quinta-feira, 6 de maio de 2010

Just Romance

Era sete e meia em ponto quando André bateu na minha porta. Vestia-se com calça social, camisa bem passada e sem o boné. Estava um gato. Trazia também uma rosa branca que me entregou me beijando. Fiquei com as pernas trêmulas. Há tempos não me sentia assim. Depois do beijo disse sorrindo: “Boa noite.” Eu confesso que tava abobalhada e respondi um “Boa” desengonçado. Peguei minha bolsa e saímos.

Fomos a um restaurante muito agradável. Com iluminação propícia, pianista (com quem, aliás, eu toquei antes de irmos embora) e ótimo atendimento. Conversamos sobre muitas coisas e André não parava de acariciar meus cabelos e meu rosto. Só parou com os beijinhos quando começamos a comer, mas não com as carícias.

Contamos muitas histórias da nossa infância. A maioria já era conhecida, mas entramos nos detalhes. Contei pra ele sobre o Sandro e o Roberth, os dois caras que mais fizeram diferença na minha vida, os dois que amei de verdade. “Eu vou ser o terceiro.” Disse baixinho no meu ouvido. “Já é.” Respondi beijando-o.

Ficamos no restaurante até quase meia noite. Conversando, tomando vinho e beliscando queijos e sobremesas. Nem notei o tempo passar. Só percebi que era tarde quando olhei ao redor. Restavam poucas pessoas no restaurante. André foi um cavalheiro e nem deixou que a conta chegasse à mesa, foi pagar no caixa sem que eu notasse.

De lá voltamos pra casa. Me deixou na porta e quando o chamei pra entrar recusou. Perguntei o porquê e ele respondeu colocando meu cabelo atrás da orelha: “Porque quando acontecer quero que seja especial.” Me deu um beijo de boa noite. Entrei suspirando e dormi com um sorriso no rosto. Acordei com um sorriso no rosto também. O mais difícil foi escovar os dentes e comer com um sorriso no rosto.

No outro dia, um belo sábado, fomos pra casa da Nayana, pra famosa feijoada da mãe dela. Quando nos viu entrando na casa de mãos dadas a vó de Nayana chamou André e cochichou em seu ouvido: “Até que enfim, né?” Ele apenas riu sem jeito. E ela fez questão de avisar pra família inteira. O que nos deixou com um pouco de vergonha.

Passamos o resto da semana nos encontrando anoite, única hora em que ele tava em casa. Ficávamos uma hora nos beijando no sofá e conversando sobre as coisas do dia. Depois dessa brevíssima hora ele tinha que ir dormir. Até queria ficar mais um pouco, mas eu sabia que se ele fizesse isso não ficaria bem no outro dia. Ele tinha um médico pra ser. E eu não queria atrapalhar.

Na sexta seguinte nos beijávamos no sofá dele quando falou: “Amanhã queria que você viesse jantar comigo.” Aceitei. Sabia o que isso significava. Na outra noite bati na porta. E fui recebida por um apartamento romântico. A luz tava baixa e o jantar preparado pra ser à luz de velas. Átila saiu da cozinha dizendo: “Só esperar o queijo derreter. Boa noite pra vocês.” E saiu nos deixando a sós. “Pra onde ele vai?” “Tá de caso com uma colega do curso. Vai dormir na casa dela.”

Jantamos e sentamos no sofá. Ficamos conversando e bebendo vinho. Ele colocou blues pra tocar e ficamos nos beijando por um bom tempo. Ainda à luz de velas e com tudo dito ao pé do ouvido. Depois de um longo beijo se levantou. Pegou minha mão e fomos pro quarto.

Tirou a blusa e eu deixei a minha cair no chão. Me beijou trazendo meu corpo pra junto do dele. Quando minha pele entrou em contato com a dele me senti derretendo. Nossos beijos ficaram cada vez mais intensos. Beijos sugados e apaixonados. Quando percebi estávamos suando entrelaçados numa linda flor de lótus. Ele me agarrou forte olhando nos meus olhos. Senti seu corpo tremendo. O meu também.

Ficamos assim abraçados por um bom tempo. Deitamos, por fim, e trocamos mais beijos e carícias. Não conseguíamos parar de sorrir. Estávamos os dois nas nuvens. Dormimos assim, abraçados e nas nuvens.

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