sexta-feira, 30 de abril de 2010

O Cliente

Era madrugada quando recebi o telefonema do hotel. Um cliente estava chegando dali à uma hora e eu deveria esperá-lo no aeroporto. Ele havia mudado a rota em cima da hora e em vez de ir para Lisboa resolveu passar primeiro no Brasil. Por causa do fuso horário o hotel só ficou sabendo que ele viria uma hora antes do avião pousar. E eu estava lá para recebê-lo.

Richard era americano, alto, cabelo grisalho e corpo sarado. Não parecia mesmo que tinha 46 anos. Era gentil e perguntava sobre os costumes locais. Ele me chamava de Precious (preciosa) e apesar de tecnicamente eu estar trabalhando pra ele, Richard abria portas, puxava cadeiras e não me deixava carregar peso. Tudo isso sob meus protestos.

Uma noite fizemos videoconferência com o escritório da frança. Ele fez questão de reservar um quarto no hotel pra mim e colocar as despesas em sua conta. Disse que era um jeito de retribuir o fato de me deixar a madrugada inteira acordada traduzindo em duas línguas. Aceitei, realmente não tinha sentido em voltar pra casa.

Estava tomando banho quando Richard bateu na porta do meu quarto. Queria que eu traduzisse alguns documentos. Saí enxugando o cabelo e vestida com o roupão. Ele parecia constrangido. Não pelos meus trajes, mas por eu ter que atendê-lo neles. Me pedia desculpas o tempo inteiro. “Não precisa, esse é meu trabalho, fazer o melhor por você.” Enquanto traduzia os textos notei pelo canto do olho que ele me observava. Terminei o que estava fazendo, ele me deu boa noite e saiu.

Na manhã seguinte uma camareira me trouxe alguns pacotes. Era simplesmente uma roupa nova. Calça, blusa e lingerie. “O senhor Richard pediu pra entregar.” Junto havia um cartão: “Esteja pronta às 10h.” e tivemos mais um dia de muito trabalho. Por volta das cinco disse: “Ah, tenho um encontro com alguns clientes hoje, um jantar. Queria que você viesse comigo.” “Sim, senhor” Respondi. Vesti um vestido bonito, fiz as unhas e esperei que viesse me buscar. Em casa.

No jantar notei que minha presença não era necessária. A maioria arranhava no inglês. E notei também que a maneira como se portava do meu lado mudou. Parecia que eu era amiga, e não que estava trabalhando. Quando enfim o evento acabou ele disse: “Engraçado, eu ainda estou com fome. Conversei tanto que me esqueci de comer. Você aceitaria jantar comigo de novo?” Aceitei. No restaurante começou a falar o quanto me achava inteligente e bonita. E que estava fascinado comigo.

Quando estávamos saindo disse que não poderia me envolver como ele. Que estava trabalhando. “Mas se você não trabalhasse pra mim, e a gente se esbarrasse na rua?” “Assim daria certo.” “Então você também está interessada, apenas não quer envolver seu trabalho?” “É, algo assim.” “Pois você está despedida.” E me beijou. Voltamos para o hotel.

No quarto, à meia luz, começamos a nos beijar. “Faz tempo que te desejo.” Falou abrindo o zíper do meu vestido que caiu no chão. Ele sentou-se numa poltrona me fazendo sentar no seu colo. O puxei para me beijar pela gravata. Isso o deixou louco. Depois a tirei devagar, maneira como também desabotoei sua blusa. Ele me agarrou pela cintura, levantou e me levou até a cama. Abriu o cinto de um jeito muito sexy. Olhou pra mim com cara de mau, de quem vai dar um corretivo porque fui uma menina levada.

Ele tinha um corpo muito gostoso pra um “senhor” de 46 anos. Bumbum durinho (que apalpei com gosto), barriga tanquinho (que lambi com prazer) e coxas saradas. E era charmoso como o Johnny Depp, daquele jeito relaxado e rebelde. Tinha um vigor enorme e um jeito másculo de pegar. Richard olhava nos meus olhos o tempo todo, como se ali aparecesse o que eu estava sentindo. Tirou meu ar e meu fôlego, e colocou as mãos em cantos do meu corpo que eu nem sabia que existiam. Nunca um homem me esgotou tanto. E nunca me senti tão cuidada.

Mantivemos o romance em segredo, claro. Mais uma semana e ele foi embora. E foi uma das semanas mais maravilhosas que tive. Provei das melhores comidas, bebi as melhores bebidas, conheci as pessoas mais influentes e ganhei os melhores presentes. Como por exemplo, uma gargantilha de brilhantes. Antes de embarcar me deu um longo beijo. “Não vou esquecer você nunca.” “Eu também.”

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