sinto porque nunca sequer pensei nisso, nunca achei que houvesse essa possibilidade. Eu te vejo quase como um irmão.” “Pronto. Aí está. Eu gosto de você e você me vê como irmão.” “Antes era assim. Agora te vejo como um cara super legal, que eu conheço e amo. E seria uma honra ser cortejada por você. Se você me ama, lute por mim.” E dei-lhe um beijo no rosto. “Boa noite”

No outro dia o clube se encontrou pra almoçar. André me chamou a um canto. Segurando minha mão e acariciando meu cabelo disse: “Conversei com o Átila. Ele concordou com você. Eu nunca sequer tentei né? Fiquei te vendo à distância. Fiquei com medo de começar alguma coisa e depois dar errado, ia acabar nossa amizade. Mas ele disse: “Você nem começou ainda, já ta pensando em acabar? Se não der certo eu te levo num puteiro e você esquece ela.” Ele tem razão. Não sobre o puteiro, mas sobre todo o resto. Pois bem, o que você acha de jantar comigo hoje anoite?” “Eu ia adorar.” Então ele me deu um beijo.

Quando voltamos à mesa tudo estava diferente. Éramos uma família de novo. Não havia mais distância nem entrelinhas. André me olhava e sorria, Átila fazia suas piadas infames e os outros três comentavam sobre o beijo de instantes atrás. O mundo era lindo de novo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Jacuzzi

Água morna, espuma e nudez: A fantasia sexual de ambos os sexos. E uma garota para dois rapazes: também a fantasia de ambos os sexos (mesmo pra quem nega). Entramos na banheira para relaxar e conversar. Acabamos num ménage. Eu e os dois irmãos paranormais pervertidos.

Átila era com certeza o mais afoito. Foi ele quem começou a coisa toda me beijando. Nós três estávamos de joelhos no meio da banheira (que era enorme), André beijava minhas costas e acariciava minhas pernas enquanto eu beijava Átila. Mas André fez algo que realmente me acendeu. Colocou a mão entre os meus cabelos e, comigo ainda de costas pra ele, me tirou dos lábios de Átila, me trazendo para os seus.

Átila beijou meu pescoço e foi descendo vagarosamente para os meus seios. Mas suas mãos brincavam espevitadas entre as minhas pernas. André me puxou, fazendo com que ficasse de frente pra ele e beijou minha barriga. Átila, que agora estava atrás de mim, segurou meu quadril e me fazendo ficar de quatro. Colocou vagarosamente me fazendo gemer.

André me beijou e sentou-se na beirada da banheira. Me deu mais um beijo e segurou meu cabelo. Sabia o que ele queria. E fiz com gosto. Usei meus lábios e minha língua como nunca. André gemeu alto, tanto que Átila disse tarado: “Ah, também quero.” Ao que André respondeu entre gemidos: “Ah, péra aí...”

Ficamos nessa configuração alguns minutos. André voltou para a água e me fez sentar em seu colo. Átila ficou em pé ao meu lado. “Quero tratamento VIP, viu?” Disse sorrindo pra mim. “Você manda.” Respondi, e fiz o tratamento VIP. E foi a vez de Átila gemer alto. André beijava meus seios e deslizava as mãos das minhas costas às minhas coxas.

Átila se ajoelhou às minhas costas, me puxou pelo cabelo para beijá-lo. Depois perguntou: “Tem certeza, Lu? Não vai doer?” Sorri. “Não é minha primeira vez. Mas coloca com cuidado.” “É, seja gentil.” Completou André. E gentilmente ele colocou. Os dois ficaram com uma cara de cuidado. André perguntou: “Tá tudo bem? Tudo certo?” Acompanhado por Átila: “Se você quiser eu paro.” “Não. Não pára.”

Viramos uma sinfonia de gemidos. Uma breve sinfonia de gemidos, porque pelo nível de tesão na banheira ainda achei que ficamos muito tempo. Incrivelmente Átila foi o primeiro. Geralmente ele terminava depois. André me beijou e me abraçou forte. Terminamos os dois juntos. Sem querer mordi seu lábio, mas ele não reclamou, pelo contrário, achou sexy.

Ainda ficamos abraçados um tempo. Nós dois tremíamos. Nos beijamos mais um pouco. Átila que já relaxava deitado disse: “Lu, você é muito louca.” André ficou calado olhando pra mim. “Que foi?” perguntei. “Te amo, Lu.” E pareceu que se arrependeu de ter dito. “Eu também te amo.” Disse Átila. Mas senti que só André falava sério. “Ah, eu também amo vocês.” Disse fingindo que não percebia como André tinha ficado um pouco estranho.

Voltamos os três ao silêncio relaxante. Átila acendeu um cigarro e provavelmente repassava tudo na memória. Ou não pensava em nada, tinha um talento natural de conseguir não pensar em nada. Mas eu e André com certeza pensávamos na mesma coisa: Naquele “Te amo, Lu.” Que saiu verdadeiro mas sem querer. Claro que não tocamos no assunto. Mas pelo resto do feriado André me pareceu diferente. Não sei se era apenas viagem da minha cabeça, mas parecia que ele evitava ficar a sós comigo.

E Átila parecia que o ajudava nessa tarefa. Tava sempre perto. Conversei com a Nayana sobre isso. Mas não contei sobre a hidromassagem, apenas perguntei se ela não achava que os dois estavam diferentes. Mas nessa altura do campeonato ela já tinha sido fisgada pelo João Paulo, só tinha cabeça pra ele. Só quando voltamos descobri o que realmente acontecia. Mas aí é outra história.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Strip Poker

Eric começou a namorar um dentista. Tudo começou aí. O dentista, chamado Mauro tinha casa numa serra próxima. E um feriado prolongado estava chegando. Resultado: todo mundo foi passar o feriado prolongado na casa de serra do dentista. Lá fazia frio, chegava aos 15°C, e nós tomávamos chocolate quente conversando em frente a uma lareira. O grupo era comporto por: Moi, André, Átila, Eric (óbvio), Michele, Nayana, Saulo, Mônica e João Paulo, os últimos três amigos do dentista. E claro (!) o dentista.

Saulo tratou de agarrar Michele assim que os dois ficaram a sós. João Paulo tava afim da Nayana, mas era meio morto dentro das calças. E eu sobrei mais uma vez. Mas tinha André e Átila me consolando, nenhum dos dois tava afim da Mônica que cá entre nós era uma baranga.

Então a configuração dos quartos, que eram quatro, ficou assim: No quarto maior e principal o dono da casa e seu namorado, no quarto ao lado que tinha uma cama de casal ficaram Michele e Saulo. Um andar abaixo, num quarto com duas camas de solteiro João Paulo e Mônica, e no quarto ao lado deles, com uma cama de casal e uma de solteiro o resto da gangue. Eu entre os dois irmãos na cama de casal e Nayana na cama de solteiro.

Na tarde do segundo dia, depois que passeamos pela cidade e fizemos compras, começamos a jogar poker. Mas não um poker comum. Strip Poker. Cada grupo decide como vai jogar e quais vão ser as regras. Se quem tira a roupa é quem ganha ou quem perde, se pode trocar peças de roupas por fichas e qual o valor de cada uma. No nosso tirava a roupa quem perdia e quanto maior o tamanho da peça menos ela valia.

Então o jogo começou. A princípio ninguém precisou tirar nada, ainda havia muitas fichas em jogo e poker leva tempo. Era madrugada e alguns já dormiam quando finalmente as peças começaram a ser utilizadas como trunfo. Na mesa estavam André, Átila, Mônica, eu e Mauro. Monica foi a primeira que precisou tirar as calças que custaram R$5,00. Depois foi a vez de Átila tirar a blusa: R$8,00. Mas nem vendendo todas as roupas Monica conseguiu ficar. Nesse ponto eu estava de short e sutiã, André e Mauro de cuecas e Átila nu. Mas ainda tinha fichas.

Perdi meu short e meu sutiã num flop, André perdeu a cueca no turn e Mauro saiu completamente no river. Átila virou o jogo. Agora eram os dois irmãos paranormais contra mim, a única que ainda tinha alguma peça de roupa. O que não durou muito. Duas jogadas depois eu estava sem calcinha, na terceira estava fora do jogo. Agora a batalha era entre os dois irmãos. Por cansaço Átila venceu, o dia amanhecia de mansinho quando finalmente o jogo acabou.

Ficamos ainda conversando na sala, de frente para a lareira. Os três ainda nus. Não tínhamos pressa em nos vestirmos, nós nos conhecíamos pelados. André parecia o mais cansado de nós. Talvez porque pela primeira vez em quase um ano ele podia descansar e relaxar. Alguém mencionou uma banheira de hidromassagem e André (que lembrava tudo) disse: “Ah, o Mauro falou que aqui tinha uma, a gente podia procurar.”

Levantamos os três. Saímos andando pela casa procurando a hidro. Até que enfim encontramos no segundo andar. A sala era enorme e tinha um ambiente meio rústico. Átila ligou a água, eu coloquei os sais e entramos. Ficamos ali relaxando, jogando conversa fora como três amigos.

Depois ficamos em silêncio. E quando olhei pros outros dois eles me observavam com um olhar misterioso. Átila sorria com um canto da boca e me olhava com desejo, André parecia um pouco corado e também me olhava com desejo. Eu sabia o que aquelas expressões significavam. E eu concordava com eles.