Durante o ano do meu 17° aniversário fiz (e refiz) três dos cinco melhores amigos que tenho até hoje. Eram Átila, André e Michele. O quarto (Eric) e a quinta (Nayana) fiz com 18 e 19 anos respectivamente. Eric entrou no meu grupo de teatro e Nayana no meu grupo de dança. Mas a história deles é mais pra frente.
Eu, Michele e os AA criamos um vínculo tão forte que, como já disse, dura até hoje. Michele demorou um pouco mais pra entrar de vez na amizade, mas depois que começou a namorar com o Átila ela ficou por dentro de todos os babados. E eles começaram a namorar num show da mãe deles. Estávamos no camarote vip, bebendo e (porque não?) fumando um beck, quando percebi que os dois se agarravam do meu lado. Eu já tinha beijado os dois antes. Primeiro foi Átila, numa rave. Estávamos dançando quando ele disse: “Você hoje tá mais linda que nunca.” “Concordo.” Disse André. Átila simplesmente me beijou. Assim mesmo, do nada. Depois disse: “Deu vontade.” André fez biquinho e disse: “Ah, eu também quero.” E me beijou também. Acho que dei mais uns dois ou três beijos em cada. E foi só.
Mas na noite que os dois começaram a namorar eu e André ficamos mesmo. Com direito a longos beijos, segurar na mão e amassos. Só então notei como era gostoso. Já tinha visto ele sem blusa, lógico, mas nunca tinha “pegado” nele (se é que você me entende). Mas nossa amizade não ficou estranha. Nada era estranho pra gente. Tanto que um mês depois eu tava namorando o Luke e ele arrumou uma menina da escola pra gastar saliva (se é que você me entende).
Tínhamos uma relação super aberta. A única coisa que era segredo eram os assuntos de “menina” que eu tinha com a Michele. Esmalte, gel, maquiagem, teste da Capricho. Mas a gente deixava eles de fora por pura pirraça. Pra criar um clima de suspense. Criamos até uma irmandade secreta fictícia chamada de Coper Bum. Quando uma queria pedir um absorvente, dizia: “Amiga, tenho um segredo do Coper Bum pra te falar.” Eles ficavam doidos pra saber o que era.
Nós quatro estudávamos na mesma sala, o que nos aproximava mais. Mas a gente também brigava. Especialmente nos dias de TPM das moçoilas. No começo eles tiravam sarro, mas depois que eu atirei um sapato no Átila eles levaram a coisa a sério. A gente sempre fazia tudo junto. Ir à praia, ao cinema, estudar, fazer compras e ir ao salão de beleza. Os meninos além de fazer a barba e cortar os cabelos também faziam pé e mão. Eu adorava essas nossas tardes relaxantes. E tinha sempre quem perguntava se eles eram gays. “Não, é que as mulheres preferem homens limpinhos.” Respondia o Átila, que era o único dos quatro que pintava o cabelo.
O quarteto também adorava aventura. Finais de semana e feriados prolongados geralmente eram motivo de viagem, pegávamos o carro e íamos onde o vento levasse. Surfar, acampar, tomar banho de cachoeira, fazer trilha. A gente tinha tudo isso a uma distância de duas horas em qualquer direção. Às vezes chamávamos outros amigos pra melhorar a festa. Amigos do teatro, da escola, da vida-louca-vida noturna. Mas no geral éramos só nós mesmos.
Nós já tínhamos o costume de perambular pela casa dos outros. Uma vez cheguei em casa e o Átila tava dormindo no meu quarto e a Michele tava no banho. Outra cheguei na casa deles e eles tinham saído, mas isso não me impediu de entrar, lanchar e atender o telefone. André quando ouviu minha voz disse: “Eu liguei foi pra ti? Achei que tivesse ligado pra casa.” “Eu to na tua casa.” “Ah, bom. O que tem pro almoço?” “Arroz, feijão, farofa, salada e frango assado.”
O namoro da Michele e do Átila só durou três meses. Mas acabou bem, sem briga. Ela ficou afim de outro, ele percebeu e eles voltaram a ser só amigos novamente. E na primeira festa louca que teve Átila me chamou pra um canto e disse: “Você tá me devendo uma coisa.” “O que?” Perguntei sem entender. E ele me beijou. Ficamos também com direito a longos beijos, segurar na mão e amassos. Muitos amassos (e descobrir a gostosidade dele também). Acontecimentos que na manhã seguintes eram apenas lembranças de uma vida bem curtida.