Depois da semana santa a nossa turma de teatro inteira combinou de sair pra balada. Começamos com um local mais light porque estávamos acompanhados por “pirulitos”. Mas depois das onze apenas os verdadeiros “baladeiros” ficaram. Nosso diretor estava junto, e também o grupo de teatro da mãe dele. O mais babado da cidade. Conhecido por ser o melhor e mais difícil de entrar. Só por convite. No meio deles um rapaz me chamou a atenção: Alto, magro, cabelos pretos no ombro e modelo.
As meninas estavam comentando o quanto ele era gato e possivelmente gay, por ser modelo. Mas eu não acreditava nisso. E descobri que elas tinham se enganado redondamente. Depois de umas três caipirinhas eu e ele fomos dançar, deixando as outras meninas com muita inveja. Porque além de muito simpático era, junto com os AA (André e Átila), um dos mais bonitos da noite. O local que estávamos era metade bar e metade boate, e tinha um jogo de luz fantástico.
Ele começou a falar o quanto ficava a vontade do meu lado, diferente das outras meninas, e eu sabia que a caipirinha tinha alguma coisa a ver com isso, mas deixei pra lá. As outras meninas fuzilavam a gente com o olhar e eu, pra frente que sou, tasquei um beijo nele, que apesar de surpreso retribuiu. Aí foi que elas ficaram com ódio mesmo.
Voltamos pra mesa e uma delas falou pra eu escutar: “Num perde tempo, né?” “Não mesmo, especialmente se não tenho competição porque as outras acham que ele é gay.” Peguei mais um drinque e acendi um cigarro, meu professor disse: “Se você soubesse o quanto bebida e álcool são prejudiciais a um ator, você não fazia isso.” “E se você soubesse que além de eu não dar a mínima você não é meu pai, você ficava na sua. Aqui eu sou sua amiga, se você quiser, não sua aluna.” E voltei pra pista de dança.
Depois um dos companheiros do grupo dele convidou todo mundo pra terminar a noite em seu apartamento. Assim que chegamos começamos a beber vinho. Mas fui completamente censurada quando acendi um cigarro. Acender o baseado que eu tinha na bolsa seria um escândalo. Geralmente atores são tidos como maconheiros e bacantes, mas esse grupo tinha uma filosofia natureba diferente.
Fui fumar meu beck no terraço. E adivinha quem me acompanhou? O Lucas, o André e o Átila. Fumamos e o Lucas contou como era a dinâmica no grupo. Além da diretora geral (mãe do meu diretor) havia dois “subdiretores”. O Beni, que era gay e a Simone, que não era. E confessou que fez teste do sofá pra entrar, mas não disse com quem. Disse que meu diretor também era uma maneira de entrar.
Começamos a nos beijar e os dois outros voltaram pra festa que acontecia no sexto andar. Ao redor as janelas dos outros apartamentos. Se alguém olhasse pela janela veria nós dois ali. Os beijos foram ficando mais sugados e sem perceber estava desabotoando a camisa dele. Ele desabotoou minha calça e tirou tão rápido que saiu com tênis e meia. Depois desabotoou a dele. Tirei minha blusa e meu sutiã. Pegamos alguns lençóis que estavam num varal e jogamos no chão.
Ele puxava forte meu cabelo e ficava falando no meu ouvido. Tinha uma voz grossa que aumentava ainda mais o tesão. E como sabia mexer! Tinha uma barriga tanquinho maravilhosa, e como tinha o cabelo um pouco comprido dava pra agarrar também. Ele começou a brincar com o ritmo. Fazia mais rápido, mais lento, bem mais rápido e bem mais lento. E ia me deixando louca. Tanto que lhe dei uma mordida no ombro. Mas ele adorou, me agarrou mais forte.
Uma chuva fina começou a cair, mas nem atrapalhou a gente. Pelo contrário, refrescou nossos corpos e se misturou com o suor. Os nossos cabelos pingavam quando o dia começou a amanhecer. Lá longe um pouquinho de amarelo se juntava ao laranja e ao azul claro que restava da noite. Nos vestimos e voltamos pro apartamento onde todos dormiam. Encontramos uma cama de solteiro vazia e deitamos lá. Ficamos conversando até que outras pessoas acordassem. Mas tudo ficou em segredo. Não só esse dia. Ficou em segredo por mais cinco meses.
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