Quase um ano depois de ter visto o Roberth pela última vez o reencontrei. Fui visitar meu tio, nas férias como sempre, e percebi que o que me mantinha bem era morar longe dele. Assim que o vi estremeci. Roberth estava mais magro e parecia abatido. Trabalhava demais pra sustentar a mulher e o filho. Mas assim que me viu abriu seu lindo sorriso. E me abraçou carinhoso. Disse no meu ouvido: “Nossa, que saudade.”
Depois me entregou um bilhete com um endereço dizendo: “Aparece depois das onze.” E me deu um beijo no rosto. Eu sabia o que aquilo significava. Você também. Assim que cheguei ele me agarrou, me beijando. Não resisti. Eu sei que moralmente estávamos errados. Mas eu mandei o moralmente caçar sapo. Eu vi primeiro, não é minha culpa se ela deu golpe da barriga. Tá, assumo, exagerei. Mas naquele momento não estava pensando nela, estava pensando nele. Lindo, gostoso e quase nu.
Estávamos na casa de um amigo dele, que convenientemente tinha saído. Fomos pro quarto deixando as roupas pelo caminho. “Tava com tanta saudade do teu cheiro.” Disse ele cheirando minha nuca. Eu também tava com saudade do cheiro dele. Do cheiro, do gosto, da pegada, dos beijos e das carícias. Tinha esquecido o quanto ele era enorme. E gostoso. Começou a mexer o quadril dizendo: “Você é a única que eu amo.”
E começou um inquietante e delicioso movimento indo e voltando como uma onda. Começou a gemer no meu ouvido. Gemer e sussurrar. Depois nos girou na cama trocando de lugar, ele ficou deitado e me deixou sentada sobre seu corpo. Ficou um tempo me observando. Passou as mãos pelas minhas coxas, minha cintura, onde elas pousaram por mais tempo, e pelos meus seios. Levantou meu cabelo e veio beijar meu pescoço. Me olhou nos olhos e disse: “Nunca vou te esquecer, viu?” Me beijou demoradamente, enquanto me abraçava forte. “Eu também nunca vou te esquecer.” Me enrosquei ainda mais nele, que aumentou a intensidade dos movimentos. Por fim caímos exaustos na cama.
Ficamos deitados conversando até o dia amanhecer. Falamos dos amigos em comum, da minha vida na capital, do teatro, da formatura. Falamos das famílias, de como ele estava lidando com a nova pessoinha da vida dele e chegamos ao ponto crucial. O casamento dele. Era um casamento que ele não queria, mas ele não era do tipo que abandona. Não o Roberth. Então decidimos que a partir de então seríamos apenas amigos, e nada mais. Foi meio que uma despedida que nunca podemos ter.
Ele ficou acariciando meus cabelos e cantando pra mim. Tinha uma voz maravilhosa. Cantou todas as músicas que sempre cantava pra mim. Com o dia já claro foi me deixar na casa do meu tio. Dormi até a tarde, quando escutei alguém me chamando da calçada. Quando cheguei lá fora vi que era Virgínia, a mulher dele, com mais duas amigas. “Pois não?” “Eu queria pedir pra você deixar meu marido em paz.” “Sim, senhora.” Falei irônica “Mais alguma coisa?” “É melhor você nem aparecer mais por aqui.” Disse uma das amigas tribufus dela. “É o que? Eu ouvi direito?” “Isso mesmo.” Disse a outra. “Próxima vez que você se meter com ele vai ter problema.” “Isso é uma ameaça ou um desafio?” E entrei fechando a porta na cara delas.
Nenhuma me causou problemas, não eram doidas. Todo mundo sabia que eu tinha uma certa fama na cidade. E nenhuma delas teria me ameaçado se estivesse sozinha. Mas deixei pra lá. Em outros tempos eu, com certeza, o procuraria só pra ver o circo pegar fogo. Mas respeitava a escolha dele. E respeitava o bebê que nada tinha a ver com a história.
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