Só fiz jogar minha mochila no chão. Saí do apartamento e fui bater na porta dos AA. Átila que abriu a porta. Quis fechar novamente, mas não deixei. Fui entrando e chamando André pra conversa. Pedi que os dois me escutassem. Não precisavam me perdoar. Apenas me deixassemeu falar e escutassem minhas explicações. Depois se quisessem me odiar pra sempre tudo bem.
Comecei. “Eu sei que o que eu fiz foi horrível. Eu sei que enganei vocês e que vocês me odeiam. Tem todo o direto de fazer isso. Mas eu queria dizer que não foi de propósito que eu magoei vocês. Vocês dois sabem que eu tenho dificuldade de me apegar. Exatamente por isso nunca fiquei sério com ninguém. Nunca quis. Mas com vocês foi diferente. E o que eu sinto por vocês eu nunca senti por ninguém. E sinto o mesmo pelos dois, sem diferença. Por isso foi tão difícil escolher. Porque amo os dois do mesmo jeito. E eu to aqui pedindo que vocês reconsiderem voltar pra minha vida. Porque bem antes dessa história toda nós éramos melhores amigos. E eu sinto falta de vocês. Se vocês não querem ser meus namorados tudo bem, eu aceito. Mas não queria perder meu amigos também. Eu amo vocês demais.”
Me levantei e saí. Nem escutei o que eles tinham a dizer. Átila provavelmente já tinha uma decisão tomada. Sentaria na varanda, fumaria um cigarro e tentaria se convencer de outras opiniões, mas seria em vão. André repassaria tudo na cabeça desde o dia que a gente se conheceu. Pesaria minhas faltas contra minhas qualidades e me daria um ponto extra por gostar de mim. Mas só se decidiria depois de conversar com Átila.
Duas horas depois estava em casa assistindo TV quando bateram na minha porta. Eram os dois. André foi o primeiro a falar: “Foi difícil chegar a essa decisão, Lu. Porque foi difícil admitir que a gente tivesse culpa nisso tudo. Eu realmente falei que você poderia ficar com quem quisesse. Depois o Átila me falou que te disse a mesma coisa. E eu percebi que nenhum de nós lutou por você o suficiente. Nós te entregamos na mão do outro, não posso ficar com raiva de você por isso.” Depois foi a vez de Átila: “Fomos dois imbecis. Não vai mais acontecer.” Dizendo isso me abraçou. André também. Então eu disse: “Fomos três imbecis.”
Pra comemorar Átila fez uma janta especial no apartamento deles. Colocaram música, velas e abriram um vinho. Ficamos conversando sobre bobagens e rindo descontraidamente na varanda. Não sei se foi o álcool, mas André olhou sério pra mim e disse: “Quero muito te beijar.” Eu nem esperei qualquer outro comentário. Beijei. Átila nos olhava com uma cara safada, como sempre. “Você ganha um também.” Disse beijando-o.
Me levantei e puxei Átila pela mão. Com a outra puxei André. Fui beijando os dois pelas paredes até o quarto de Átila. André me beijou apaixonado e quando terminamos o beijo notei que Átila já estava sem blusa. Ele me agarrou e me beijou apaixonado também. Quando percebi estávamos enroscados de tal maneira que não conseguia identificar se a mão que acariciava meu pescoço era de André ou de Átila. Curiosamente eu não era disputada. Eu era igualmente dos dois. Eles me beijavam e acariciavam numa sincronia que parecia ensaiada.
Dormimos os três ainda enroscados. Acordamos do mesmo jeito. Ficamos ali abraçados por um bom tempo. Decidimos que a partir dali tudo voltaria a ser como antes: amigos que de vez em quando dormem juntos e nada mais. Todo mundo tinha direito de sair com quem quisesse e ninguém reclamaria. André não achou ruim porque poderia me ter a hora que quisesse. Átila também não achou ruim porque também poderia me ter a hora que quisesse. E eu tinha meus amantes-amigos de volta. Win-win-win.
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