Quase no fim do semestre um novo professor chegou à faculdade. Era um dos maiores especialistas em José de Alencar e muito respeitado no exterior. E eu, claro, não podia perder o curso de literatura do século XIX que ele ministraria. Fui uma das alunas convidadas pessoalmente por ele. Quando saí de uma aula estava me esperando na porta. Me entregou o panfleto e conversamos um pouco sobre a carreira de professor.
Na quarta feira seguinte o curso começou. Era um curso de um mês apenas, um teste para uma possível disciplina optativa, onde conversaríamos sobre o básico. Mas comigo ele sempre queria conversar um pouco mais depois das aulas. Acabávamos sempre na cantina tomando um café e batendo papo. Numa noite na segunda semana me chamou para jantar. Disse que eu tinha um carisma muito difícil de encontrar. “O frescor da mocidade com a contemplação da experiência.” Segundo ele.
É claro que o clube dos cinco tirou sarro da minha cara. Mas o professor não era um velho caquético, na verdade era um cinqüentão que tinha uma orelha furada. Nasceu nos Estados Unidos, mas veio morar no Brasil ainda bebê. Tinha nome de americano: Andrew. E um filho dois anos mais velho que eu que estudava Jornalismo na mesma faculdade chamado Felipe. Nos conhecemos depois.
Então fui jantar com ele. Durante a noite inteira foi elegante e atencioso. “A maioria das garotas da sua idade são muito imaturas, achei você diferente.” “Ela não viveram tudo o que eu vivi.” Tivemos um jantar maravilhoso. Depois foi me deixar em casa. Dois dias depois saímos novamente. Dessa vez fomos pra casa dele depois do jantar. Homens mais velhos tem um jeito bem diferente de se dirigir a uma dama. Não são apressados como os moçoilos, sabem que ritmo seguir. Criam uma atmosfera e enfeitiçam de tal maneira que quando dei por mim ele me beijava e abria o zíper do meu vestido.
Tirou vagarosamente cada uma das peças que eu vestia. Com olhar sedutor tirou as dele. Depois mudou completamente de doce e romântico para apaixonado e intenso. Passava as mãos pelo meu corpo sem moderação e com satisfação notável. Quando enfim deitei nua na cama me observou como um escultor que observa sua musa. Procurando cada detalhe, cada poro, cada músculo tensionado. E comigo em seu colo observou cada gesto, cada suspiro e cada gemido meu nos instantes seguintes. Sorriu quando a contração dos meus músculos foi mais forte que eu. E me abraçou pra sentir cada espasmo.
Antes de dormir disse-lhe que não seria exclusiva. Ele era meu amante, não meu dono, nem meu marido. E desde que tivéssemos esse acordo quando estivesse com ele seria somente dele, sem mais ninguém no meu pensamento. Ele aceitou. Disse que eu era caprichosa e que ele não poderia fazer nada senão se render às minhas ordens. Mas que ia ser difícil aceitar que eu poderia estar com outra pessoa. “Farei o favor de não te dizer.” “Obrigado pela consideração.”
Ele se tornou membro do corpo docente oficial da faculdade e no semestre seguinte o mini curso virou uma disciplina optativa. Nós ficamos nesse rala e rola por uns três ou quatro meses. Depois disso nos encontrarmos foi ficando cada vez mais difícil. Ele começou a se interessar por outras musas e eu por outros cavalheiros e cavaleiros (porque não?). Mas não perdemos o contato completamente. Ocasionalmente nos encontrávamos pra tomar um café e botar os papos em dia. Mas os encontros amorosos ficaram tão esporádicos que por fim deixaram de existir.
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