segunda-feira, 12 de abril de 2010

Sirius Black

Dizem que pra esquecer um amor a gente precisa de um amor maior. E foi assim que consegui esquecer o Guilherme. Estávamos num bar chamado Deluxe comemorando nossas aprovações (de primeira) no vestibular. Lá trabalhava um cara que até hoje só conheço por Sirius Black, e fui eu que dei o nome. Ele era bartender assim como o Átila, e fazia os mesmos malabarismos com as garrafas. Era bem alto, tinha cabelos ondulados na altura dos ombros, cavanhaque, sorriso moleque e corpo esbelto.

Sentamos do bar e ficamos conversando e bebendo uns drinques. André e Átila foram jogar sinuca deixando eu, Michele e Eric pra trás. Os dois começaram a “caçar” possíveis pretendentes e eu fiquei melancólica encarando meu drinque. “Não tá bom?” Sirius perguntou. “Tá sim, eu que não to muito a fim de beber.” “Hum, posso saber por quê?” Fomos interrompidos por uma loura perua que queria se mostrar pra ele. Entregou o pedido dizendo “Capricha, tá?” E piscou pra ele. Depois que entregou o drinque (brega) dela voltou-se pra mim. “Desculpa, mas porque você tá triste?” “Coração magoado.” “Ah, porque você não disse antes? Tenho a cura perfeita.” E tocou uma sirene.

De repente todos os bartenders, homens e mulheres, subiram no balcão e começaram a dançar. Os homens tiravam as camisas, as mulheres só fingiam que iam tirar, e o público embaixo ia à loucura. Depois que tudo voltou ao normal perguntou: “Se sente melhor agora?” “Bem melhor.” E realmente esse momento mudou minha noite. Não só porque ele era gostoso e se exibiu pra mim, mas porque se exibiu pra todo mundo simplesmente pra me alegrar. Achei isso muito gentil.

Um tempo depois começou a tocar uma musica bem lenta. André e Átila já se agarravam com umas piriguetes na pista de dança. Michele dançava com Eric e eu sobrei. Estava de costas pro bar olhando os outros dançarem quando Sirius pulou por cima do balcão me assustando. “Vamos dançar.” E assim, informando e não perguntando, tomou o drinque da minha mão e foi me puxando pra pista.

Enquanto dançávamos disse no meu ouvido: “Você é a menina mais linda aqui hoje.” E me deu um beijo. Depois ficou um pouco preocupado, como se procurasse por alguém. “O que foi? Algum problema?” “Não, não. Depois te explico. Pode me encontrar depois daqui? Eu saio às três.” Olhei desconfiada, meu sexto sentido me dizia que alguma coisa tava errada. “Por favor, juro que explico depois. Fica até o fim, se encontra comigo?” “Tá certo.” E me deu um beijo na testa.

Ele voltou pro bar normalmente e eu voltei pros meus amigos. Esperei até que ele saísse. Quando enfim nos reencontramos me contou o motivo do comportamento estranho. Sua namorada também trabalhava lá. Mas seria ex-namorada se não tivesse engravidado. E, segundo ele, engravidou porque quis dar o famoso golpe da barriga. A princípio achei a historia meio enrolada, mas ele falou que ela tinha parado de tomar pílula e não tinha avisado, então vi que ele dizia a verdade.

Dalí fomos à praia. Todos seis. “Engraçado, ainda não sei seu nome.” Disse depois de me beijar. Me apresentei. Mas não perguntei o dele. “Você não quer saber meu nome?” “Não, pra mim você já tem nome, e se chama Sirius Black.” Nos encontramos (e ficamos) mais algumas vezes. E o convidei para o baile de formatura, que aconteceu duas semanas depois que nos conhecemos. Ele era muito diferente do Guilherme. Segurou a porta do elevador, abriu a porta do carro, puxou a cadeira pra mim e se comportou como um rebelde cavalheiro. Não quis usar a gravata. Mas era um dos mais charmosos da noite. Tanto que professoras assanhadinhas quiseram dançar com ele. E ele tinha um porte muito galante.

Dançamos, cantamos e nos divertimos a noite toda. Até Eric arrumou um boy (o que seria improvável). Quando saímos do salão éramos dez. Eric foi pra casa do bofe dele. Michele pra do bofe dela. Os AA levaram as ficantes pro nosso apartamento (deixei André ficar no meu quarto) e eu e Sirius fomos pro apartamento de um amigo dele (que sabia do nosso babado).

Quando lá chegamos perguntou: “Você me acha um crápula, Lu?” Me perguntou sincero. “Eu não quero ser como esses caras que deixam a namorada segurar a barra sozinhas.” “Querido, você tem direito a essa escolha. Não pense que sou insensível, mas eu não quero falar da sua namorada agora. Hoje você é meu, esquece ela.” E sentei no seu colo. Comecei a beijá-lo e fui abrindo sua blusa devagar, ele sorriu do jeito maroto que me tirava do sério. “Tá certo, hoje eu sou só seu.” Me pegou nos braços e me levou pro quarto.

Foi me deixar em casa com o dia amanhecendo. Nos beijamos mais uma vez e eu disse: “Respondendo sua pergunta: Não acho que você seja um crápula. Acho exatamente o contrário. Você é um idiota.” E dei um último beijo. “Vou sentir saudade.” Disse entrando no carro. “Eu já sinto.” Respondi. Quando entrei em casa encontrei os três meninos conversando na cozinha. Eric ainda com roupas de festa como eu. Mais alguns minutos Michele chegou. A partir daquele momento éramos universitários. Futuros acadêmicos. Uma professora de literatura, um médico, um publicitário, uma estilista e um arquiteto.

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