quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cidade Maravilhosa

Depois que me mudei comprei meu primeiro computador. Naquela época (2003) eles eram grandes, caros e difíceis de instalar. Coloquei a tão falada internet e utilizava uma conexão discada que só era gratuita de madrugada. Comecei então a freqüentar salas de bate papo onde conhecia dezenas de pessoas. Numa dessas conheci um rapaz chamado Pablo que morava no Rio de Janeiro.

Começamos a conversar diariamente e trocamos emails e telefones. Depois de um mês e meio conversávamos como velhos amigos. Não sei qual de nos teve a idéia, mas resolvi conhecê-lo pessoalmente. Como estávamos no meio de junho logo eu estaria de férias. Eu queria passar só uma semana, mas ele insistiu em pelo menos duas.

E assim, no começo de julho, entrei pela primeira vez em um avião. Combinei com ele a hora que chegaria e ele foi me buscar no aeroporto. Já tínhamos visto fotos um do outro. Sabia como ele era. Alto, magro e de sorriso cativante. Assim que atravessei o portão de desembarque o vi acenando pra mim. Fui ao seu encontro. Ele já me recebeu com um beijo. “Fez boa viagem?” e fomos conversando normalmente até o carro (emprestado de um amigo). Normalmente porque não parecia que tínhamos acabado de nos conhecer pessoalmente.

Ele morava na realidade em Niterói, mas tinha trocado temporariamente de casa com um dos amigos (não o dono do carro). Ele parecia um guia turístico, falando orgulhoso da cidade. Fomos de Copacabana à Barra da Tijuca. Mostrou o Corcovado, o Jardim Botânico, o Pão de Açúcar e a enseada de Botafogo. Mas vimos tudo do carro, tínhamos tempo pra conhecer de perto. Chegamos enfim à Lapa onde ficaríamos. O que era muito bom porque a maior parte da agitação noturna ficava lá mesmo.

Saímos pra jantar e conheci alguns dos amigos dele. Ficamos pelo bairro mesmo. Eles achavam divertido me ouvir falar. E eu estranhava o sotaque deles. Depois do jantar fomos pra um barzinho. Dançamos um bocado e voltamos pra casa. Já entramos tirando a roupa. Ficamos “passeando” pela casa. Uma hora na cozinha, outra na sala, paramos pra recuperar o fôlego, fomos pro quarto e terminamos no chuveiro.

No dia seguinte me levou pra conhecer realmente a cidade. Claro que não deu tempo de conhecer tudo. Primeiro fomos ao Maracanã e ao Corcovado. De lá fomos à praia de Copacabana. No outro dia visitamos o Pão de Açúcar, o Jardim Botânico e o Arpoador. E no resto da semana conheci Niterói, a Sapucaí, a Candelária e andei no bondinho da Lapa. Amei a cidade. Achei tão diferente da minha. Tinha uma noite bonita e agitada, bem do meu estilo.

Pablo tinha as qualidades que todo homem deve ter. Na cama e fora dela. Na cama era másculo e tinha (a) pegada, fora dela era gentil e carinhoso. Daqueles que cuidam da gente. Mas como todos os homens Pablo tinha um defeito. Ele na verdade tinha dois. O defeito de morar longe e o defeito de ter namorada. Essa parte ele não me falou pela internet (óbvio). Mas também eu morava em outra cidade, nossa relação era pura e simplesmente passageira.

Tirando esses dois problemas minha viagem foi perfeita. Me entrosei muito bem com os cariocas, que cismaram em mostrar pra todo mundo como eu falava engraçado. Vi artistas famosos e não famosos. E visitei lugares históricos imaginando as personagens do meu livro favorito. Imaginei a festa da Glória onde Paulo conheceu Lúcia. Onde seria a chácara do Sá onde as famosas ceias aconteciam. Imaginei até o roçar do vestido de Lúcia em Paulo enquanto passávamos pela Rua do Ouvidor.

Foram dezessete dias de farra, história, magia, bagunça e paixão. Uma das melhores viagens que já fiz na vida. E hoje, quando relembro, sinto saudade de cada uma daquelas horas e minutos. De cada rua, de cada esquina. E prometi a mim mesma que um dia voltaria pra morar. E só servia se fosse na Lapa.

Um comentário:

Prrg disse...

Esse foi seu melhor texto ;)