Eu saía de uma prova na faculdade quando meu celular tocou. Era uma amiga dos meus tempos áureos de alta sociedade. Estava casando e estava me convidando para a festa. Mas ela tava me convidando antes para o chá de panela, o chá de lingerie e o chá de outra-coisa-que-não-lembro.
Aceitei por educação, mas quando cheguei em casa e conversei com o povo percebi que realmente não via aquele pessoal há muito tempo e esta seria uma ótima oportunidade. A festa de despedida de solteira teve direito a tudo inclusive strippers e jello shots (gelatinas alcoólicas). E nos vários chás ela ganhou presentes suficientes pra nunca mais precisar comprar nada. Mas o dia especial finalmente chegou.
O que eu não sabia era que algumas senhoras do Stella (meu time de vôlei) estavam presentes. O casamento ocorreu chato como qualquer outro. Igreja, flores, crianças correndo, tios bêbados passando a mão nas jovens. Enfim todos os clichês estavam presentes. E no meio dos convidados antigos colegas do colégio.
Numa espécie de “reunion” resolvemos sentar à beira da piscina e conversar. E um dos meninos, sei lá por que motivo, achou uma boa idéia acender um baseado. Se pareço crítica é só agora, na hora me pareceu uma boa idéia também. Fazia um bom tempo que eu tinha parado com a maconha e boa parte das bebedeiras. Achei que um baseadozinho inocente não iria fazer mal.
Pois bem. Estávamos lá fumando quando de repente aparece uma senhora aos berros nos chamando de maconheiros. Tecnicamente nós éramos, mas ela não precisava daquele alarde todo. Resultado: todo mundo preso pelos seguranças. Ameaçaram até chamar a polícia. Mas um tio resolveu toda a situação com a frase: “São adolescentes, fazem isso mesmo.” E a maioria saiu ilesa.
Comigo a história foi diferente. Como eu era integrante de um dos maiores e mais respeitados times da cidade não podia ter comportamentos inadequados. A integridade do Stella era mantida a qualquer custo. Ali mesmo uma das senhoras começou a falar que eu já estava expulsa. Ajudada pelas outras. Meu futuro como atleta estava por um fio.
No dia seguinte recebi uma ligação da treinadora. O comitê do Stella me aguardava pra uma audiência. Quando cheguei fui recebida numa enorme sala com uma mesa gigante rodeada de senhoras. Começaram a falar da história do time e de como eu era uma felizarda por ter sido escolhida. E que o que eu tinha feito era inadmissível. Concordei. Não podia fazer outra coisa. E então elas me pediram pra justificar.
“O que eu fiz não tem justificativa e eu assumo que foi uma burrice. Mas eu não queria ser expulsa por apenas um erro besta. Foi uma coisa de momento, vi meus amigos fazendo e tive curiosidade. Não pretendia e nem pretendo fazer mais nunca. O Stella significa muito pra mim e eu não queria perder a oportunidade de fazer parte dessa família. Eu tive um comportamento exemplar até essa bobagem. Por favor não me expulsem.” (sim, eu menti, grande coisa)
Elas precisavam deliberar. Eu saí da sala e fiquei uns vinte minutos esperando no corredor. Quando enfim me chamaram novamente tive a impressão que tudo estava acabado. “Você está suspensa por 45 dias. Não foi expulsa por seu comportamento até então exemplar. Mas por seis meses terá que fazer exames de sangue sempre que for solicitado por esse comitê. Você aceita esses termos?” (Hell, yeah!)
Fui pra casa com uma sensação de alivio enorme. Se elas investigassem um pouco mais saberiam da mentira enorme e cabeluda que eu tinha contado. Ainda bem que eram senhoras ocupadas.
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