terça-feira, 9 de março de 2010

Em má companhia

Num dia de fevereiro minha mãe viajou para outro estado por causa do trabalho. Minha avó foi pra casa de uma tia e eu fiquei em casa só com meu irmão. Dois adolescentes, de 16 e 18 anos, sozinhos em casa. Sabe o que isso significa? Festas! Muitas festas!

Toda noite, depois das oito minha casa ficava tomada de gente. Michele, Gil, Preto, Tales e Juliana, cada um com mais dois ou três amigos, e mais uns amigos do meu irmão. Uns carinhas, que eu notei de cara, barra pesada. Peguei eles cheirando pó na cozinha e falando sobre a nota de R$50,00 falsa que um deles tinha nas mãos.

Mas depois de um tempo nossa turma festeira foi diminuindo para Michele, Flávio, Tales, Ariel, Natália e eu. E os barra pesada amigos do meu irmão. Fernando, Bitoca, Gerson e Capeta (o nome diz tudo). Nós da turma A ficávamos bebendo vinho ou cachaça e fumando maconha até altas horas. A turma B, além disso, cheirava pó.

Num desses dias a Natália, que era virgem, caiu na besteira de se engraçar pro Capeta, que (oh yes!) era gato. Eles fumavam, depois ele botava ela pra cheirar e iam pro quarto. Ela dizia que era só pegação, amasso como qualquer outro. Depois ela disse que ele tava começando a exigir sexo oral, mas que ela não queria fazer. Depois de uma bofetada ela fez. E eu o expulsei da minha casa.

Duas semanas depois, estávamos (somente as meninas) num lual na praia quando eles chegaram. Natália acabou se engraçando com o Capeta de novo. Ele parecia mais calmo que de costume, me pediu até desculpas pelo que tinha feito na minha casa. Nos chamou pra uma festa na casa de um amigo. Todas quiseram ir, mas eu fiquei com um pé atrás. Especialmente depois que os vi tomando uns comprimidos.

Quando chegamos a tal festa descobrimos que eles tinham planejado roubar a casa enquanto todo mundo se divertia. E queriam que a gente ajudasse a pegar as coisas. Quando eu disse que não ia fazer isso ele segurou meu braço tão forte que minha mão ficou dormente. Com a outra segurou meu pescoço. “Ou você faz ou cubro vocês de porrada.” Aceitei assustada.

As pessoas bebiam, tomavam banho na piscina e dançavam. E nós levávamos a TV, o som, o computador e os celulares. E tirávamos dinheiro das carteiras que encontrávamos sem supervisão. Depois da “limpeza” nos levou para uma favela pra descarregar os dois carros. Lá encontramos uns marginais que entregaram um tijolo de maconha e outro de cocaína pro Capeta. Depois fomos pra casa dele onde eles começaram a beber e cheirar (a Natália foi na onda). Eu fiquei de cara, não queria estar vulnerável nesse momento.

Depois puxou a Natália pro quarto. Eu quis impedir, mas levei uma bofetada que caí no sofá. Ele disse: “Se quiser tirar o dela da reta vai ter que colocar o seu. Quer trocar?” Fiquei em silêncio. Ele fingiu que não foi interrompido e continuou levando ela pro quarto. E ela foi sem resistência. Disse que queria, que tava afim.

Depois de uns 40min saiu do quarto. Sentou perto de mim, acendeu um cigarro, segurou meu punho com força e disse: “Eu sei que as outras são medrosas e não vão abrir o bico, mas você é afoita. Se abrir a boca pra alguém te parto a cara.” Com o cigarro ameaçou me queimar “Acho que você está me confundindo com outra pessoa, não sei do que você tá falando.” Disse me soltando. Ele riu orgulhoso. Depois disse: “Sua amiga é bem gostosinha. E bem liberal também. Deixa a gente fazer o que quiser com ela. Seja pela frente ou por trás.”

Depois desse dia disse à Natália que se ela ainda quisesse se envolver com o Capeta ela faria sem mim. Não queria mais nem ouvir o nome dele.

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