Na semana que completei 18 anos pisei em um palco pela primeira vez. Passamos cinco meses estudando e ensaiando a peça O Mágico de Oz. A principio eu seria apenas uma das árvores, mas quando fiz o espantalho num exercício mudaram de idéia. Pela dança eu tinha flexibilidade, pelo vôlei um bom condicionamento físico e tinha um talento que ninguém mais tinha: A capacidade de imitar fisicamente qualquer comportamento com perfeição.
André e Átila faziam os macacos da bruxa. E Lucas o Homem de Lata. Os diretores se juntaram e, numa reunião a portas fechadas, decidiram quem faria o quê. Claro que as trocas de favores pesou muito nesse momento e a briga de egos foi enorme. Ninguém queria fazer a bruxa má e todas se achavam inocentes o suficiente pra ser a Dorothy.
Minha estréia foi espetacular. Não tinha como ser melhor. Foi simplesmente fantástico. Me senti viva no palco, viva de um jeito diferente. Que só sentia às vezes quando fazia minhas loucuras. Não dava pra reconhecer quem estava na platéia, mas dava pra ter certeza de que estava lotada. E foi emocionante receber os aplausos no final. Ficamos seis meses em cartaz.
Mas o motivo dessa história não foi nem minha estréia (que eu arrasei) nem a peça. Foi o sonho que tive depois de uma apresentação. Nele eu era Dorothy, Átila o Homem de Lata (um romântico a moda antiga), André o Espantalho (inteligente e extremamente gentil) e Cristiano o Leão (que se achava um covarde, mas era o mais corajoso). Cris era o único do grupo que já era formado em Artes Cênicas, era loiro, da minha altura e tinha mãos muito bonitas. Mas não era tão sarado quanto os AA.
E adivinha o que a gente fazia no sonho? Adivinhou. A única diferença era que eu era uma Dorothy já crescida mesmo. Não tinha 11 anos como ela, tinha na verdade 19, pelo menos era o que dizia a certidão de nascimento na minha cesta (?). O primeiro, como na história, foi o Espantalho. Andava pela estrada de tijolos amarelos quando o vi pregado numa estaca. Ele quando desceu quis me agradecer a gentileza.
Engraçado que a única coisa de Espantalho era a roupa, porque o corpo era de carne e osso. Carne deliciosamente definida. Ele me deitou no chão e levantou a saia rodada do meu vestido azul. Tirou minha calcinha com cuidado pra não tirar os sapatos de rubi. Depois começou a beijar minhas pernas. Foi subindo beijando a parte interna das minhas coxas, até que senti meu corpo todo latejar sob seus lábios. Todos os meus músculos contraíram como se espreguiçasse longamente.
Mas, como era sonho, no minuto seguinte caminhava acompanhada por ele pela estrada de tijolos amarelos. Encontramos ao mesmo tempo o Leão e o Homem de Lata. Os dois me olhavam como se soubessem o que tinha acontecido momentos antes com o Espantalho. Se aproximaram e disseram alguma coisa que não lembro. Momentaneamente estavam nus e percebi que tudo tinha um tom amarelado de imagem antiga. Os três tinham cabeça do personagem e corpo de gente normal, exceto o Homem de Lata que era prateado.
Eles sorriram pra mim e me fecharam num círculo. Os momentos seguintes não foram nem previsíveis nem conexos. Foi uma sucessiva e exaustiva mudança de parceiros. A cada momento um deles me tinha. Às vezes mais de um. E os cenários variavam demasiada e aleatoriamente. E impressionantemente tudo ali fazia sentido. Acordei de súbito com a sensação de que tudo aquilo acabava de acontecer de verdade. Estava com o coração acelerado e até suada. Demorei alguns minutos pra me acalmar e entender que tudo não passava de sonho.
Passei alguns dias ainda impressionada. Olhava pros três procurando pistas de que tinha sido real pra eles também, tão real quanto tinha sido pra mim. Mas aos poucos aquelas imagens (e sensações) foram se esvaindo, e eu voltei às minhas antigas impressões dos três.
Um comentário:
interessante... mas, com todo respeito essa tal Doroty do sonho parecia ser uma vadia. é uma historia exitante sim. HD!
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