domingo, 11 de abril de 2010

Mal me quer

Depois do Roberth e do Gambit finalmente me apaixonei de novo. Paixão mesmo, de querer namorar sério, sonhar com a pessoa e gelar quando vê alguém pelo menos parecido. Esse foi Guilherme. O conheci numa rave logo depois que fui morar só. Ele era branco, tinha o cabelo preto e um jeitão bem rock and roll. Mas ele não ficou muito afim de mim, na verdade deixou bem claro que não estava afim de mim.

Estávamos numa roda conversando quando o André disse que uma garota qualquer era gostosa. Guilherme disse: “Ah, prefiro as magricelas.” Depois olhou pra mim e disse desdenhoso: “Eu nunca ficaria com você, por exemplo.” Ele fechou a boca e o Átila deu um empurrão nele. Confesso que o Átila tava meio “alto”, já tinha bebido e fumado um beck. Mas não tiro a razão dele. Guilherme foi grosso mesmo.

Passamos alguns dias sem notícia dele. Mas eis que duas semanas depois ele apareceu no Magu-Sh. Como não avistou nenhum conhecido veio falar comigo, que do clube dos cinco era a única que ainda o aturava. Não sei que tipo de feitiço ele tinha, mas eu não conseguia deixar de me sentir atraída. E ele quando percebeu que eu ficava meio abobada na presença dele aproveitou o máximo que pode.

Nos encontramos mais algumas vezes nas raves, baladas e praias. E ele mantinha o comportamento “dono da verdade”. Átila e André fechavam a cara completamente na presença dele, os outros dois se mantinham indiferentes. Não sei de onde a falta de amor próprio saiu, mas num lual nós ficamos. Mesmo depois dele dizer com todas as letras: “Você é bonita, mas podia emagrecer uns cinco quilinhos.” Eu ainda quis ficar com ele.

De novo: não sei que tipo de feitiço ele tinha. Quase no fim da noite virou pra mim e disse: “Vamo ali, vou ficar com você. Mas só se você beijar bem.” E saiu me puxando. Acho que só num aconteceu uma catástrofe porque os AA não estavam olhando. Depois que me beijou disse: “Você mora só, né?” “Moro.” Continuou me puxando até seu carro. “Me leva até sua casa.” Disse entrando.

Quando chegamos quis tomar banho, abriu a geladeira como se fosse de casa e usou o telefone sem pedir. Observando aquilo tudo percebi que grande burrada eu tinha feito. Pedi que ele fosse embora porque eu estava com sono. Ele primeiro riu, depois disse: “Ah, deixa de bobinha, eu vou dormir aqui.” Começamos a discutir e fomos pra varanda. Dois minutos depois alguém batia na minha porta.

Eram Prego e Lombradinho, dois amigos da favela ao lado. Disseram que viram Guilherme se alterando e pediram educadamente que ele saísse e me deixassem em paz. Quando viu o tamanho da chave de fenda que Prego trazia Guilherme resolveu seguir o conselho. Foi embora não sem antes notar que uma janela do seu carro estava quebrada. Assim que ele saiu os outros quatro chegaram e eu contei o que tinha acontecido.

Agradecemos os dois “colegas” e fomos dormir. Durante as semanas seguintes tive algumas recaídas. Quis telefonar, marcar um encontro. Mas era persuadida pelos AA do contrário. Átila odiava Guilherme com todas as forças. André só não ia com a cara dele. E eu sentia falta de um amor pra ocupar meu coração. Farra e amantes momentâneos não me faltavam. Mas isso me trazia um vazio que Guilherme, na sua pose de dono do mundo, conseguia preencher.

Eu realmente achei (não sei de onde) que ele seria um príncipe encantado. Na minha cabeça ele era gentil, carinhoso, cuidadoso. Que me amava e não deixaria nada de ruim acontecer. Na história que acontecia na minha cabeça ele ia se dar conta que eu era uma pessoa especial e teríamos uma historia linda. Na minha cabeça ele era a junção do Roberth e do Gambit. Eu não suportava a pessoa de carne e osso, mas amava a idealização que fazia dela.

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