segunda-feira, 10 de maio de 2010

Não podia ser pior

Estava eu namorando firme e seriamente, pela primeira vez na minha vida, quando a pessoa que eu menos achei que fosse rever reapareceu. Chego já nele. Vou criar um mistério aqui. André foi minha primeira relação séria. O primeiro cara que me amou de verdade, que não foi preso ou casou e engravidou outra. Com André eu tinha um amor verdadeiro, possível e correspondido. Estava feliz como nunca estive.

Mas o destino é uma bitch. Estávamos comemorando o aniversário de três meses de namoro na praia. Os dois agarradinhos, ainda bem melosos, a turma reunida. E eis que lá ao longe avisto uma silhueta conhecida. Fiquei pálida na hora. Comecei a tremer e me levantei tão rápido que fiquei tonta. Fui atrás do rapaz, obviamente, e com o coração já saindo pela boca chamei: “Gambit?”

Ele virou-se e muito surpreso perguntou: “Lucíola?” Nos abraçamos. Nunca, nem em um milhão de anos achei que o veria de novo. Eu comecei a chorar e ele enxugou minhas lágrimas. Depois me beijou. Confesso: Beijei de volta. E gostei. Tanto que continuei beijando. Estava beijando há algum tempo quando me lembrei que tinha namorado. Quando me virei André saía enraivecido com Átila chamando-o atrás. Não o culpo.

Corri atrás dos dois e consegui encontrá-los no carro. Átila olhou pra mim de um jeito que nunca tinha visto. Com ódio mortal. Nunca achei que ele pudesse sentir tanto desgosto. Pedi que me deixasse explicar a André, mas ele não deixou. Entraram no carro e foram embora. Peguei o primeiro táxi que vi. Cheguei ao apartamento à tempo de ouvir a porta batendo.

Eu bati exaustivamente na porta pedindo pra que me deixassem explicar, mas eles não abriam. Fui um pouco mais “bad ass” e chutei a porta até que ela abrisse. Átila me segurou pelo braço: “Ele não quer falar com você! Vai embora!” Ele tava realmente machucando. Só então entendi que tinha magoado Átila mais do que tinha magoado André. Ele olhava pra mim com um profundo desprezo. Como se não me conhecesse e eu tivesse feito de propósito.

Átila me empurrou pro corredor e, não sei como, conseguiu trancar a porta. Sentei no chão e esperei. Não tinha nada que eu pudesse fazer a não ser chorar. Foi o que fiz. Chorei. Chorei por ter magoado André. Pelo jeito como Átila me tratou. Por ter reencontrado Gambit. Por ter sido num péssimo momento. Por ter sido tão burra. Por tê-lo beijado e porque eu gostei. Mas não fui embora.

Da turma a única que ainda veio conversar comigo foi Nayana. Contei que Gambit tinha sido um ex muito importante. E que há tempos a gente não se via. Que não tinha feito de propósito, apenas fui levada pela emoção. E que me arrependia como nunca tinha me arrependido de nada na minha vida. Nayana entendeu. Eric entendeu também depois. Passei a madrugada ali no chão e notei que tinha uma mão roxa marcada no meu braço. Dormi sentada no mesmo canto. Não levantei nem pra comer ou ir ao banheiro.

Pela manhã Átila me deixou entrar. Mas ainda me olhava com desprezo. Eric e Nayana me deram uma força. Aparentemente André queria me ver. Contei tudo. Sobre Gambit e sobre a In Omnia Paratus. André achou que eu tivesse brincando. Pedi milhões de desculpas e jurei nunca mais fazer nada assim. Mas não menti. Disse que Gambit foi um grande amor e que parte de mim tinha gostado daquele beijo. Mas que isso era passado.

André me escutou, mas depois me pediu pra sair. Fiz o que ele pediu. Fui pra minha casa e chorei mais ainda no meu travesseiro. Nesse momento a turma se dividiu. Nayana e Eric ficaram comigo. Michele ficou do lado de André. Ela me olhava do mesmo jeito de Átila. Parou na porta e fez um pequeno discurso. Não lembro as palavras exatas, mas falou que eu era promíscua e que André tinha cometido um erro ao se apaixonar por mim. Que eu não ligava pros sentimentos de ninguém, que era egoísta e vaidosa e que iria se mudar, pois não agüentaria olhar pra mim depois do que eu fiz com André.

Não tentei me justificar. Assumi meu erro. Fui uma estúpida mesmo. Concordo. Mas me arrependi verdadeiramente do que fiz. Não porque Átila ou Michele me odiavam. Mas porque André não merecia. Ficava imaginando como ele estaria se sentindo. E aquilo doía em mim mais do que tudo.

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