Apesar de tudo ter ficado bem com a turma, Michele decidiu se mudar. André e eu terminamos num sábado. Na terça ela foi ser colega de quarto de uma amiga da faculdade. E até a sexta tinha levado todas as suas coisas. E mesmo depois que André e Átila me perdoaram (mais ou menos) ela não voltou a falar comigo.
A única pessoa pra quem eu falei sobre meu caso a três (bem no começo) foi o Eric. Estávamos conversando na varanda, tomando um vinho. E acabei contando sobre minha confusão amorosa com os dois irmãos. Eric me aconselhou o melhor que pode, mas deixou a decisão nas minhas mãos. E eu decidi ficar quietinha e não fazer nada.
O que eu não sabia era que Eric também tinha um Eric. Chamava-se Michele. E ele contou absolutamente tudo pra ela. Mas sei que foi sem maldade. A intenção dele não era fazer fofoca. Era simplesmente conversar e contar pra BFF dele o que tinha acabado de saber. Mas ela recebeu de outra forma.
O que ninguém sabia era que Michele amava Átila secretamente. Eles tinham namorado um tempo, mas ela terminou porque achava que era nova demais pra namorar sério. Depois conseguiram ser só amigos. Mas aparentemente foi uma decisão estúpida porque ela não o esqueceu. E ele nunca quis mais nada com ela, só amizade.
Pois bem, estávamos almoçando na faculdade quando Michele chegou com uma cara de abuso. No meio da refeição simplesmente disse pra todo mundo: “Vocês são dois idiotas. Ela tá dormindo com vocês dois.” Ela olhou pra Átila: “Ela voltou com André, mas não deixa ele dizer nada pra você não saber.” E depois pra André: “Quando ela não tá dando pra você, tá dando pra ele.” Levantou-se e simplesmente saiu. Silêncio absoluto na mesa. Eu peguei o resto de dignidade que me restava, limpei uma lágrima que caía na minha bochecha e também saí. Sem dizer nada.
Entrei no meu apartamento e sentei no sofá. Não consegui mais chorar. Apenas olhava lá pra fora. Átila entrou empurrando a porta com raiva. Estava vermelho. André mantinha a cara fechada e a cabeça baixa, o que significava que estava com ódio. Átila começou a gritar e me chamou de todos os nomes que ele se lembrou. Mas eu continuei absorta olhando pra varanda. O que me preocupava era a raiva de André. Assim calado e distante era difícil saber o que ele pensava. Não era nada bom decerto.
Depois que terminou o discurso Átila sentou exausto na cadeira. A sala entrou em um silêncio pesado. Então, sem levantar sequer a cabeça, André falou: “Por que você fez isso, Lu?” Eu respondi da forma mais simples que consegui. “Porque eu não consigo escolher. Porque eu amo vocês dois.” Átila simplesmente levantou-se e saiu. André ainda demorou um pouco ponderando Deus sabe o quê, mas também saiu sem dizer palavra.
Depois de uns 30min Eric entrou. Me pediu milhões de desculpas. “Amigo eu sei, não precisa se desculpar.” Estava triste por ter magoado os dois, mas sinceramente aliviada que não precisaria mais enganá-los. Átila era mais explosivo, mas também o que se acalmava mais rápido. André era diferente. Demorava a ficar chateado e era igualmente demorado tirá-lo desse estado.
Não tinha nada que eu pudesse fazer nesse momento. Só me concentrar em outras coisas pra ajudar a passar o tempo. Era isso que os dois precisavam: tempo. Tempo pra se acalmar. Pra conversar e talvez, só talvez, brigar um pouco. Não acreditava que isso pudesse acontecer de verdade. Mas com certeza o apartamento deles ficaria silencioso por um tempo. O meu já estava.
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